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Temer: um pato manco à frente de uma comédia nada divina no País

10 de junho de 2017 • 11:09 am

Há uma certa indignação no ar das pessoas que esperavam uma justiça séria, correta, ética e honesta no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), no processo de julgamento da chapa Dilma-Temer. Assim era pra ser, nunca foi e nem será. Há que se dizer. Isso não é ceticismo puro e besta. É história.

O Poder Judiciário, em todas as suas cortes e instâncias, é formado por homens. E os homens, na essência, quando o assunto é o poder jogam e atuam de acordo com seus interesses. Principalmente nos escalões mais altos.

A história do “julgo de acordo com o que está nos autos” é pura embromação. É muito semelhante  à declaração de políticos que dizem estar cuidando dos “interesses Republicanos”. Uma ova!

Portanto, o comportamento dos ministros do TSE, assim como o resultado do julgamento já havia ficado claro há bastante tempo. Tanto que o Presidente  Michel Temer chegou a desafiar à própria sociedade, ao dizer que “daqui não saio e daqui ninguém me tira”. Ele sabia quem tinha e o que havia colocado lá.

Aliás, com o hábito que tem de  reunir-se na calada da noite nos porões do Planalto, sabe-se que não foram apenas duas ou três vezes que esteve com Gilmar Mendes pelos subterrâneos do poder central, tramando situações para  manter o poder para ele e os seus. E Mendes nunca escondeu que é um deles.

Mas, sejamos sinceros. Fossem outros os atores dessa comédia, nada divina, a situação no caso das articulações de poder teriam corrido da mesma forma. Agora, especificamente, se fosse para cassar o mandato de Dilma Rousseff o resultado do julgamento teria sido contra ela.

Ora, quando uma parcela considerável da população foi às ruas contra Rousseff, batendo panelas, gritando impropérios, atacando políticos nos aeroportos e restaurantes, etc., o fez sob o comando de lideranças políticas que haviam saído derrotadas do processo eleitoral. E essas lideranças investiram na frustração fresca de um povo que tinha o resultado das eleições  entalado na garganta. Era preciso um terceiro turno.

Só faltava um mote. E alguém no âmbito do Judiciário trouxe para o meio das ruas o tema da corrupção. Foi à mão na luva. Investiu-se na onda odiosa: Fora corruptos! Os incautos achavam que a corrupção era um ponto único, exclusivo de um poder e de um partido. Não é, não foi e nunca será. Os fatos e os famosos “autos” estão aí para demonstrar.

Rousseff então foi defenestrada. Fez-se a festa. Temer no Poder depois do espetáculo do Congresso com os corruptos mais podres dizendo que estavam votando pela cassação em nome da honra, de Deus e de outras pérolas mais, quando na verdade estavam atuando pelos seus próprios interesses, recheados do vil metal. Puro e simples.

Assim, se as instituições são reflexos da sociedade, hoje, não há o que reclamar. Apenas constatar que os podres poderes são conduzidos pelos homens, que usam e abusam da boa fé alheia para a manutenção de seus status quo.

Portanto, Temer, enquanto o novo chefe da quadrilha não caiu e, certamente não cairá mesmo sendo ele um ‘lame duck’.

Ou, como dizem os filhos de Trump, um pato manco que preside, mas não governa.