27 de dezembro de 2016 • 2:44 am

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Barreiras ao trabalho da imprensa? O que teme a assessoria de Temer?

Varios jornalistas são barrados no credenciamento para cobertura da visita presidencial ao Estado

Por: Fátima Almeida
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Não é conversa de poucos. A dificuldade imposta pelo cerimonial do Presidente Temer para o credenciamento da imprensa está inviabilizando a participação de muitos jornalistas na cobertura da sua passagem por Alagoas, na manhã desta terça-feira (28). A reclamação é geral.

O assunto ocupou e dominou as redações durante todo o dia de ontem e causou enormes transtornos a profissionais e veículos de comunicação. Poucos conseguiram ter o cadastro aprovado.

Coisa estranha! Há uma constatação geral de que nunca, em nenhuma outra cobertura presidencial, enfrentou-se tanto óbice ao trabalho da imprensa, a começar por um cansativo formulário que mais ‘parece recrutamento para o exército americano’, como comparou um colega.

Dizem que até cópia de contrato de trabalho com firma reconhecida em cartório foi exigido – e recusado.

Detalhe: muitos jornalistas trabalham como autônomos, em seus próprios sites e blogs, ou são contratados como ‘freelance’, por veículos de fora, interessados em coberturas especiais como esta.

Pelos motivos mais absurdos e incompreensíveis, e mesmo após gastarem horas preenchendo informações, trocando fotos, aguardando avaliação de perfil, remetendo documentos solicitados, profissionais referenciados na cobertura política, como Carla Serqueira, da Gazeta de Alagoas; Carlos Madeiro correspondente de UOL; Odilon Rios (Repórter Alagoas) e outros tantos, foram barrados (será mesmo esta a palavra?)

O termo ‘Censurado’ carimbou protestos de profissionais nas redes sociais. “Sou jornalista profissional há 15 anos. Tenho oito anos, quase, de UOL. Por lá cobri Copa do Mundo, incontáveis visitas de Lula e Dilma; cobri sessões no Senado e na Câmara. Hoje, pela primeira vez na vida, tive um credenciamento barrado”, reclamou o jornalista Carlos Madeiro, em seu perfil, no Facebook.

Não se trata apenas da exigência de credenciamento com critérios rígidos de segurança. Isso é compreensível em se tratando de um presidente da República. Mas a impressão que se tem é que, de fato, houve a intenção de se dificultar o trabalho da imprensa.

(Será que dificultar, nesse caso, é sinônimo de não querer por perto o incômodo de alguns questionamentos)?

Há de pensar, o cidadão brasileiro: O que essa gente tem a temer?

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