30 de Abril de 2017 • 1:00 pm

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Belchior partiu, reto, repleto e presente infinitamente

Mais que um compositor, ele foi um filósofo do século XX

Por: Marcelo Firmino
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Difícil encontrar uma pessoa da minha geração, com ouvidos abertos à boa música, que não tenha cantado a plenos pulmões, “eu sou apenas um rapaz, latino ameicano sem dinheiro no bolso”. Que não tenha soltado a voz com sentimento na poesia e na melodia do grande Belchior, um cearense arretado que marcou época com grandes canções na déacada de 80.

Belchior: marcou época

A vida calou a voz de Belchior e ele partiu. Aos 71 anos. O sentimento é de perda mesmo. “Nossos ídolos ainda são os mesmos e as aparências não enganam não…”

Belchior foi mais que um ídolo. Foi um filósofo a serviço da Música Popular Brasileira. Agora, mais do que nunca, é eterno. Nos embalou em momentos duros dizendo-nos que por mais que vivamos e façamos “ainda somos os mesmos, como nossos pais”.

Pois é. Partiu Belchior. Ele viveu sua “alucinação” e quem sabe agora, com sua ‘velha roupa colorida’, estar a viver em outro plano seu intenso ‘coração selvagem’.

Aqui fico triste, mas ao mesmo tempo encantado pela magia e beleza das composições de Belchior. Hinos da minha juventude.

Poesia direta, concreta, que torna o Belchior presente, infinitamente.

Objeto direto (Belchior)

Eu quero meu corpo bem livro do peso inútil da alma
Quero a violência calma de humanamente amar
Eu quero quebrar o quebranto do permitido e do proibido
E nego o que nega os sentidos direito e dom de gozar
A verdade está no vinho “In vino veritas”
Que me faz gauche, anjo torto
Que retempera o meu corpo nos pecados capitais
Pois a pedra no sapato de quem vive em linha reta
É a sentença concreta
Viver e brincar e pensar tanto faz
Substantivo comum um infinito presente
Este, objeto direto, reto, repleto, completo
Presente, infinitamente

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