16 de junho de 2016 • 3:30 pm

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Acusado de receber dinheiro ilegal, Temer se irrita e chama delação de ‘leviana’

Presidente interino negou acusações e afirmou que não irá se calar. Oposição estuda pedir novo processo de impeachment.

Por: Da Redação
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Hylda Cavalcanti, da RBA

Brasília – O Palácio do Planalto sentiu, nas últimas horas, o peso das repercussões políticas sobre as informações repassadas em delação premiada pelo ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado, que envolvem o presidente interino, Michel Temer. Enquanto ontem (15) Temer divulgou apenas uma nota negando que tivesse se encontrado com Machado e recebido dinheiro de forma ilícita para campanhas políticas do esquema da Petrobras, conforme este afirmou na delação, hoje a avaliação do governo provisório foi de que essa resposta apenas não bastava.
Temer, que tinha escalado o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, para falar em seu nome, resolveu fazer um pronunciamento para refutar, ele próprio, as declarações. E disse que adotava tal postura “como homem e como presidente em exercício da República”.

Em sua delação premiada, divulgada ontem, Sérgio Machado afirmou que o presidente interino apoiou, em 2012, a eleição do candidato à prefeitura de São Paulo, Gabriel Chalita, e o procurou, na época, para pedir recursos oficiais para a campanha. Ele (Temer) teria recebido R$ 1,5 milhão liberado pela empresa Queiroz Galvão, como propina paga pela empreiteira no esquema da Petrobras.

Sérgio Machado disse, ainda, em sua delação: “O Temer sabia que o dinheiro era resultado de propina paga pelas empresas por conta de contratos envolvendo a Petrobras. Sabia que era obtido por meio ilícito”.

No pronunciamento, o interino afirmou que não vai deixar passar em branco “as acusações levianas do Sergio Machado” que, a seu ver, “quer conseguir benefícios para reduzir sua pena com a Justiça a qualquer custo”.

“A primeira afirmação que quero fazer aqui é que, como cidadão, enquanto alguns deixam passar em branco este assunto, eu não deixarei de registrar minha indignação, por achar que a leviandade não pode prevalecer. Por outro lado, como presidente da República em exercício, quero revelar a sobriedade de alguém que neste momento conduz os destinos do país e da minha responsabilidade de conduzir a missão que tenho com competência e empenho”, afirmou.

“É claro que uma coisa está muito ligada à outra. Alguém que tenha cometido aquele delito irresponsável que Machado apontou não teria condições de presidir o país, por isso que a primeira palavra que registro aqui é como homem, para poder andar nas ruas do meu  estado e do Brasil e poder receber as condutas e homenagens que tenho recebido. Não deixar prevalecer uma informação errada de que eu tenha praticado malfeitos”, disse ainda.

Mudanças

“Não posso admitir que um fato leviano como este embarace a atividade governamental, mas quero aqui registrar em alto e bom som que nada vai embaraçar nosso desejo, missão e tarefa”, disse Temer.

O pronunciamento do presidente interino, que agitou Brasília nesta quinta-feira, mudou agendas do Executivo, causou surpresa entre a imprensa e os parlamentares – que não estavam sabendo da iniciativa, foi decidida de última hora, após reunião entre Temer e seus ministros da área de articulação política, no início da manhã.

Segundo informações de bastidores repassadas por parlamentares do PMDB ligados ao Planalto, a avaliação desta reunião foi que o anúncio da medida que propõe a fixação de um teto para os gastos públicos, que o governo provisório esperava ver como grande trunfo e que tivesse ampla repercussão no país, terminou sendo abafado pelas acusações de Sérgio Machado em sua delação.

O caso teria levado, inclusive, à suspensão de um pronunciamento oficial que seria feito por Temer esta noite, em cadeia nacional de rádio e televisão, no qual ele pretendia fazer um balanço dos seus 30 dias de governo – que não tem mais data para ser realizado.

Informações contraditórias

Lideranças do PT e do PSOL na Câmara dos Deputados confirmaram que estão estudando toda a delação premiada de Machado para apresentar um novo pedido para abertura de processo de impeachment contra o presidente interino, com base nessas acusações. Um primeiro pedido já consta na Casa e tem como argumento a acusação de que, como vice-presidente de Dilma, Temer também assinou atos que levaram a pedaladas fiscais – mas o pedido ainda não foi avaliado pela mesa diretora.

A preocupação, entre os que integram a base de apoio a Temer no Congresso Nacional, por outro lado, se dá para com a questão da governabilidade do governo provisório, que pode chegar a um clima que leve à antecipação do movimento por eleições diretas – que tem sido articulado por alguns parlamentares e setores da sociedade civil – de forma mais rápida do que se discute. Isto, se vier a acontecer, pode reduzir ainda mais a gestão do presidente no Executivo, caso a presidenta Dilma Rousseff não retorne ao cargo.

O caso, como era de se esperar, além de ter provocado tumulto e discussões entre os senadores da comissão especial do impeachment, levou ao atraso do início da reunião da comissão nesta manhã, por conta da repercussão da fala do presidente em exercício e das denúncias feitas pelo ex-presidente da Transpetro.

 

 

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