16 de Maio de 2015 • 8:17 am

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As manchas da violência na policia militar que o tempo não vai apagar

Davi, Izabelle e Joab são casos emblemáticos de operações militares às avessas. São manchas que colam e não largam fáceis da imagem alagoana.

Por: Marcelo Firmino
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Um discurso na direção do “bandido bom é bandido morto” feito pelo Secretário de Defesa Social, Alfredo Gaspar, logo no inicio do governo Renan Filho (PMDB) ecoou como uma mensagem de liberdade na cabeça de muita gente, dentro da estrutura de segurança oficial e alguns entenderam que na missão é permitido agir ao arrepio da lei.

As palavras do secretário foram de que entre um policial e um bandido ele prefere um milhão de bandidos mortos. O ideal seria que a lei e a justiça funcionassem de fato e ninguém precisasse ser morto pela violência. Mas, claro que em se tratando de confronto entre um criminoso e um agente da lei, que viva o agente.

Mas o caso do agente penitenciário Joab Nascimento Araújo Júnior, 30 anos, assassinado em um bar após uma batida de um batalhão da Polícia Militar, mancha tudo. Desde a abordagem, passando pelo disparo, até a condução do jovem profissional concursado à Unidade de Emergência, quando deu entrada como indigente. É assim que a lei deve trabalhar? Tombou um cidadão e não um bandido. E agora?

E essa mancha remete a outras recentes no currículo das operações policiais que o tempo não vai apagar.

Uma delas é o caso do adolescente Davi. Um jovem que desapareceu no conjunto Cidade Sorriso, após ter sido abordado por militares. Era agosto de 2014 e até hoje não se tem notícia dele.

Na operação, segundo as testemunhas estavam três policiais homens mais uma mulher policial.

A mancha aumentou quando poucos dias depois do desaparecimento de Davi, a soldado Izabelle, da própria PM, é metralhada dentro de uma viatura policial. Foi atingida com 17 tiros.

É por essas e outras, assim como pela matança de jovens e negros nesta terra – com o rótulo de bandidos – que nesta segunda-feira desembarca em Maceió CPI da Câmara dos Deputados que investiga exatamente a violência contra negros pobres brasileiros.

Para imagem de uma terra que é vista como a mais violenta do País, isso não é nada bom.

Ou será que há gente achando que é?

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