30 de novembro de 2016 • 12:18 pm

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A emoção de um regatiano diante da tragédia com a Chapecoense

Um jovem alagoano, Francisco Guerrera é defensor público em Santa Catarina. Diante do acidente fatal com a equipe da Chapecoense, ele escreveu um texto sobre como se transformou em torcedor…

Por: Bleine Oliveira
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Um jovem alagoano, Francisco Guerrera é defensor público em Santa Catarina. Diante do acidente fatal com a equipe da Chapecoense, ele escreveu um texto sobre como se transformou em torcedor do time que, com a tragédia, conquistou o mundo. Vale leitura!

Um time que conquistou o mundo*

“Já morei em muitos lugares. Quando me perguntam sobre o Oeste Catarinense, onde tive oportunidade de começar a minha carreira como Defensor Público há quase três anos, respondo: ali estão as melhores pessoas que já conheci – as mais cordiais, as mais educadas, as mais trabalhadoras, as mais receptivas, as mais alegres.

Assustou-me, no início, até pela pouca idade, ir trabalhar em uma região tão longe, distante cerca de oito horas de carro da capital Florianópolis, quase fronteira com a Argentina. Não imaginava ser tão bem recebido quanto fui. Eu me recordo de que, apaixonado que sou por futebol, a minha ansiedade foi aliviada pela notícia de que “a tal Chapecoense” jogaria a Série A pela primeira vez naquele ano que se iniciava e eu teria a oportunidade de ver o Brasileirão.

Grandes equipes do país desembarcariam na cidade e eu poderia contemplá-las em alguns jogos. Porém, o inesperado aconteceu: foi a Chape que me cativou. Cantei com a torcida, vibrei com as defesas milagrosas de Danilo, alentei o Rangel, vesti a camisa verde. A vida seguiu, deixei o Oeste e os amigos que fiz, mas a Chape continuou no meu peito.

Sábado passado “informei” (leia-se “solicitei autorização”) à minha namorada que eu iria ao segundo jogo da final da Copa Sul-Americana para torcer pela Chape e que já estava à procura de ingresso, ao que ela me retrucou: “Você tem que se decidir se é CRB ou Chapecoense”. Respondi dizendo que tinha um carinho especial pelo clube, mas não soube expor as razões dessa afeição, que eu mesmo nunca tinha conseguido entender.

Hoje o planeta inteiro me explicou os motivos do meu encantamento e, junto comigo, também virou torcedor da Chape. Não estarei mais presente na final do dia 7 de dezembro. A Chape, precoce como sempre, decidiu sagrar-se campeã continental com muita antecedência.

Mas um dia espero contar aos netos que vi um time pequeno se vestir de gigante e deixar tudo dentro de campo para alcançar feitos grandiosos, contra tudo e contra todos; um time que partiu de Santa Catarina em busca da conquista da América e acabou conquistando o mundo. Obrigado, Chape.”

*Francisco Guerrera Neto, 27 anos, Defensor Público do Estado de Santa Catarina

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