13 de dezembro de 2016 • 7:54 am

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A seca que se alastra no território alagoano e o pior é o que vem com ela

Previsão é de que cerca de 80% dos municípios vivam situação de emergência pela escassez de água. Pelo menos 40 decretos já foram publicados.

Por: Fátima Almeida
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Em Campo Alegre, a situação já é de emergência

Se 2016 foi um ano difícil para a economia alagoana, parcialmente sustentada na agricultura e pecuária, 2017 pode ser ainda pior, com os efeitos da longa estiagem que se alastra. As previsões meteorológicas não são nada boas para o ano que se aproxima. Estudo do Comitê Estadual de Combate aos Efeitos da Seca aponta para uma das piores secas das últimas décadas, atingindo mais de 80% do nosso território.

A situação é alarmante, segundo o meteorologista Vinícius Pinto, da Sala de Alerta da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh). Este ano choveu apenas 40% da média esperada. Em 40 municípios (quase a metade do estado) já foi decretada situação de emergência por causa da estiagem. E segundo levantamento do Comitê, divulgado nesta segunda-feira, outros 37 estão em situação crítica, e devem ter a emergência decretada, devido à seca – somando, aí, 77 municípios nessa situação.

E não é só uma questão de terra esturricada. Já falta água para o consumo doméstico. Os reservatórios de abastecimento estão com o sinal de alerta e muitos já entraram no vermelho. O colapso hídrico já é fato em ¼ dos municípios alagoanos, segundo a Casal, responsável pelo abastecimento de mais de 70% dos municípios alagoanos. Em algumas cidades, as torneiras só estão sendo abastecidas uma vez por semana, e com pouca vazão.

A solução passaria por obras, que infelizmente só são pensadas, na iminência do colapso. Na região de Palmeira dos Índios, por exemplo, onde os reservatórios do sistema Carangueja já atingiram níveis abaixo da possibilidade de captação, a solução passa pela construção de um sistema de transposição de água, que custa R$ 12 milhões. Dinheiro que a Casal não dispõe.

A situação é grave e exige o envolvimento de todos, como bem disse o presidente da Casal, engenheiro Clécio Falcão. É preciso correr para viabilizar recursos e obras, com a agilidade que não se teve até agora.

Porém, mais do que isso, é preciso parar de pensar na seca como uma situação emergencial, ou como uma indústria de voto onde o lucro é de quem chega com um caminhão-pipa ou um balde de água. A seca é previsível e reincidente na região do semiárido. E embora seja decorrente de um fenômeno que não se pode evitar, é possível – e necessário – pensar em medidas sólidas para minimizar seus efeitos, e não só de maneira curativa, mas, sobretudo, de forma preventiva.

Até porque as conseqüências de uma seca extrema não se limitam à falta d’água para matar a sede dos homens e dos animais no campo – o que já é um problema gravíssimo. Elas refletem em todos os setores: na mesa do agricultor, com a falta de condições de plantar e colher; no campo com a penúria do rebanho e as grandes perdas de safras agrícolas; na renda familiar, com a falta de produção; na economia do estado como um todo, com o desabastecimento, o desemprego, a falta de renda, o êxodo rural e outras conseqüências mais graves.

Tanto quanto chuva, é preciso sensibilidade e vontade política para encarar o problema, sem a cultura do paliativo, que apenas alivia a dor mas não cura a ferida.

 

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