30 de junho de 2015 • 10:06 am

Cotidiano

Artigo: O index Verbis Prohibitorum ou a trama diabólica da ideologia de gênero

A histeria coletiva que rapidamente alastrou-se na sociedade alagoana: pais e mães apavorados, professores amedrontados.

Por: Da Redação
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Por Pedro Montenegro

 

generosA controvertida polêmica em torno da suposta “ideologia de gênero”, que seria introduzida nas escolas como parte de uma trama comunista e diabólica patrocinada pelo Governo Federal para destruição das famílias, da moral e dos bons costumes, teve de tudo:

O antológico pronunciamento na Casa de Tavares Bastos “solidamente” baseado em uma notícia falsa, dessas que circulam aos borbotões nas redes sociais, os populares fakes.  O fake “noticiava” que na Escola Municipal Doutor Belzebu (atentem para o nome da escola), após a implantação da ideologia de gênero, um servente de pedreiro conhecido pelo nome de Gonçalo, matriculado no curso supletivo declarou no formulário de matrícula ser gay e por isso reivindicava o direito de frequentar o banheiro feminino. Se o incauto parlamentar se desse ao cuidado de ao menos observar o nome da escola, Doutor Belzebu, saberia obviamente trata-se de uma brincadeira, afinal não parece crível designar uma escola com o nome do príncipe dos demônios.

A grosseira e criminosa falsificação das cartilhas com conteúdo pornográfico infantil, atribuídas ao Governo Federal, disseminadas nas redes sociais. Cartilhas que seriam supostamente utilizadas para a formação dos professores na implantação da tal “ideologia de gênero” na rede de ensino.

A histeria coletiva que rapidamente alastrou-se na sociedade alagoana: pais e mães apavorados, professores amedrontados, diretores em pânico, proprietários de escolas apreensivos e religiosos em desespero.

Os altares das celebrações das missas e dos cultos dominicais, com exortações veementes e virulentas contra a tentativa demoníaca de destruir os lares das famílias alagoanas com a implantação da “ideologia de gênero”, inclusive com a menção expressa para que não se votasse nos candidatos e nos partidos que apoiassem a “ideologia de gênero”.

Os oportunistas de sempre ou na expressão lapidar dos evangelhos aqueles que vêm “vestidos com peles de ovelha, mas por dentro são lobos ferozes”, ávidos por amealhar prestigio, poder e votos, amplificaram a histeria, distorcendo cada vez mais absurdamente os fatos.

Até mesmo, pasmem os leitores, membros insignes do Ministério Público Estadual, essa instituição vital de defesa e proteção dos direitos fundamentais, foram capturados por essa onda de irracionalidade e passaram a expedir recomendações para que nos Planos Municipais de Educação de diversos municípios alagoanos fossem banidas as expressões: identidade de gênero, orientação sexual, diversidade sexual, equidade de gênero e outras expressões similares.

Não há como não perceber a bizarra semelhança, ainda que anticrônica, entre essas recomendações dos representantes do parquet e o Index Librorum Prohibitorum, que na tradução livre: o Índice dos Livros Proibidos, a lista de publicações literárias que passaram a ser proibidas pelo Santo Ofício no longínquo século XVI. Será a maldição do eterno retorno a que magistralmente se referiu o filosofo alemão Friedrich Nietzsche? Caberá o Ministério Público o papel do Santo Ofício da contemporaneidade, criando o Index Verbis Prohibitorum?

Advogado e Consultor em Políticas de Direitos Humanos. 

1 Comentário

  1. Leonardo Dias disse:

    Quanta falsidade intelectual…! O mundo inteiro lutando contra a Ideologia de Gênero e o povo ainda querendo dizer que isso não existe! Ora, se não existe, porque simplesmente não se tira qualquer referência a gênero dos Planos?

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