22 de abril de 2015 • 7:50 pm

Cotidiano

A menina Mell e a nobreza de um sonho cultural no sertão alagoano

Ela trocou as bonecas, pelos livros; muito mais do que brincar de casinha, entregava-se ao mundo da leitura; a Aritmética da Emília e a história do Sítio do Pica Pau Amarelo, a pequena Mell não aprendeu nos programas de televisão.

Por: Da Redação com Assessoria
Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+Print this page

 

mell e o sonho

carta de mell

Por Ascom CJE\AL

Ela trocou as bonecas, pelos livros; muito mais do que brincar de casinha, entregava-se ao mundo da leitura; a Aritmética da Emília e a história do Sítio do Pica Pau Amarelo, a pequena Mell não aprendeu nos programas de televisão. Foi ‘viajando’ na literatura de Monteiro Lobato que essa garotinha conheceu a história da Dona Benta, do Pedrinho e da Narizinho, da tia Anastácia, do Saci Pererê e da bruxa Cuca. Apaixonada por esse mundo que nos leva ao conhecimento, a menina Ana Mell Araújo Rocha Silva, de apenas 7 anos, quer transformar o seu maior sonho, em realidade: adaptar o galpão do sítio do avô, localizado na zona rural do sertanejo município de Mata Grande, no interior de Alagoas, em uma biblioteca pública.

Através de uma cartinha inocente, a menina Mell ultrapassou em uma velocidade gigantesca, os limites territoriais da cidade localizada no Sertão de Alagoas. “Estou com o objetivo de formar uma biblioteca, então, gostaria de saber se você conseguem alguns livros, para que eu possa colocar na minha coleção. Vamos incentivar a leitura”, disse ela na carta endereçada à tia Fafá.

A campanha- Sensibilizada com o pedido da sobrinha, Fafá Rocha e o marido, Marcus Assunção, ambos produtores culturais em Maceió, deram início a mobilização do projeto, que foi apelidado carinhosamente como ‘Biblioteca da Mell’.

Foi por meio de conversas com amigos, especialmente através do jovem empresário Hugo Noah, que a campanha foi ganhando corpo. Rapidamente, o desejo da Mell foi se tornando, também, o desejo de centenas de pessoas que, por iniciativa própria, começaram a usar suas redes sociais para pedir doação de livros. “Conversamos com os membros do Conselho de Jovens Empreendedores de Alagoas (CJE) e com a direção da Conaje (Confederação Nacional de Jovens Empresários) e tivemos carta branca para ajudar na busca de recursos e parceiros para a construção da biblioteca da Mell. A partir desse momento, comecei a manter contato com empresários de outros estados e, para nossa alegria, as portas se abriram de uma forma que chegou até a nos surpreender”, destacou ele, que, além de empreendedor, também é vice-presidente do CJE, entidade diretamente envolvida com a causa.

“A Mell ainda é tão pequena e talvez nem consiga entender a dimensão que esse seu desejo tomou. Mas, num futuro próximo, temos certeza que todos poderão se orgulhar de ter colaborado. A cada novo livro que chega, ela entra em êxtase. A gente se emociona só em vê-la com um super sorriso no rosto”, contou Fafá Rocha.

Então, sabendo do poder de alcance que possuem as ferramentas como facebook, instagram e whatsapp, a família pôde ver as doações chegando de todos os cantos do Brasil. Pessoas físicas e jurídicas, anônimos e famosos se integraram ao coro dos parentes e amigos da Mell e, apenas na primeira semana de campanha, o volume de títulos arrecadados já ultrapassou os cinco mil exemplares.

“Obrigada, obrigada, obrigada. Muito obrigada. Como disse o meu escritor favorito, Monteiro Lobato, um país se constrói com homens e livros. Vamos fazer nosso papel na transformação social que o Brasil precisa. Assim, ele será melhor”, declarou Mell, num vídeo de agradecimento à mobilização criada em função do seu sonho.

Mell e Lobato – E por falar em Monteiro Lobato, é uma feliz coincidência que une ainda mais a pequena Mell aquele que foi um dos maiores literatos, ensaístas, contistas e tradutores brasileiros. Também foi aos sete anos de idade que o paulista de Taubaté descobriu a paixão pela leitura e, acreditem, na casa do avô, onde existia uma enorme biblioteca.

Porém, longe de ser comparada com uma das personagens mais famosas do seu ídolo, a Mell nem um pouco se parece com o caricato Jeca Tatu, o caipira do campo que era sinônimo de preguiça e atraso. “Se eu estou lendo um livro, eu estou dentro de um avião, indo para o México, para todos os cantos, ainda que esteja sentada. É uma coisa maravilhosa. A leitura é tudo. Sem ela nós não somos nada, somos fracassados. Por isso eu peço as doações, elas vão ajudar a minha comunidade, vão ajudar os analfabetos a aprender a ler”, afirmou Mell, com discurso de gente grande.

Apoio nacional – A ONG paulista “Um Pé de Biblioteca’ abraçou a causa e já assegurou a reforma do galpão. A entidade ajudará na doação de livros, mobiliário, treinamento para a gestão da biblioteca e suporte posterior a instalação.

“Estamos todos ainda sem acreditar na repercussão da campanha. Jamais poderemos agradecer tudo o que vocês têm feito pela Mell”, disse Alessandra Rocha, mãe da garota que sonha em montar numa biblioteca.

Associativismo e empreendedorismo – De fundamental importância para que um projeto passe a ter uma sólida expressão social, o associativismo relaciona-se, especialmente, ao conceito de ajuda mútua. Por meio dessa união é possível trabalhar com maior eficácia para que objetivos comuns sejam alcançados. E é com esse pensamento que a Confederação Nacional dos Jovens Empresários (Conaje), do qual a CJE faz parte, já pensa em expandir a ideia de incentivar a construção de, pelo menos, mais nove novas bibliotecas no Brasil.

O objetivo é levar para as comunidades tanto a estrutura de uma biblioteca, como a oportunidade de aproximar os jovens dos livros e, com isso, incentivar o hábito da leitura.

“Inclusive, na biblioteca da Mell nós vamos fazer uma seção de livros sobre empreendedorismo voltado para crianças, afinal, a Mell é uma grande empreendedora e precisamos incentivar que mais crianças possam seguir o exemplo dela. É por isso que a Conaje tem um projeto para tornar obrigatória a disciplina de empreendedorismo no currículo do ensino fundamental. Queremos que a garotada, desde pequena, aprenda esse conceito e use aquilo que ela tem a sua volta para evoluir, produzir e proporcionar uma vida melhor, tanto para si própria, quanto para a sociedade que vive ao seu redor”, explicou Rodrigo Oliveira, diretor de comunicação da Conaje.

As doações – Aos voluntários que querem ajudar na campanha, o site www.bibliotecadamell.com.br tem todas as informações que sobre doações e pontos de coleta, redes sociais, assim como detalhes a respeito do projeto, da ONG ‘Um Pé de Biblioteca’, da Conaje e da CJE, que são as entidades parceiras dessa ação.

E se você também é um apaixonado pelo mundo da leitura e pelas milhares de possibilidades que ele nos permite vivenciar, embarque com a gente nesse sonho. No livro, não existe nenhuma fronteira entre o real e o maravilhoso, o possível e o impossível. Ele, simplesmente, e de forma tão singular, permite-nos emergir num universo de fantasia e criatividade.

a menina mell

menina mell dois(Texto enviado pela ASCOM-CJE\AL)

Deixe o seu comentário