14 de outubro de 2017 • 7:11 pm

Blogs » Fátima Almeida

Achado não é roubado? Pode ser que sim!

Saqueadores se apossam de cargas tombadas como se os produtos fossem mercadoria sem dono

Por: Fátima Almeida
Share on FacebookShare on Google+Tweet about this on TwitterEmail this to someone

Um acidente; um caminhão tombado, carregado de mercadorias; e dezenas de pessoas ao redor, em ação rápida, certeira. Ajuda às vítimas? Solidariedade? Mera curiosidade? Nada disso! Elas se agrupam numa ação criminosa para a qual costumamos fechar os olhos – sociedade e autoridades policiais – como se fosse a coisa mais natural do planeta. Num acidente com veículos transportadores de mercadorias, dezenas de pessoas correm, se atropelam, passam até por cima das vítimas, se for preciso, para apropriar-se do alheio; alguns até sem se dar conta que saquear é o mesmo que roubar; apoderar-se ilicitamente de algo que não lhe pertence.

A cena que se repete com frequência nas estradas do país foi registrada mais uma vez esta semana, impunemente , após um acidente com uma carreta num trecho alagoano (km 74) da BR 104, nas proximidades do município de Messias – (Fotos da PRF-AL). 

E a coisa parece tão comum que mobiliza famílias inteiras: pai, mãe, avô, filhos pequenos, vizinhos; numa farra que geralmente não para quando a polícia chega ao local – só quando não resta mais nada. É tudo escancarado, às vezes na frente de câmeras. Os saqueadores podem ser facilmente identificados, mas raramente alguém é preso por isso. E a mercadoria roubada pelos saqueadores – gêneros alimentícios, eletroeletrônicos; brinquedos; cigarros; refrigerantes; cervejas – quando não é para consumo próprio, acaba sendo comprada sem o menor pudor por comerciantes ou cidadãos comuns que arrotam conceitos morais e éticos e empunham a bandeira contra a corrupção.

 

Reflitamos: Essa mercadoria tem dono. Mesmo quando está no seguro, ela tem dono. Alguém vai ter que assumir o prejuízo. Apossar-se dela, é roubo! E nem mesmo toda pobreza pode justificar essa ação criminosa que envolve quem saqueia e quem recepta mercadoria roubada. A polícia e a sociedade não podem fechar os olhos a isso. É preciso reprimir, denunciar, punir os saqueadores, com base no Código Penal que em seu Art. 169 qualifica como crime: Apropriar-se, alguém, de coisa alheia vinda ao seu poder por erro, caso fortuito ou força da natureza. Pena – detenção de um mês a um ano ou multa.

 

E pensar que parte dessas pessoas grita por direitos, reclama da corrupção e proclama o velho discurso da ética – e saqueia cargas, emparelhando no mesmo discurso que diz, do político, “esse rouba, mas faz” a máxima de que “se eu não levar, alguém leva”.

 

Enfim, virou uma cultura tirar vantagem da desgraça alheia – mesmo diante de um motorista ferido no acidente, abalado emocionalmente, às vezes sentindo-se culpado e temendo perder o emprego, vendo sua carga sumir bem debaixo dos seus olhos, nada disso parece importar. O importante é levar vantagem.

 

De forma acelerada e lamentável, o brasileiro está perdendo a noção do absurdo; o discernimento entre o certo e o errado; os valores e prioridades estão se invertendo, talvez diante de tanta violência; tanta insensibilidade política, tanta roubalheira que tornam corriqueiros esses maus exemplos.

 

Responda, por favor. Aonde vamos parar?

Deixe o seu comentário