Archive for dezembro 16th, 2017

A doce e cara merenda na escolinha da Justiça

16 de dezembro de 2017 • 8:30 am

Num país desestruturado, encharcado pela corrupção e marcado pelas enormes desigualdades sociais, está cada vez mais difícil acreditar nas instituições públicas.

De um lado, uma faixa da população (cerca de 25 milhões de pessoas, segundo o IBGE), vive em situação de extrema pobreza, com renda de até R$ 220 por mês. Do outro, uma faixa de privilegiados, que regam seus altos salários, pagos pelo erário, sobretudo nas estruturas do Legislativo e do Judiciário, com vantagens, penduricalhos e manias que, de tão acintosas e repetitivas, parecem inalcançáveis à indignação do povo brasileiro. Caíram no lugar comum.

Um exemplo disso é a licitação aberta pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), com gasto estimado em R$ 468 mil, para o fornecimento de lanche de “primeira qualidade”, para os ministros e desembargadores, durante os próximos 12 meses.  É quase meio milhão de reais gastos com o ‘cafezinho’ dos membros da corte de Justiça. Um combinado de pães, biscoitos e outras iguarias, sucos, frutas, vários tipos de queijos e café em cápsulas da marca “ILLY-Iperespresso”.

Isso mesmo. O pessoal da ‘Justiça superior’ não é chegado àquele velho cafezinho coado – paixão da maioria dos brasileiros. A moda do momento são essas cápsulas, para as quais o edital prevê um gasto de R$ 21.533,44.

Mas o limite do absurdo está mesmo nas exigências, muito bem observadas pelo colunista Lauro Jardim, de O Globo, sobre o luxuoso café que a turma do STJ está preparando para 2018, com imposições que beiram o cúmulo do ridículo, no detalhamento de cada item da ‘cesta básica’.

O abacate, por exemplo (certamente a fruta mais saboreada na corte, já que o edital prevê consumo de aproximadamente 60 quilos por mês), precisa ter “casca verde a violeta, lisa, fina, fosca e sem sinais de rachaduras ou amassaduras” e sua polpa deve ser “verde amarelada, que ceda ao leve toque sem amassar”. Ah, e tem as medidas, também: A fruta deve ter, no mínimo 700g, e 30 cm de diâmetro. E as bananas ‘devem ter casca amarela, integra, com pouca ou nenhuma mancha preta’. Detalhe para a descrição do sabor, que deve ser ‘doce e suavemente ácido’. Dá para imaginar a seleção?

Tá explicado, né?  Juntando tudo no mesmo balaio, o STJ vai gastar com a merenda de suas Excelências, uma média de R$ 39 mil por mês. Considerando 22 dias úteis, são aproximadamente R$ 1.700 de lanche por dia (isto sem considerar os dois recessos anuais, em que a turma não trabalha).

Você pode dizer: mas isso dá uma média de R$ 50 para cada membro do STJ, por dia. Pode até considerar razoável. Até seria, se não fosse a realidade daqueles 25 milhões de brasileiros que, com renda de R$ 220 por mês, têm que se virar com menos de R$ 7 por dia, pra TUDO.

Até seria razoável, se os ministros e desembargadores pagassem do próprio bolso. Afinal, o salário de um membro do STJ dá bem pra pagar o próprio lanche, né não?

Mas, pra que pagar, se podem jogar tudo na conta do erário de um país que vive uma de suas piores crises, em todas as suas vertentes: financeira, política e institucional.

E o motivo, todo mundo já conhece…


Violência: Batalha se transforma na nova capital do cangaço alagoano

16 de dezembro de 2017 • 7:30 am

É mais que assustador o clima de Batalha, município do sertão alagoano. Em 40 dias dois vereadores tombam nas ruas crivados de balas.

Em 9 de novembro, Adelmo Rodrigues Melo, o Neguinho Boiadeiro, presidente da Câmara Municipal, foi morto quando saía do trabalho. Agora foi a vez de Tony Pretinho, jovem de 34 anos, cair na via pública, ao sair de casa.

Boiadeiro, pretinho, revólveres, balas, violência que gera violência.

O que se vê em Batalha atualmente é a lei do cangaço. O clima de terror no dia do assassinato de Neguinho Boiadeiro explodiu novamente agora com a morte de Pretinho, que vinha a ser adversário político dos Boiadeiros.

Uma coisa pode não ter nada a ver com outra, mas certamente será por onde a polícia vai iniciar suas investigações.

A questão é que enquanto vai se consolidando como a nova capital do cangaço alagoano, Batalha vai atraindo para si e os seus habitantes um estigma de cidade maldita que não ajudará em nada no desenvolvimento social do município.

Pior é o fato de autoridades da segurança pública estadual estarem atônitas com os acontecimentos. E diga-se que os gestores da área têm responsabilidade total no caso, pois permitiram que os valentões voltassem às ruas do município sertanejo para a retomada da guerra sangrenta.

O que houve? Por que falharam? São perguntas que a sociedade faz considerando que, diante dos episódios anteriores, esperava-se que Batalha estivesse muito bem protegida pelas forças policiais. Mas, pelo visto, ledo engano.

O que o povo de Batalha está vivendo é um trágico final de ano  e deve entrar para 2018 com a certeza de que 2017 ainda não acabou.

Triste, mas é real.