27 de novembro de 2015 • 10:44 am

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Batalha contra Aedes aegypti: Agentes de saúde vão a campo desarmados

Faltam equipamentos de proteção, larvicida e até fardamento e crachá para garantir trabalho de combate ao mosquito

Por: Fátima Almeida
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Fardamento é fundamental para garantir acesso às residências (Foto Secom Maceió)

Fardamento é fundamental para garantir acesso às residências (Foto Secom Maceió)

Em meio à polêmica sobre a proliferação do mosquito Aedes aegypti e sua relação com a multiplicação de casos de microcefalia no Nordeste, uma notícia divulgada esta semana causou espanto: há três meses os municípios não vinham recebendo o larvicida fornecido pelo Ministério da Saúde, para tratar os focos e matar as larva do mosquito no seu nascedouro.

Um problema alfandegário, que dificultou a entrada do inceticida, comprado no exterior, alega o Ministério da Saúde. Esta semana a distribuição do veneno foi retomada, assegurou a Secretaria de Estado da Saúde.

Mas causou igual espanto a situação denunciada pelo Sindicato dos Agentes de Saúde de Alagoas. No município de Maceió, esses agentes não têm sequer os instrumentos de identificação (fardamento e crachá) para facilitar o acesso aos imóveis no trabalho de combate ao mosquito. As fardas desbotaram ao ponto de perder a logomarca, o que foi confirmado pela própria Secretaria Municipal de Saúde. Faltam também equipamentos de proteção individual.

Como esses agentes vão realizar seu trabalho? Como entrar num terreno baldio, cheio de entulhos, para chegar aos criatórios, sem uma bota? Como entrar num imóvel sem um crachá ou fardamento que lhe confirme a identidade de agente de saúde? E se conseguir superar esses problemas e encontrar o criatório do mosquito, como eliminá-lo sem o larvicida?

Aedes-aegyptiProblemas, problemas e problemas.

O Aedes é responsável pela transmissão da dengue, da chikungunya e da zika, e o aumento no número de casos dessas doenças refletem os resultados desse descuido. Pior que isso, as notícias de que o os casos de microcefalia estão associados à presença do zika vírus no organismo da gestante, superdimensionan as consequências dessa situação e exigem regime de urgência urgentíssima para garantir, mais do que nunca, o trabalho de combate ao vetor.

Na situação atual, o Aedes está vencendo todas as batalhas.

Como diria meu amigo jornalista Carlos Nealdo, dá até para ouvir a gargalhada do mosquito.

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