31 de agosto de 2015 • 3:09 pm

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Atraso salarial: um filme que não vale a pena ver de novo

Governo do Estado e Prefeitura de Maceió falam a mesma linguagem sobre as dificuldades de manter a folha em dia.

Por: Fátima Almeida
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Primeiro foi o governador Renan Filho, que na semana passada admitiu a possibilidade de atraso ou parcelamento no pagamento dos salários dos servidores públicos estaduais, caso se agrave a situação do Estado, diante da famigerada crise que assola o País e seus entes federativos.

Terrorismo? Não diria tanto; a crise é real. Mas admitir a possibilidade de atrasar salários num momento em que ainda pendem as negociações salariais de 2015, parece uma estratégia para tentar afrouxar as reivindicações dos servidores, que até agora amargam a dificuldade de garantir pelo menos a reposição da inflação nos índices de maio, data-base das categorias funcionais do Estado.

Mesmo sem acordo, à revelia dos servidores, o Governo tenta aprovar o reajuste na Assembleia Legislativa – e provavelmente vai conseguir – em índices abaixo da inflação e em suaves e espaçosas parcelas. E enquanto o Estado chora suas lamúrias, alegando falta de recursos, as categorias resistem, lamentam as perdas nos salários e exigem reposição. É o mínimo que o trabalhador espera numa negociação salarial. É o mínimo que o governo deveria oferecer.

Agora vem também o prefeito Rui Palmeira, com o mesmo discurso do atraso e do parcelamento prováveis. E aponta, já para o próximo mês, o condicionamento da manutenção dos salários em dia e do pagamento integral ao resultado da arrecadação de tributos e ao repasse do FPM do município durante o mês de setembro. E alega queda em todas essas receitas, nos últimos dois meses. Isso pode inviabilizar a folha.

No caso da Prefeitura, a leitura é diferente. Admitir essa possibilidade não é mera estratégia, porque o acordo salarial dos servidores do município já foi fechado e está em vigor.

De uma forma ou de outra, as possibilidades de atrasos e parcelamentos nos salários dos servidores, admitidas pelos gestores do Estado e do município de Maceió, cria um clima de apreensão. Não só no serviço público, mas em todos os setores da economia cuja sobrevivência está intrinsecamente ligada à circulação do dinheiro movimentado pelo serviço público no pagamento de salários, pensões e proventos. O Comércio que o diga.

Esse filme já foi visto. E as lembranças do enredo estão bem ali, há pouco mais de duas décadas.

A ninguém interessa vê-lo de novo.

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