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Loures e Aécio livres no País da Constituição e não da corrupção

1 de julho de 2017 • 9:46 am

Aécio Neves volta para o mandato por decisão da Justiça, depois de toda zoada com as delações da JBS. Agora a mesma justiça solta o ex-assessor especial, amigo e confidente de Michel Temer, Rodrigo Rocha Loures, o homem da mala de R$ 500 mil.

O primeiro foi beneficiado por decisão do ministro Marco Aurélio Mello e o segundo pelo relator da Lava Jato, ministro Edson Fachin. Enfim, os homens da corte Suprema.

E nós mortais como ficamos diante da nobreza brasileira?

Alvorada pra que te quero.

Devagar com o andor, todos. Estamos no Brasil. E alguém pedir propina de R$ 2 milhões a um megaempresário amigo é a coisa mais natural do mundo.

E mais natural ainda é o cara sair correndo pela rua e calçadas paulistas com uma mala cheia de dinheiro, que, uma vez contado, somam R$ 500 mil.

Menino, isso é besteira. Tranquilo e favorável.

Você só não pode é reclamar dos nobres parlamentares que estão retirando seus direitos trabalhistas e penalizando exatamente os trabalhadores mais pobres. A gente simples de salário mínimo.

Se o fizer é arruaceiro,  baderneiro, vagabundo, comunista – e para entrar na moda – com síndrome de esquerdopatia.

É sim. O patrão já disse. O juiz também. Até o ministro da Defesa já falou.

Tem mais: reclame, proteste e o vizinho vai dizer que você é petista defensor de bandido.

Calado…O vizinho é do Ministério Público, amigo daquele policial que não pode ver um moleque negro pela frente e logo baixa o pau.

Foi de cor, não tem valor.

O que vale mesmo é ser de lá. De gravata, colarinho branco, calça culote e paletó almofadinha. Melhor ainda se tiver uma mulher recatada e do lar.

Ah, e uma moradia com porão para reunir os amigos depois das 11 horas da noite e ficar brincando de grampo. Um grampo aqui, outro alí…Mantém isso e segue o ritmo.

Ser de lá é viver a grande emoção dos vestais, dos sapatos lustrados, dos cabelos pintados e dos macios tapetes coloridos. Esse é o grande barato desses grandalhões de contas bancárias nos paraísos.

Corrupção? Não, não, absolutamente não. Está tudo dentro da normalidade, da legalidade e da competência dos homens públicos do País tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza – e salve Benjor.

O bom lá do Serrado é que os homens são quase todos seguidores daquela máxima de São Francisco de Assis…Mas, tudo pelos mais puros interesses republicanos.

Bote fé, irmão. Alelulia! Não há nada a temer…

Nós somos uma grande Nação, o País já derrubou a inflação, retomou a economia e estamos saindo da crise.

Pode crer que não é nenhuma ilusão. Soltar o ladrão, banir a corrupção e tudo à luz da Constituição.

Inverno triste.

Quer saber? Bateu uma fome danada. Só estou em dúvida se como pão com mortadela ou coxinha.

Êpa! Em Brasília, meia noite…

 

 

 

 

 

 


Cada um protege os seus e o povo fica com Deus

1 de julho de 2017 • 3:26 am

Por que será que no Brasil tudo em política é fantasioso, disfarçado e arrogante?

A notícia anunciada em 18 de maio, de que o senador Aécio Neves, pego com a boca na botija do propinoduto, nas investigações da Procuradoria Geral da República, foi afastado do mandato por falta de decoro parlamentar, prática de corrupção e outras ‘cositas’ mais, encheu os brasileiros de expectativa em relação ao corretivo que viria – como tem sido a cada delação, a cada prova apresentada, a cada político investigado, citado ou indiciado.

Ora, pensaram muitos, na santa ignorância ou ânsia de punição para os corruptos, que o senador denunciado havia de fato perdido o mandato, quando, na verdade, ele só estava ‘de férias’; é isso que se pode chamar o período de afastamento do trabalho, por determinação da Justiça, sem nenhum prejuízo ao senador – nem mesmo o desconto no salário. Férias concedidas e revogadas por ministros do Supremo Tribunal Federal – diga-se de passagem.

Primeiro o ministro Edson Fachin proibiu Aécio Neves de exercer as funções de senador; agora o ministro Marco Aurélio Mello autorizou a volta do senador, apesar de ele ter sido  denunciado pela PGR, por corrupção passiva e obstrução da Justiça.

Estranho, né? Na avaliação do ministro Marco Aurélio, que assumiu a relatoria do caso Aécio Neves por meio daquele famoso sorteio do STF, ‘não cabe àquela Corte afastar um parlamentar em exercício do mandato”. Isso criaria jurisprudência capaz de afetar o equilíbrio e a independência dos três poderes.

Huuum! Magistrados de uma mesma corte, em pareceres diferentes sobre uma mesma ação.

Ora, se existem leis, onde aperta o botão da ‘equidade’, para que ela seja igual, com o mesmo peso e a mesma medida para todos?

Para o ministro Aurélio, (mesmo com todos os elementos apurados até agora) ‘não houve flagrante’; e apesar da mochila recheada de dinheiro e das gravação e delações que constam nos autos, o senador não foi surpreendido cometendo crime, e ponto final.

Ah, tem mais: Sabe aquele pedido de prisão? Marco Aurélio avalia que os delitos atribuídos a Aécio não estão entre os considerados crimes inafiançáveis – tortura, tráfico de entorpecentes, terrorismo e outros crimes hediondos.

Mas, espere um pouco ministro. E para os outros que já estão presos só pelas delações, teria havido flagrante? E para a irmã e o primo do senador, teria havido? Teriam, os crimes atribuídos a eles e outros delatados, qualificação diferente dos atribuídos ao ilustre senador?

Ou não?

Sei lá. Minha leitura é pouca para esse imbróglio.

Só sei que Aécio, que viveu os últimos dias na iminência de ir para o inferno da prisão, volta para o paraíso no Senado e tudo fica igual como era antes…

É Brasil…