20 de agosto de 2015 • 5:55 pm

Política

Agora é processo: Collor e Cunha denunciados como corruptos no STF

Collor e Cunha foram denunciados como envolvidos no esquema de corrupção da Lava Jato.

Por: Marcelo Firmino
Share on FacebookShare on Google+Tweet about this on TwitterEmail this to someone

A Procuradoria-Geral da República (PGR) protocolou, no início da tarde desta quinta-feira, 20,  denúncias no Supremo Tribunal Federal (STF) contra o presidente da Câmara,  Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e o senador Fernando Collor (PTB-AL) por envolvimento no esquema de desvios na Petrobras desarticulado pela Operação Lava Jato.

De acordo com a petição, ambos responderão pelos crimes de lavagem de dinheiro, corrupção e por integrar organização criminosa. Apesar do pedido do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, Cunha e Collor só serão considerados réus se os ministros do Supremo aceitarem a denúncia,  protocolada às 15h40, segundo o STF.

A PGR não pediu o afastamento preventivo de Cunha. Janot sugeriu que o peemedebista seja condenado a ressarcir os cofres públicos em US$ 80 milhões por danos causados à Petrobras e à administração pública.

Segundo a denúncia, o presidente da Câmara recebeu vantagens indevidas para facilitar e viabilizar a contratação do estaleiro Samsung, responsável pela construção dos navios-sondas Petrobras 10000 e Vitoria 10000, sem licitação, por meio de contratos firmados em 2006 e 2007. A intermediação foi feita por Fernando Soares, conhecido como Fernando Baiano, apontado como operador do PMDB ligado à Diretoria Internacional da Petrobras. A propina foi oferecida, prometida e paga por Júlio Camargo, de acordo com a PGR.

O procurador-geral explica que, para dar aparência lícita à movimentação das propinas acertadas, foram celebrados dois contratos de “comissionamento” entre a Samsung e a empresa Piemonte, de Júlio Camargo. A propina foi paga a partir destas comissões, pelas informações da PGR.

Por causa dos contratos, a Samsung transferiu, em cinco parcelas pagas no exterior, a quantia total de US$ 40,355 milhões para Júlio Camargo, que, em seguida repassou, a partir da conta mantida em nome da off shore Piemonte, no Uruguai, parte destes valores para outras contas no exterior. Estas contas foram indicadas por Fernando Soares. De acordo com a denúncia, Cunha recebeu sua parte a partir dessas contas no exterior, controladas por Fernando Baiano.

Cunha passou a ser investigado após o doleiro Alberto Youssef revelar, no curso das investigações da Lava Jato, que o parlamentar recebeu pagamentos do lobista Júlio Camargo, ex-consultor da Toyo Setal, para manutenção de contratos de aluguel de navios-sonda com a Petrobras.

Deixe o seu comentário