8 de outubro de 2016 • 8:54 am

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Alagoas, ‘o paraíso do crime’, segundo Gilmar, e os construtores do bem

Todos se dizem do bem, éticos, tementes a Deus e construtores do progresso alagoano.

Por: Marcelo Firmino
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Ainda ressoam – e cortam como navalha na carne – as palavras do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, sobre o Estado de Alagoas “ser o paraíso dos crimes de mando”. Ao dizer que quando veio aqui em um mutirão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e encontrou 5 mil homicídios sem inquéritos abertos, ele expôs aquilo que todo alagoano nas esquinas, nos bares e bancos de praça comentam na surdina.

Ninguém ousa reverberar por temer o sistema. É público e notório que nas bandas de cá, a justiça só funciona para os pobres, pretos e aqueles que não dispõem de recursos para pagar advogados, cada vez mais caros.

Gilmar Mendes toca em uma ferida que incomoda. Não aos que matam ou aos que terceirizam o crime, os mandantes. Mas, a gente simples do lugar cujo povo, em sua maioria é de paz, mas se vê atingido pela bombástica declaração do ministro do STF.

Quando Mendes esteve aqui, quem governava Alagoas era o PSDB. Os índices de violência eram os mais altos do mundo. O governador era Teotônio Vilela Filho que pode até ser acusado de não ter se preocupado com a cultura de paz no Estado. Mas, na verdade, tudo isso vem muito antes dele e com a devida conivência das instituições responsáveis.

Isso por que as autoridades – e de todos os poderes – estão sempre nos mesmos ambientes dos que alimentam esse sistema da violência. Eles se visitam, degustam juntos bons vinhos, operam juntos na mesma rede bancária e costumam atuar juntos nas eleições. Eles comemoram a cada “bandido” que tomba na grota, na favela ou é carbonizado em algum canavial. E longe de condenar quando um magistrado é flagrado no mal feito e a punição que recebe é a gorda aposentadoria, doutor Gilmar. O senhor, portanto, é partícipe disso.

Ainda assim, todos se dizem do bem, éticos, tementes a Deus e construtores do progresso alagoano.

E quem há de duvidar?

 

 

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