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Analfabetismo: Uma porta escancarada para a violência!

12 de outubro de 2017 • 10:44 pm

Apesar de várias propagandas veiculadas pelos governos – sobretudo no âmbito estadual e municipal – mostrando escolas ‘modelos’ e programas de ensino de qualidade; apesar dos esforços aqui e ali, em colocar tapetes sobre a poeira dos indicadores sociais, mais um titulo de ‘campeão’ foi atribuído a Alagoas esta semana.

Um título que a exemplo de muitos outros que o Estado tem colecionado ao longo dos anos, coloca em xeque o tempo presente das nossas crianças e dos nossos adolescentes e compromete o futuro da nossa gente; do nosso país.

O estudo realizado e apresentado nesta terça-feira (10), pela Fundação Abrinq, baseado em números do Pnad 2015 (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) mostra que o analfabetismo ainda é a realidade de 8% da população brasileira com idade acima de 15 anos. O Nordeste, com a taxa é 16,2% – o dobro da média nacional- reúne os cinco estados com as maiores taxas: Maranhão, Piauí, Ceará, Paraíba e – advinha quem é o campeão dessa triste realidade? – Alagoas, com 20% da população acima de 15 anos, não alfabetizada.

Na mesma semana, o observatório de Favelas e o Laboratório de Analise da violência da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, divulgam dados de um trabalho realizado numa parceria entre o UNICEF, o Ministério dos Direitos Humanos (MDH) – o Índice de Homicídios na Adolescência 2014 (IHA) – mostrando que a violência continua em ritmo crescente, ceifando vidas de jovens entre os 12 e os 18 anos de idade.

Uma triste realidade mostrando que em 300 municípios brasileiros com mais de 100 mil habitantes, 3,65 dos adolescentes nessa faixa etária correm risco de serem assassinados antes de completar o 19 anos, atingindo com mais força a população negra. E as projeções não são nada animadoras. O número de adolescentes mortos pode chegar a 43 mil em 2021 – diz a pesquisa.

O problema é mais grave no Nordeste – exatamente onde os indicadores da Educação também são os piores para a população maior de 15 anos. A região dobrou o número de adolescentes vítimas da violência entre 2005-2014 – período analisado.

E mais uma vez Alagoas figura no pódio, entre os Estados que mais contribuíram para isso – com um índice de 8,18  mortos a cada grupo de mil adolescentes, atrás apenas do Ceará, com taxa de 8,71.

Certo (?); o governo se defende dizendo que os dados são de dois três anos atrás. Mas teria mudado tanto?  Mas, e daí?

Seja em que tempo for; se o estado é campeão, vice ou ficou no quadrangular; continuamos aonde ninguém gostaria de estar no triste campeonato dos indicadores sociais. E é doloroso saber que ainda existe tanto analfabetismo em um país que alardeia a educação como prioridade (Será mesmo?). É estarrecedor ver tantos jovens matando ou sendo mortos antes dos 20 anos de idade.

Não dá pra ficar discutindo de quem é o (dês)mérito dessa triste realidade, nem mesmo apontar apenas os gestores atuais. É hora de enxergar a dura situação e os seus reflexos na realidade das nossas crianças e adolescentes e no futuro do nosso país. Não é mais tempo de discutir como chegamos até aqui, mas o que fazer para sair desse pódio vergonhoso e indesejável, e buscar atalhos para que toda essa geração – com mais de 15 anos de atraso na educação – reencontre os caminhos do desenvolvimento pessoal e social e acredite na esperança de que ela ainda é o futuro desse nosso país sofrido e estraçalhado com tantas mazelas.

Senão, corremos o risco de viver os próximos anos contabilizando os títulos de campeões de violência, delinquência juvenil e mortes violentas entre nossos jovens; e de termos que investir na construção de mais cemitérios e presídios do que escolas.

Neste dia 12 de outubro, só nos resta pedir a Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, que interceda por nós, por nossas crianças e adolescentes e pelo futuro deste nosso país.


Em meio aos canais pantanosos deriva a pobre, gentil, pátria amada

12 de outubro de 2017 • 9:59 am

As arrumações da “Sala de Justiça” para salvar o senador Aécio Neves (PSDB) da decisão da primeira Turma do STF, que o afastou do mandato, já estavam escritas.

Daí a corte tomou a decisão que já vinha sendo cantada há dias pela imprensa, com o voto da capitulação de dona Carmem.

Aliás, dona Carmem, antes considerada serena, independente e austera na forma da lei, como deveria ser a verdadeira mão da justiça brasileira, revelou-se de vez, ao tomar uma decisão meramente política. E não foi por outra razão que, dias antes da sessão do Supremo, esmerou-se em reuniões com o presidente do Senado e da Câmara para tratar da questão.

E assim, o Supremo Tribunal Federal (STF), a corte máxima do País, ao livrar o senador tucano da punição anterior rende-se ao poder político do País.

Ou se assim não puder ser entendido, que se entenda então o seguinte: entre mortos e feridos salvaram-se todos.

A decisão de 6 a 5, favorável ao senador, com o voto de minerva da presidente Carmem Lúcia, beneficia a todos os políticos brasileiros a partir de então.

O certo é que o País se tornou uma imensa confusão. É como se todos, agora, quisessem se harmonizar no pântano lamaçento que tingiu a moral e os bons costumes de homens e mulheres do Brasil.

E pensar que tudo isso começou com o povo nas ruas vociferando contra a corrupção. Agora o silêncio das ruas assiste convenientemente a celebração da maioria dos corruptos, ainda mais poderosos, em meio às instituições cada vez mais embrenhadas nos canais pantanosos do poder brasileiro.

Pobre, gentil, pátria amada…