21 de Abril de 2017 • 11:10 am

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Ainda sobre a Baleia Azul: Só um alerta a mais!!!

Não é só uma baleia. É um oceano inteiro, desconhecido e perigoso, em que deixamos nossos filhos mergulhar sem medir a dimensão das tempestades que eles poderão encontrar. Muitos não conseguem emergir.

Por: Fátima Almeida
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Reprodução – Internet

As tragédias anunciadas como consequências do perigoso jogo da moda, que pode levar ao suicídio, nos fazem refletir e trazem à lembrança cenas da nossa adolescência e início de juventude. Tínhamos jogos interessantes em que compartilhávamos as mesmas regras e tabuleiros com amigos; tempo em que o nosso mundo era um sonho, sem muitas preocupações, além da explicação a ser dada pela nota baixa no boletim (isso mesmo: boletim escolar! Lembram dele?).

Eram tempos em que corríamos de casa em casa, tomávamos água de torneira, e em que ‘roubar’ bandeira era só uma brincadeira, um desafio de conquistas, em que as regras eram iguais para todos e ninguém se sentia usurpado ou lesado. E nossos melhores amigos eram os primos, os vizinhos, os colegas de escola.

Tempos em que não tínhamos tempo de pensar em morte, porque estávamos muito ocupados em sermos felizes e compartilhar alegrias. Na vida real. 

Hoje a adolescência é a essência da inércia (salvo pequenas exceções) – e do egoísmo também, de ambos os lados. Trancados no mundo próprio e sombrio durante a maior parte do dia e da noite, os adolescentes vagam pela casa nas madrugadas a procura de alimentos – gostam desses hábitos noturnos, provavelmente para não cruzar com os pais e ter que encarar perguntas em um diálogo real.

Por outro lado, os pais parecem fechar os olhos para não entender que, embora evitem perguntas e respostas, esses adolescentes clamam por socorro, num grito tão alto que os decibéis não deixam nossos ouvidos escutar – ou porque não queremos escutar. No nosso mundinho profissional, vamos, de forma célere, virtualizando a amizade com nossos filhos.

Foi preciso o grito da baleia para prestarmos atenção na existência de erros que estão acontecendo há muito tempo, dentro da nossa própria casa. E percebermos que precisamos remediar e cuidar da prevenção. Independente do título do jogo – ou se joga algum jogo – nossos jovens estão morrendo por suicídio e depressão e não têm com quem desabafar.

A tal “Baleia Azul” foi apenas a gota d’água que faltava em um poço que transborda solidão. E esse transbordamento em forma de tragédias nos traz o alerta: Precisamos estar mais perto dos nossos filhos de forma real, persistente e participativa – e não deixar que as mensagens dos desconhecidos ‘amigos’ virtuais – que os cercam por diversos canais das chamadas redes sociais – substituam nossos conselhos e afagos.

Afinal, não é só uma baleia. É um oceano inteiro, profundo, desconhecido e perigoso, em que deixamos nossos filhos mergulhar sem medir a dimensão das tempestades e monstros que eles poderão encontrar. E nem se estão preparados para isso.

Na solidão desse oceano, muitos submergem e não conseguem mais emergir.

  • Texto de Armando Durval

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