5 de maio de 2017 • 11:02 am

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Amansando o leão: Devo, não nego, pago como quiser!

Negociação do Governo com a bancada ruralista reforça privilégios e manda a conta para o povo

Por: Fátima Almeida
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Ilustração / Reprodução Internet

Mais um arrumadinho se arruma (desculpem a redundância!). O Governo Federal já tem a artilharia para mais uma ofensiva na conquista da reforma da Previdência, ampliando o campo de defesa com a distribuição de ‘benefícios’ – digamos assim – a empresas e produtores rurais endividados com o Fisco. Com a bancada ruralista na mesa, a negociata se aprimora em mais uma vertente.

A ideia tomou força com a aprovação, nesta semana, pela Comissão mista do Congresso, de mudanças significativas no novo programa de regularização de débitos fiscais proposto pelo presidente Temer, beneficiando esses devedores como a ampliação do prazo de parcelamento da dívida, de 10 para 20 anos; uns descontinhos nas multas e juros, que podem chegar a 90% e a retirada da multa prevista nos casos que forem levados ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), a quem esses devedores recorrem quando discordam de autuações do Fisco.

A negociação inclui a possibilidade de parcelamento de R$ 26 bilhões (R$ 26 bilhões) em dívidas com o Funrural. Até mesmo empresas em recuperação judicial poderão parcelar seus débitos.

Um ‘alento’ para o povo trabalhador desse país, que acabou de prestar contas com o Fisco, na declaração anual do Imposto de Renda, e não teve escapatória contra as garras do leão, cada vez mais faminto (talvez porque os protegidos do governo têm suas dívidas perdoadas em transações como essa).

Precisando de 308 votos para aprovar a reforma na Câmara, o governo foi colocado contra a parede pela bancada ruralista, e percebeu que, no galinheiro, não adianta cantar de galo se não tiver poleiro para lhe dar sustentação. Nesse caso, ou cede ao arrumadinho proposto, ou terá 54 votos contrários às suas propostas de reforma.

E como no processo eleitoral, onde o voto oscila, como cara e coroa, entre instrumento de mudança e moeda de troca, fica combinado assim: Tu votas a favor, eu te perdôo as dívidas e o povo paga a conta!

Como disse um dos delatores da lava jato: “O importante é que a farra continue”

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