19 de maio de 2015 • 3:34 pm

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A bronca de Drummond, na lembrança do mestre Nelson Carneiro

Velho guerreiro das lutas democráticas nos arredores da Bahia e à beira mar das Alagoas, Nelson Carneiro, publicitário master do Nordeste brasileiro publicou nas redes sociais um texto de Carlos…

Por: Marcelo Firmino
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Velho guerreiro das lutas democráticas nos arredores da Bahia e à beira mar das Alagoas, Nelson Carneiro, publicitário master do Nordeste brasileiro publicou nas redes sociais um texto de Carlos Drummond de Andrade, que resolvemos trazer para o espaço do eassim.net. Veja aí:

– O amigo jornalista, tricolor Marcelo Firmino, publicou no seu BLOG
(é assim), as grosserias de um grupo numa mesa de bar dirigidas a presidente Dilma, Lembrei dessa crônica do Drummond, bem apropriada. (N.C.)
DITADURA… – QUEM DIRIA!
Um dia o Presidente João Figueiredo, quando estava saindo
do governo, disse que iríamos ter saudades dos tempos do
governo militar. Não sei se tenho saudades, mas que o povo
mudou para pior, não tenho dúvidas.
Na época da ‘chamada’ ditadura…
Podíamos namorar dentro do carro até a meia- noite sem
perigo de sermos mortos por bandidos e traficantes. Mas,
não podíamos falar mal do presidente.
Podíamos ter o INPS como único plano de saúde sem morrer
a míngua nos corredores dos hospitais. Mas não podíamos
falar mal do presidente.
Podíamos comprar armas e munições à vontade, pois o
governo sabia quem era cidadão de bem, quem era bandido e
quem era terrorista. Mas, não podíamos falar mal do
Presidente.
Podíamos paquerar a funcionária, a menina das contas a
pagar ou a recepcionista sem correr o risco de sermos
processados por assédio “sexual”.Mas, não podíamos
falar mal do Presidente.
Não usávamos eufemismos hipócritas para fazer
referências a raças (ei! negão!), credos (esse crente
aí!) ou preferências sexuais (fala! sua bicha!) e não
éramos processados por “discriminação” por isso. Mas,
não podíamos falar mal do presidente.
Podíamos tomar nossa redentora cerveja no fim do expediente
do trabalho para relaxar e dirigir o carro para casa, sem o
risco de sermos jogados à vala da delinquência, sendo
preso por estar “alcoolizado”. Mas, não podíamos falar
mal do Presidente.
Podíamos cortar a goiabeira do quintal, empesteada de
taturanas, sem que isso constituísse crime ambiental. Mas,
não podíamos falar mal do presidente.
Podíamos ir a qualquer bar ou boate, em qualquer bairro da
cidade, de carro, de ônibus, de bicicleta ou a pé, sem
nenhum medo de sermos assaltados, sequestrados ou
assassinados. Mas, não podíamos falar mal do presidente.
Hoje a única coisa que podemos fazer é falar mal do
presidente. Que merda!

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