20 de fevereiro de 2016 • 2:34 pm

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Aedes aegypti: Alagoas é o último do Nordeste em imóveis vistoriados

No país, estado ocupa a 20ª colocação, segundo informações do Ministério da Saúde. Paraíba e Piauí aparecem na dianteira nacional

Por: Fátima Almeida
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Alagoas ocupa o último lugar entre os estados do Nordeste e o 20º lugar no país, no ranking de imóveis visitados pela força-tarefa de combate ao mosquito Aedes aegypti, conforme foi divulgado nesta sexta-feira (19), pelo Ministério da Saúde. Das quase 891 mil unidades domiciliares, prédios públicos, comerciais e industriais existentes no estado, as equipes visitaram, até agora, pouco de 331 mil (37,2%).

Restam, ainda, mais de 500 mil unidades. Cerca de 70 mil constam como imóveis fechados ou recusados. Ou seja, as equipes estiveram no local, mas não conseguiram entrar.

Uma posição incômoda, sobretudo considerando que os três estados que mais avançaram nessa tarefa de visitação, estão no Nordeste – a Paraíba, com 90,5% dos imóveis trabalhados; o Piauí com 81,4%; e o estado de Sergipe, com 75,5%.

A media nacional, segundo dados divulgados pela Agência Saúde, está em 40,9%. Dos mais de 67 milhões de imóveis contabilizados em quase 4,4 mil municípios que estão sendo trabalhados, apenas 27,4 milhões tinham sido visitados pela força tarefa, até a última quarta-feira (17).

Resta, portanto, muito trabalho para as equipes que integram a força tarefa.

E não se pode falar em falta de envolvimento no trabalho de combate ao mosquito Aedes aegypti, principalmente no tocante ao poder público – vale reconhecer. Em Alagoas, assim como em vários estados brasileiros, um verdadeiro batalhão formado por agendes de saúde e de controle de endemias, defesa civil, instituições policiais locais e forças armadas, além de inúmeros órgãos que atuam nas mais diversas áreas do setor público, têm se envolvido, direta ou indiretamente, nas ações de combate ao mosquito.

Sem trégua, diga-se de passagem. Em Alagoas, até mesmo os reeducandos, nos presídios, foram envolvidos, esta semana, nessa tarefa em defesa da vida. Graças a uma parceria entre a Secretaria de Estado da Ressocialização e Inclusão Social (Seris) e a Prefeitura de Maceió, eles receberam orientações de agentes de saúde e foram mobilizados para atuar no combate ao mosquito.

Detentos também vão atuar no combate ao mosquito dentro dos presídios (Foto: Jorge Santos/Secom-AL)

Detentos também vão atuar no combate ao mosquito dentro dos presídios (Foto: Jorge Santos/Secom-AL)

A expectativa é de que detentos que receberam as orientações, não só atuem eliminando os focos do mosquito, mas também multipliquem esses conhecimentos dentro do sistema prisional e entre os familiares, durante as visitas.

Lógico que nem tudo sai perfeito como planejado. Esse efeito multiplicador pode não vingar, mas serve para confirmar que o trabalho vem sendo feito em todas as possibilidades.

Mas falta, ainda, comprometimento da sociedade para reforçar o plano de combate à proliferação do mosquito vetor de doenças que têm tirado o sossego das famílias e da saúde pública. Com a dengue, a chikungunya e o virus da Zika multiplicando vítimas e gerando situação de calamidade na saúde pública e tudo o que se tem divulgado sobre isso, fica difícil acreditar que haja, a essa altura, uma só pessoa em sã consciência, que não tenha conhecimento sobre os riscos da proliferação do mosquito e das doenças por ele transmitidas. E de como fazer eliminar os criadouros e evitar a sua proliferação.

Os números revelam essa falta de compromisso. Sobretudo quando se trata de domicílios fechados e de recusas à entrada dos agentes de combate ao mosquito.

Veja o quadro divulgado pela Agência Saúde:

UF Total de imóveis Municípios com visitas Total de imóveis visitados % de imóveis visitados Total de imóveis fechados e recusados
Total 67.097.881 4.462 27.444.575 40,90% 6.264.191
PB 1.177.843 220 1.066.195 90,52% 203.445
PI 841.957 218 685.637 81,43% 57.429
SE 611.386 73 462.022 75,57% 127.843
AP 193.300 11 132.365 68,48% 9.366
MG 7.189.307 831 4.869.123 67,73% 1.057.910
MS 892.480 65 585.351 65,59% 106.299
RO 474.400 52 311.046 65,57% 22.744
CE 2.495.573 183 1.450.369 58,12% 107.837
DF 930.622 1 523.818 56,29% 59.643
PE 2.833.053 119 1.526.914 53,90% 372.251
RJ 6.738.009 89 3.449.608 51,20% 755.187
MT 1.047.747 124 515.498 49,20% 44.961
RN 1.030.466 166 506.268 49,13% 113.775
MA 1.477.966 171 692.011 46,82% 56.231
BA 4.440.393 368 1.953.197 43,99% 434.096
TO 447.460 53 194.359 43,44% 44.251
AM 886.361 50 366.354 41,33% 13.796
GO 2.343.397 245 952.223 40,63% 298.449
ES 1.348.991 68 509.667 37,78% 165.921
AL 890.930 99 331.437 37,20% 74.992
PA 1.840.433 105 614.023 33,36% 130.207
AC 213.679 11 66.155 30,96% 5.621
RR 135.171 14 39.921 29,53% 8.794
SP 16.328.957 598 4.303.381 26,35% 1.733.957
PR 3.734.729 328 968.200 25,92% 168.932
SC 2.416.910 28 220.451 9,12% 59.094
RS 4.136.361 172 148.982 3,60% 31.160

ENTRADA FORÇADA

Vale lembrar que a melhor forma de combater o Aedes aegypti é não deixar o mosquito nascer. Por isso, o governo federal convocou um esforço nacional para que todas as casas do país sejam visitadas para eliminação dos criadouros.

Desde o dia 13 de fevereiro, as equipes de saúde contam com apoio de militares das Forças Armadas para as ações de combate ao mosquito, e desde o dia 1º, está autorizada a entrada forçada desses agentes em imóveis públicos ou particulares que estejam abandonados ou fechados, caso não haja ninguém para permitir o acesso, após duas notificações realizadas num prazo de dez dias.

É uma questão se saúde pública.

Portanto, cumpra-se!

 

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