25 de junho de 2015 • 10:48 am

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Alagoas dos contrastes. Chuva e sol provocam situações de alerta e emergência

Na capital, a chuva provoca transtornos deste terça-feira. No interior, a seca provoca situação de emergência em 38 municípios

Por: Fátima Almeida
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Enquanto na Capital, o volume de chuva que caiu nas últimas 48 horas deixou a Coordenadoria Municipal de Defesa Civil (Comdec) em alerta e provocou estragos, no interior do Estado, 38 municípios tiveram decretada situação de emergência, nesta quinta-feira (25), por causa da seca. Nas duas situações, transtornos e prejuízos, sobretudo para a população de baixa renda.

Em Maceió, vários chamados de todos os bairros movimentaram a Defesa Civil nas últimas horas, por causa da chuva. Durante a madrugada desta quinta-feira, uma casa desabou no bairro do Mutange. Não houve vítimas, segundo a Comdec. Também foram registrados deslizamentos de barreira em vários bairros, entre eles o Mutange e  o Feitosa. Em algumas localidades, moradores e comerciantes amanheceram cercados pela água e tentando minimizar prejuízos. Unidades prestadoras de serviços públicos, como postos de saúde e algumas escolas também ficaram alagadas. Desde a última terça-feira, chove intensamente na capital alagoana.

Em entrevista, o coordenador de Defesa Civil Municipal, Dinário Lemos, disse que a Comdec continua monitorando áreas de risco e permanece em alerta, pronta para atender aos chamados que chegam pelo 0800 030 6205 ou pelo 193, do Corpo de Bombeiros.

ESTIAGEM PROLONGADA

No interior do Estado, a situação é diferente. Mais de um terço dos municípios alagoanos vive as agrúrias da longa estiagem que há pelo menos seis meses afeta a região do semi-árido, segundo relatório da Coordenação Estadual da Defesa Civil (Cedec). Por causa da seca, o governador Renan Filho (PMDB) decretou situação de emergência em 38 municípios, nesta quinta-feira.

Os prejuízos são traduzidos em perdas significativas na lavoura e na pecuária e falta de água para consumo e serviços.

Estão em situação de emergência os municípios de Água Branca, Arapiraca, Batalha, Belo Monte, Cacimbinhas, Canapi, Carneiros, Craíbas, Coité do Nóia, Delmiro Gouveia, Dois Riachos, Estrela de Alagoas, Girau do Ponciano, Inhapi, Igaci, Jacaré dos Homens, Jaramataia, Lagoa da Canoa, Major Izidoro, Maravilha, Mata Grande, Minador do Negrão, Monteirópolis, Olho D’Água das Flores, Olho D’Água do Casado, Olivença, Ouro Branco, Palestina, Palmeira dos Índios, Pão de Açúcar, Pariconha, Piranhas, Poço das Trincheiras, Quebrangulo, Santana do Ipanema, São José da Tapera, Senador Rui Palmeira e Traipu.

FALTA PREVENÇÃO

Nos dois casos – na chuva ou na seca – faltam ações de governo para minimizar os prejuízos causados à população. Lógico que não se pode fazer cair ou cessar a chuva com medidas administrativas. Trata-se de um fenômeno natural.  Mas o poder público pode – e deve – se debruçar com mais afinco sobre medidas preventivas para neutralizar ou minimizar seus efeitos. Limpar galerias e canais e manter esse serviço diuturnamente em ordem reduziria os alagamentos; combater a ocupação de morros e mananciais, com a oferta de moradia digna para essas famílias e o monitoramento intenso para evitar a ocupação desenfreada dessas áreas de risco, reduziria deslizamentos e desabamentos; investir em alternativas de tratamento e reservatório de água para utilização a longo prazo, reduziria os efeitos nefastos da longa estiagem no semi-árido.

Alternativas existem, e muitas. Algumas até são executadas, aqui e alí, mas longe – muito longe – de alcançar a dimensão dos problemas que se repetem todos os anos. Assim, esses fenômenos continuam gerando desastres, sofrimento e dependência da população.

E as migalhas dos políticos ‘socorristas’ continuam gerando votos na seca e ou na cheia.

É assim…

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