17 de março de 2017 • 7:51 am

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Berzoini: reforma da Previdência é para entregar R$ 1 trilhão aos bancos

Em palestra em Maceió, o ex-ministro disse que as elites brasileiras não toleram a proteção social

Por: Marcelo Firmino
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Em uma peregrinação pelo País contra as reformas da Previdência e do Trabalho, o ex-ministro das duas pastas no governo Lula, Ricardo Berzoini, disse em Maceió nesta quinta-feira, 16, que as elites brasileiras não toleram a proteção social.

Para ele, o que está por trás das reformas, sobretudo da previdência, é o interesse de desmonte da seguridade social no País, para a imediata entrega da previdência aos fundos bancários de Bradesco, Santander e Itaú, que em 10 anos estariam faturando mais de R$ 1 trilhão.

Berzoini disse que não resta outra alternativa à sociedade se não lutar contra a perversidade da reforma de Michel Temer, que visa atender aos interesses das elites financeiras, elites essas “que não pagam imposto de renda sobre dividendos”. Aliás, disse, que o Brasil é o único País do mundo onde a Receita Federal não cobra imposto sobre dividendos, exatamente por que quem os tem são as grandes empresas. “Nem sobre dividendos, nem sobre herança”, acrescentou.

Berzoini: as reformas são perversas.

Já a reforma trabalhista, segundo ele, entrega o trabalhador brasileiro ao Deus dará, quando retira as proteções da legislação e privilegia o negociado sobre o legislado. A questão, na opinião do ex-ministro, é que a forma de negociação apresentada enfraquece a organização sindical e por isso mesmo não assegurará o cumprimento do que foi negociado, uma vez que com a legislação já é difícil as empresas cumprirem, quanto mais sem o amparo da lei.

Na opinião de Ricardo Berzoini, o Brasil vive hoje um estado de exceção “com um governo descarado e um presidente impostor”. Destaca que todos estão vivendo um processo político estranho e que seu partido, o PT, tem sido alvo de uma perseguição desenfreada. Lamentou o fato e disse que o ex-presidente há 3 anos tem sua vida devassada e até agora a base da acusação são “pedalinhos”.

“Veja que o Lula tem sido perseguido desde que se candidatou a presidente pela primeira vez e isso não parou mais, exatamente por que decidiu assegurar a proteção social instituída por Getúlio Vargas e o cumprimento da Constituição da República, garantida por Ulysses Guimarães”, reforçou.

No momento em que a política nacional está virada de cabeça para baixo, com credibilidade muito aquém da crítica, Ricardo Berzoini, diz que a vigilância da sociedade é fundamental, mas que esta também precisa entender que “os políticos não caem do céu, afinal eles chegam em seus mandatos pelo voto popular”.

Ele defende a necessidade de uma reforma política séria que fortaleça os partidos como instituições democráticas e nunca como propriedade de caciques políticos, como se vê hoje. No entanto, reconhece que o congresso atual não tem a condição moral para essa reforma, uma vez que atuação parlamentar privilegia o “cada um por si”.

Palestra no Sindbancários

Berzoini, que esteve no auditório do Sindicato dos Bancários fazendo uma palestra, a convite do deputado federal Paulão, fez questão de insistir sobre a necessidade da reforma política com uma advertência:

-Ou se faz uma reforma política séria ou ninguém governa mais o Brasil.

 

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