2 de Janeiro de 2017 • 9:19 am

Maceió

Aumento de subsídios dos vereadores para bancar ‘projetos sociais’! Pode?

Institutos, fundações e entidades diversas se transformaram em empresas para negociação de votos.

Por: Marcelo Firmino
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Soou mal e foi profundamente infeliz o argumento do presidente da Câmara Municipal de Maceió, Kelmann Vieira (PSDB) para justificar o aumento de salários que os vereadores aprovaram para eles mesmos, no último dia útil do ano que passou.

Ao dizer “nós vivemos nas comunidades e custeamos projetos sociais através dos nossos salários”, o vereador apenas reforça a tese de que o Parlamento hoje nada mais é do que um apêndice do Executivo. Faz o que o governo quer e a cada legislatura se torna pior, porque praticamente não existe mais oposição nas casas legislativas. Aliás, as matérias votadas no fim de ano, a toque de caixa, deixaram bem claro essa situação.

Câmara: aumento no apaagar da luzes.

Ademais, o vereador demonstra ainda que, no fundo, o que existe é o completo disvirtuamento do papel intrínseco do representante do povo eleito nas urnas, que deveria ser fiscalizar as ações do Poder Executivo e dele cobrar as promessas feitas ao longo das sucessivas campanhas eleitorais.

Nada disso. Não há cobrança. Quando há é para a melhoria do próprio ‘status quo’ de cada integrante do Poder que apoia o Executivo em plenário e fora dele.

“Os projetos sociais”, na verdade, são fábricas de votos que se utilizam de verbas públicas para autosustentação. Não é por outra razão que, praticamente, quase todos os vereadores têm um instituto, uma fundação, enfim, uma entidade, que se enriquece de subvenções, verbas dos SUS, da Assistência Social, entre outras, e se constituem em fator multiplicador de votos em cada eleição.

Do próprio bolso é só para inglês ver. E ainda que fosse não seria, portanto, razão para os aumentos dos próprios salários ou subsidios diante da chorada crise que os poderes têm entoado pelo Brasil afora.

O fato é que eleição virou um grande negócio e os institutos e fundações dos parlamentares, em todos os níveis, se transformaram em grandes empresas abastecidas pelo Executivo para garantir a compra dos votos a cada processo eleitoral.

Tudo isso assim, às claras.

 

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