10 de novembro de 2017 • 7:44 am

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A guerra de Batalha pelas redes sociais: gerações dizimadas

Quando a notícia de morte e sangue vira uma festa para o consumo ávido de grupos e grupos na internet

Por: Marcelo Firmino
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A violência que explodiu em Batalha com o assassinato do vereador Neguinho Boiadeiro, nesta quinta-feira, 9, ganhou as redes sociais na forma de uma guerra entre famílias, onde o sangue, como protagonista pelas versões diversas, inundava as ruas tingindo a vida e a morte de vermelho, para o cenário de horror  na terra sertaneja.

Pelas redes sociais, a ação criminosa em Batalha era uma festa. O gosto pelo sangue era evidente nas postagens de grupos e grupos. Imagens de um cidadão ensanguentado estendido na rua, ao invés de chocar fazia bem aos olhos de muitos.

Quem morreu e quem matou? Só faltou morrer o padre, por que até a mãe dele já havia tombado morta pelas balas que zuniam de lado. E ela teria caído à porta da igreja agarrada à imagem de São Jorge.

As “informações” corriam. E davam conta de que jovens Boiadeiros armados de fuzis, metralhadoras e revólveres de todos os calibres disparavam rajadas de balas contra casas, homens, mulheres, meninos e porcos.

Pelas redes sociais até as gerações dos Dantas, ainda para nascer, já haviam sido baleadas.

Pais, mães, filhos, noras e genros dos dois lados estavam em guerra na rua, enquanto nas calçadas o povo aplaudia para saber logo o lado vencedor.

-Eita, caiu um ali. É sicrano. Do outro lado tombaram dois: fulano e beltrano.

Mais imagem de sangue, sofrimento, dor, para o consumo ávido de desavisados que tomavam todas as “informações” como verdade absoluta.

A natureza humana doentia se expande pelos milhares de smartphones, aqui ou em qualquer lugar, a cada episódio que envolva violência ou bizarrice que, de preferência, cause prejuízo ou constrangimento a alguém.

Batalha, portanto, ganhou o mundo com sua guerra particular nas redes sociais.

E é bem possível que nesta sexta-feira, 10, tudo comece outra vez. Só que aí, talvez, ao som de Belchior: “Mate-me logo, à tarde, às três/ que à noite eu tenho um compromisso e não posso faltar/ por causa de vocês…”

 

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