Fátima Almeida

Jornalista, graduada pela Universidade Federal de Alagoas, foi presidente do Sindicato dos Jornalistas de Alagoas, membro da Comissão de Ética da entidade e diretora da Federação Nacional dos Jornalista. Vinte e poucos anos de profissão, alguns prêmios, atuação multieditorial em diversos veículos, larga experiência em jornalismo político. Hoje, aprendiz de blogueira.

À sombra da leniência: Tudo voltando ao normal, no país do carnaval

20 de setembro de 2017 • 7:48 pm
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É imoral? É. É ilegal? Não. A Operação Lava Jato acusou, denunciou, puniu empreiteiras por desvios, carteis e toda sorte de maracutaia em obras da Petrobras, expôs a lama que escorre nos dutos de muitas obras contratadas com recursos públicos, mas a impressão que se tem é que tudo começa a se normalizar numa rápida e aparente naturalidade.

O que se vê agora, mesmo depois de comprovadas denúncias de participação em atos de corrupção, é que, por alguns acordos de leniência, essas empresas voltam a frequentar as licitações públicas e reconquistar obras em governos estaduais e municipais.

‘Leniência’ pode ser traduzida como ‘suavização’. Nesses casos, acordo de leniência é um acerto jurídico firmado entre a pessoa jurídica que cometeu ato ilícito contra a administração pública, mas que se dispõe a auxiliar nas investigações que levem a identificação de outros envolvidos no crime, em troca de benefícios que amenizem a sua punibilidade (mas não da absolvição). Tudo amparado pela lei nº 12.846, de 1º de agosto de 2013.

Mas, não seria cedo demais o retorno dessas empresas em licitações púbicas, quando se sabe que elas participaram de esquema que lesaram o erário e o interesse público? Afinal, a lama da Lava jato ainda nem secou.

E lá estão empresas novamente como a Camargo Correia, OAS, Queiroz Galvão e Odebrecht, todas investigadas, voltando a disputar tranquilamente e a ganhar licitações, como se nada existisse que as desabonasse.

A Camargo Correia, primeira empresa a firmar um acordo de leniência, devolveu R$ 700 milhões aos cofres públicos. Isso pode amenizar o efeito do ato desonesto do qual é acusada, mas não apaga a nódoa. Um ladrão comum não deixa de sê-lo, quando, ao ser flagrado roubando, é obrigado a devolver o produto do roubo.

Mas lá estão elas: A Camargo Correia, ela mesma, será a responsável por construir a estação Morumbi ouro do metrô de São Paulo, obra do Governo paulista. A OAS venceu licitação para três grandes obras do Governo da Bahia: a construção de uma ponte no valor de R$ 88,8 milhões em Ilhéus, a duplicação da rodovia Ilhéus/Itabuna e a construção da barragem do Catolé, em Vitoria da Conquista.

E as outras inidôneas não tardam a voltar. É só o mercado reabrir as grandes construções, que valem milhões de reais e em breve voltaremos a ver placas de obras com velhos nomes, logomarcas conhecidas e valores vultosos – pagos por nós.


Sem luz: O fim do túnel da corrupção parece distante

19 de setembro de 2017 • 2:24 pm
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Uma das principais causas de cegueira no Brasil é o glaucoma, a silenciosa doença que avança e leva à perda total de visão em poucos meses enquanto, geralmente, a vítima acha que é apenas um incômodo temporário, uma deficiência visual normal, um problema que pode ser resolvido com um simples óculos.

Mas não é!

E quando você acha que já viu tudo em questão de corrupção, canalhice e falta de respeito e sensibilidade humana, vem a descoberta de quadrilhas que atuam em vários estados – inclusive Alagoas – fornecendo disgnósticos falsos da doença para lucrar com a venda de colírios fornecidos pelo SUS – ou seja, com dinheiro público.

A descoberta que havia sido feita pela Polícia Federal na Operação Hoder, deflagrada em 13 de junho, nos estados de Alagoas, Sergipe, Bahia e Goiás, e que que resultou na prisão de três pessoas – incluindo um médico – vem se confirmando com novos exames que descartam o diagnóstico na maioria dos casos. E causa espanto a quantidade de pessoas que vinham utilizando o tal colírio, sem a menor necessidade, por causa de um diagnóstico falso. Pessoas de todas as idades, inclusive crianças e, principalmente pessoas idosas, prejudicando sua saúde oftalmológica, quando pensavam estar se tratando da suposta doença.

Imagem ilustrativa – Reprodução internet

Foi assim em Marechal Deodoro – das 167 pessoas diagnosticadas e reavaliadas, 21 não apresentaram sintomas de glaucoma. Muito pior em Paulo Jacinto – dos 188 pacientes diagnosticados, 151 foram reavaliados e 90 deles tiveram o tratamento suspenso porque não têm a doença. Ainda falta investigar o restante dos municípios alagoanos.

Quem ganha com isso? Os responsáveis pelos exames e, provavelmente, alguns responsáveis pela distribuição do colírio fornecido pelo SUS e, sabe-se lá quem mais, na estrutura administrativa que gerencia esses programas e esses medicamentos – que custam, em média, R$ 200 a unidade no mercado comum.

Como eles ganham? O sujeito diagnosticado com a doença recebia o colírio prescrito pelo médico, mas em quantidade menor do que o declarado. A sobra era vendida para engordar a conta bancária dos integrantes do esquema – ou da gangue, como achar melhor.

Repito aqui a frase do superintendente da Polícia Federal em Alagoas, diante desse crime que envolve estelionato qualificado, atentado à saúde do cidadão e outras coisas mais: “O que causa mais repulsa e indignação é o diagnóstico de glaucoma em indivíduos sadios”.

E completo, pedindo licença ao radialista França Moura, para usar um jargão por ele repetido fartamente em seu programa de rádio:

De que é feito o ser humano?


Paulo Jacinto crescendo (?): Código Tributário prevê taxa até para Duty Free de aeroporto

18 de setembro de 2017 • 1:30 am
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Gerando polêmica o projeto de lei do novo Código Tributário de Paulo Jacinto, enviado pelo prefeito Marcos Lisboa para aprovação da Câmara Municipal. A chiadeira está sendo geral na cidade, e muitos segmentos prometem acompanhar de perto a apreciação da matéria, em sessão prevista para esta segunda-feira.

E não é só a quantidade e valores das taxas administrativas, de serviço e de exploração comercial propostas que têm chamado a atenção. Mas a peculiaridade de algumas, igualmente destoantes da realidade local. Entre as muitas tabelas que constam no Projeto de Lei nº 003, de 1º de setembro de 2017, tem a criação da taxa de lixo, taxa de fiscalização sanitária (o sujeito vai ter que pagar para ser fiscalizado), taxa de expediente variando entre R$ 8 e R$ 50 (pela emissão de documentos, contratos, autenticação, e até pela ‘matrícula de cães’).

E tem mais. Na taxa de ‘licença para exploração dos meios de publicidade’, a tabela inclui, entre esses meios, os indicadores de bairros e locais turísticos, carros de som e até bóias flutuantes (provavelmente a serem colocadas no leito do Rio Paraíba ou nos açudes da região, quem sabe?).

Porém, o mais inusitado e surpreendente está em meio às taxas de comércio varejista. Tem pra todo mundo: padaria, mercadinho, templos religiosos, apart-hotel (isso mesmo) e – pasmem!… – loja de Duty free de aeroportos internacionais (Ops… O que isso está fazendo aqui? Alguém copiou e colou de onde?).

Estou brincando não! Tá lá, no Projeto de lei do Código Tributário de Paulo Jacinto.

É só ver para crer…

PARA REFLETIR

O Projeto tem muitas coisas mais, que dariam para continuar escrevendo um montão. Mas vamos parar por aqui e esperar que o prefeito Marcos Lisboa tenha como explicar sobre esse Duty free, ou pelo menos cobrar explicações dessa ‘viagem’ a quem elaborou o projeto.

Quem sabe, Marcos pode até explicar, numa postura de transparência com os moradores do município, qual será a destinação dessa arrecadação pretendida e qual a necessidade de tanta taxa num momento em que o  município ainda nem prestou contas dos milhões em recursos que entraram nos cofres da prefeitura este ano, incluindo os resíduos do Fundef.

Essa transparência é um exercício salutar para conseguir a parceria da comunidade (E é dever do gestor).

Até porque, num momento em que o setor produtivo também se vê sufocado com os efeitos da mesma crise chorada pelos gestores públicos, aumentar impostos não é o melhor caminho. Penaliza o contribuinte, podendo causar um efeito contrário, com a redução dos postos de trabalho, numa cidade onde a maioria só tem, basicamente, o comércio, a roça e a prefeitura como geradores de emprego e renda.

Vale refletir!


As reações e a toalha jogada na CPMI chapa branca.

13 de setembro de 2017 • 8:01 pm
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Os conchavos que continuam dando as ordens do dia no Planalto Central, começam a provocar reações mais extremas no Congresso Nacional. A maracutaia da vez foi a nomeação do deputado Carlos Marun, indicado pelo PMDB de Temer e apontado como testa de ferro da tropa do Governo, para ser o relator da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga a relação das Empresas JBS e J&F com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e social (BNDES).

A CPMI, que também vai examinar o acordo de delação premiada entre as empresas e o Ministério Público, já começou pegando fogo. Logo cedo o Senador Ricardo Ferraço (PSDB-ES) tinha renunciado à vaga de titular do Bloco Parlamentar Democracia Progressista no colegiado. No decorrer da seção o Senador Otto Alencar (PSDB-BA) também renunciou à vaga na Comissão e se retirou do plenário dizendo que não participaria da ‘farsa’ e chamando o relator de “testa de Ferro” do Presidente Temer.

A revolta de Otto tomou volume ao tomar conhecimento da ida do Presidente da CPMI, senador Ataídes Oliveira (PSDB) ao palácio do Jaburu para uma reunião com o Presidente Temer no final de semana. Ataídes ainda tentou evitar a saída do colega de bancada, explicou que o assunto tratado no encontro com Temer foi sobre problemas em empreendimentos na BR-153, que liga Tocantins ao Pará, mas não houve jeito. Alencar estava irredutível e se retirou da sala soltando o verbo:

“Dentro desta farsa, desta CPMI chapa branca, eu estou pedindo a retirada do meu nome para não participar de uma CPMI dessa natureza. Não sou homem para me propor a isso, porque isso é uma farsa para fazer aquilo que o Palácio do Planalto deseja e quer. Portanto, estou pedindo a retirada do meu nome. E me retiro agora da sala envergonhado com o procedimento, tanto de vossa excelência, que foi lá ao Palácio do Planalto, como também a indicação do deputado Carlos Marun”.

E o que não falta é combustível para alimentar o incêndio interminável que é o Congresso. Não bastassem esses os problemas, a CPMI tem pelo menos 17 membros devendo explicações à Justiça e esse número pode crescer mais ainda, pois o STF tem inquéritos sob sigilo disposto no sistema da Corte. Em valores são R$ 4 milhões doados pela JBS a 12 parlamentares componentes da Comissão, segundo planilhas entregues por delatores, em maio deste ano, depois de firmados os acordos de delações premiadas.

Pergunta que não quer calar: Você lembra de alguma CPI ou CPMI que tenha dado resultado? Alguém já soube de algum parlamentar condenado por essa modalidade de “Justiça”?

Nem eu.


Para o povo, malha fina; Para eles, mais dinheiro… Alguém chama o fiscal

23 de agosto de 2017 • 12:52 am
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Ilustração reproduzida do site do TSE

Vamos começar pelo seguinte: O Fundo Partidário é um caixa disponível aos partidos políticos, alimentado por dotações orçamentárias da União, multas, penalidades, doações de pessoas físicas e outros.

Criado por meio da Lei nº 9.096 de 19 de setembro de 1995, que em seu Art. 44 orienta sobre a aplicação dos recursos – desde a manutenção da sede dos partidos; propagandas; custeio; promoções e até alimentação no decorrer de todos esses processos.

Aí o pessoal já amplia a margem da interpretação a favor e faz rolar a festa: Literalmente, com shows de rock, farta bebida alcoólica, buffet, homenagens, aniversários e outros requintes de luxo.

Uma verdadeira farra de irregularidades, até mesmo no pagamento de projetos surrupiados de terceiros (na base ctr/ C – ctr/ V), sem conhecimento – e nem pagamento – dos verdadeiros autores, num flagrante desrespeito aos princípios éticos e aos direitos autorais, como foi mostrado em reportagem da TV Globo.

Em 2015 as doações por empresas foram proibidas e os nossos políticos tentam encontrar um “jeitinho” de não perder tanta receita. Resolveram investir na melhoria – bem vantajosa – do tal do Fundo Partidário – com uma injeção de verbas públicas, o que já resultou num belo salto,  de R$ 308 milhões para mais de R$ 819 milhões em 2017. E apesar da crise, eles querem mais, muito mais – a bagatela de R$ 3,6 bi, e o uso do horário eleitoral gratuito que já custa mais de um bilhão por ano.

É muito dinheiro distribuído e mal fiscalizado. De acordo com a reportagem exibida no Bom dia Brasil desta terça-feira, existem apenas 11 fiscais para fiscalizar 35 partidos (e chegando mais!).

Enfim, a maracutaia que antes era escondida, hoje se torna ‘normal’ em um País que tem em seus noticiários diários desmandos de autoridades judiciárias, políticos desonestos (os honestos são espécies em extinção).

É assim…

É meu Brasil brasileiro…


‘Caixa Dois’, que nada! Políticos querem, agora, é a criação da ‘Caixa Preta’

16 de agosto de 2017 • 1:20 pm
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Apresentado nesta terça-feira (15), o relatório da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Reforma Política está prontinho para ser votado a toque de caixa, talvez ainda hoje ou, no máximo, até a próxima semana.

E porque a pressa? Para fazer valer as novas regras já nas eleições de 2018. E Com certeza não é pelos ajustes que a sociedade esperava, e que poderiam tornar mais justos e democráticos os processos eleitorais e mais representativos os resultados das urnas.

Só a criação de mecanismos que tornassem a disputa eleitoral menos cara e mais aberta aos debate, permitiria, por exemplo, que não só os representantes do poder econômico ganhassem a eleição, mas também, e principalmente, políticos com ideias inovadoras, bons princípios e boa identidade com as causas populares.

Sonho nosso…

Na realidade, não é bem isso que vem por aí. Os políticos que fazem as leis querem continuar com campanhas caríssimas – que sustentam os vícios e a compra de votos. E para substituir as doações empresariais (proibidas desde 2015), estão aumentando generosamente o investimento público no chamado Fundo Partidário. E mesmo estabelecendo valores limites (ainda milionários) para os gastos (declarados) de campanha, abrem-se novas janelas para ilimitadas transações. Sabe como?

Pelo relatório do deputado Vicente Cândido (PT-SP), que condensa o pensamento majoritário da Comissão da Reforma, ao invés de acabar de uma vez com os artifícios obscuros que se escondem por baixo do tapete do processo eleitoral e alimentam o famigerado caixa 2,  o que se propõe agora é a criação de novos subterfúgios, uma espécie de ‘caixa preta’ fomentada por doações ocultas nas campanhas eleitorais.

Isso mesmo! Pela proposta, as pessoas físicas podem financiar candidaturas ‘na baixa’, sem aparecer nos sites de transparências, sem precisar revelar à sociedade de onde veio e quanto veio do bolso de qualquer doador, seja qual for o valor (que, aliás, teve também suas margens ampliadas generosamente). Esse sigilo vai preservar o nome do generoso cidadão que injetar dinheiro na campanha – geralmente grandes empresários com suas contas particulares recheadas pelas empresas – agora proibidas de doar recursos para as campanhas eleitorais.

Em suma, o que se vê é uma espécie de ‘reforma de meio-fio’ a que a maioria dos políticos está acostumada. É o melhoramento da malandragem para se adaptar às novas realidades. Na verdade, ao que tudo indica, as eleições vão continuar sendo decididas pelos vultosos volumes de recursos investidos nas campanhas eleitorais, que acabam prejudicando o processo democrático de escolha dos nossos representantes.

É assim… E assim será!

Para saber mais sobre a reforma, vale a leitura de matéria a seguir, publicada pela Folha de São Paulo


Quadrilha de finados: delações fazem crescer número de mortos na lista da corrupção

16 de agosto de 2017 • 11:07 am
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A citação de pessoas mortas entre os suspeitos de participação em esquemas de corrupção vem aumentando consideravelmente, a cada delação da Lava jato. E na mesma proporção, vai reduzindo a perspectiva de punição para os culpados, já que muitos não estão aqui para se defender e muito menos para pagar pelos crimes que lhes são atribuídos.
Esta semana o ex-presidente da Odebrecht, Pedro Novis, na condição de delator, colocou mais dois nomes de finados na lista de suspeitos: Rubens Jordão, que em 2012 trabalhava com José Serra (PSDB), na eleição municipal de São Paulo e, segundo Novis, seria o receptador de repasses para o caixa dois da campanha do então candidato tucano à Prefeitura paulista.
Na lista já tinha o Sérgio Guerra, ex-presidente do PSDB, primeiro tucano citado na Lava jato, em 2014 (meses após a sua morte), pelo primeiro delator da operação, o ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa, que o acusou de ter exigido R$ 10 milhões para ‘enterrar’, em 2009, a CPI da Petrobras, da qual era membro.
Guerra e Jordão estão mortinhos da silva e com eles está sepultada qualquer contestação das histórias que andam falando sobre ambos.
E não são os primeiros e não deverão ser os últimos a entrar na lista dos mortos delatados. Marisa Letícia, esposa de Lula, morreu no curso das investigações em que era alvo e recentemente foi apontada pelo próprio marido, como a responsável por todas as decisões e negociações relativas ao tal triplex de Guarujá, que acabou fundamentando a primeira condenação de Lula.
Assim como ela, o ex-governador pernambucano Eduardo Campos, que morreu em acidente aéreo durante a campanha eleitoral de 2014, na qual era candidato a presidente da República, vem sendo citado assiduamente nas delações, desde a tragédia (ou pouco tempo depois dela), e recente é alvo de mais uma acusação O diretor da J&F (controladora da JBS), Ricardo Saud, disse que a campanha de Eduardo teria sido beneficiada com R$ 14,6 milhões não declarados – caixa dois – e que mesmo depois de sua morte o compromisso foi honrado (com a palavra Marina Silva, que o substituiu na cabeça da chapa majoritária).
O mesmo delator também incluiu outro defunto em sua delação, a Srª Telma dos Santos a quem Saud disse ter efetuado uma doação oficial para ‘comprar’ o apoio do PMN em favor do Senador Aécio Neves em 2014. Telma morreu em 2016, ainda como presidente do PMN.

E ainda tem o ex-deputado federal José Jatene, morto desde 2010, mas apontado por delatores da Lava jato como elo nos pagamentos a empreiteiras que atuavam na Petrobras.

Enfim, pelas delações, temos uma verdadeira quadrilha de mortos, com motivos de sobra para estar se remexendo no caixão. Mas nessa relação entre os mundos dos mortos e dos vivos, muita gente está indo embora impunemente, levando a conta pro lado de lá; e muita gente acreditando que ainda haverá justiça – ainda que seja no juízo final.
É cadeia para muitas vidas.

Deu a louca: Num só dia, Rui exonera, renomeia e reloca servidor da SMTT

15 de agosto de 2017 • 1:40 am
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Fonte constante de busca de informações usada por jornalistas e curiosos, o Diário Oficial às vezes nos traz pérolas que demoramos a entender, ou não entendemos nunca.

Em um único dia (2 de agosto), em atos quase contínuos, todos publicados na mesma edição do Diário Oficial do Município de Maceió, o Prefeito Rui Palmeira exonerou do cargo em comissão de Assessor Técnico, símbolo DAS-3, da Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (SMTT), o servidor Anacleto Suruagy (por meio da Portaria 2776); em seguida nomeou o mesmo cidadão para um cargo DAS-4, de Assessor Técnico da Diretoria de Obras Viárias do mesmo órgão – a SMTT, (com a Portaria nº 2778); e com a mesma tinta de caneta, sem nem sair da cadeira, o designou, para, sem prejuízo de suas funções regulamentares, ficar à disposição da Secretaria Municipal de Governo (Portaria nº 2786).

E haja arrumação…

Será que o prefeito estava em dia de indecisão ou com vontade de brincar de dança das cadeiras?

Vai que é isso, né?


Divididos: Chapa 1 vence eleição do Sindpol com apenas 5 votos de diferença

15 de agosto de 2017 • 12:51 am
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Cinco votos de diferença. Esse foi o resultado da acirrada eleição do Sindicato dos Policiais Civis de Alagoas (Sindpol), realizada nesta segunda-feira (14), após vários entraves, inclusive de ordem jurídica, que provocaram até o adiamento da votação, antes prevista para para o dia 31 de julho. Por 588 votos contra 583, venceu a Chapa 1, encabeçada por Ricardo Nazário e apoiada pela atual diretoria.

Apesar do nome da chapa vencedora – Unidade – a campanha e o resultado da eleição em si mostraram que a categoria está mesmo é dividida.

A Chapa 2, encabeçada por Herbert Melanias, teve melhor desempenho no interior do Estado, disparando com enorme diferença nas regionais de Arapiraca (51 x 13) e Palmeira dos Índios (24 x 4). Venceu também nas regionais de São Miguel dos Campos, Batalha e Matriz de Camaragibe, e empatou em Viçosa, Santana do Ipanema, Penedo e Novo Lino. A Chapa 1 ganhou apenas em Delmiro Gouveia e União dos Palmares, entre as regionais do interior, mas tirou a diferença em Maceió, onde obteve 513 votos, contra 448 obtidos pela chapa adversária.

DISPUTA JURÍDICA

A eleição, que seria realizada no dia 31 do mês passado, foi suspensa por decisão do desembargador Fábio Bittencourt, do Tribunal de Justiça de Alagoas, para exigir que a comissão eleitoral disponibilizasse urnas e fiscais de votação nas regionais do interior do estado, atendendo a reclamação da chapa de oposição. O resultado mostrou que a preocupação era procedente, já que foi nas delegacias regionais onde a chapa dois teve melhor desempenho. e quase ganha a eleição.

Inicialmente o edital previa a votação somente na sede do sindicato, em Maceió, com o reforço de uma urna itinerante, o que seria um prejuízo à participação do pessoal do interior, como entendeu o desembargador. “Aqueles policiais civis que se encontram lotados em cidades do interior necessitarão percorrer dezenas ou centenas de quilômetros, abandonando seus postos de trabalho por longos períodos de tempo, caso desejem votar na eleição para a diretoria da associação da classe que compõem”, destacou o desembargador.

Aparentemente, tudo terminou em paz. A eleição, ocorrida nesta segunda-feira (14), contou com a participação de mais de 1.100 policiais civis da Capital e das delegacias regionais.

O presidente eleito, Ricardo Nazário, destacou a importância da união da polícia. “Não é mais a Chapa 1 ou a Chapa 2; somos todos policiais civis. O importante é esse momento democrático”, disse ele. O representante da Chapa 2, Hebert Melanias agradeceu a votação recebida e disse que foi uma honra participar das eleições do Sindpol.

Vitória foi comemorada com muita alegria, pela Chapa 1

(*) – Informações e foto: Assessoria do Sindpol


TRT-BA abre licitação para assessorar corridas e caminhadas de magistrados

12 de agosto de 2017 • 1:18 pm
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Parece piada, trollagem, fake, essas coisas e notícias falsas que hoje em dia se multiplicam e propagam na internet. Mas não é. Está no Diário da Justiça Eletrônico do Tribunal Regional do Trabalho da 5ª Região (Salvador), na página 3, edição nº 2.347, do último dia 7, o Aviso de Licitação tipo Pregão Eletrônico, nº 051/2017, “cujo objeto é a contratação de empresa com qualificação profissional e com experiência para assessorar magistrados e servidores em aulas de corrida e caminhada”.

Isso mesmo!

O TRT da 5ª Região vai contratar – e pagar com dinheiro público – uma empresa para ensinar juízes, desembargadores e servidores da Justiça do Trabalho a dar uma corridinha ou fazer uma caminhada. É o que diz o texto da llictação, como todas as letras, como reproduzimos acima.

A sessão de abertura do processo nº 7585/2017 está marcada para o dia 22 de agosto, às 13h – http://www.trt5.jus.br/arquivo_diario/diario170807-capital.pdf

Um acinte, né não? Isso dói na alma do cidadão; dos pobres mortais que trabalham duro, pagam impostos e aprendem sozinhos a correr, para chegar cedo no trabalho, cumprir jornada intensa e às vezes voltar pra casa caminhando porque não têm o dinheiro do transporte.

Será que a situação por lá é diferente da maioria dos tribunais de Justiça, onde juízes e desembargadores, além de um bom salário, gozam de privilégios diversos em forma de auxílios – moradia, saúde, alimentação, vantagens pessoais, vantagens eventuais e outros penduricalhos que engordam ainda mais os vencimentos?

Tentei tirar essa dúvida, acessando o portal da transparência do TRT da 5ª Região para verificar o salário dessa gente. No mês de julho, o rendimento líquido dos magistrados daquele tribunal variou entre R$ 21 e R$ 51 mil. Eu disse LÍQUIDO – já com a soma de todas as vantagens e a redução de todos os encargos, inclusive os redutores do limite constitucional. Apenas dois ou três magistrados tiveram rendimentos líquidos abaixo dos R$ 20 mil.

É… Talvez não dê para cada um pagar, do próprio bolso, sua ‘aula’ de caminhada.

Quando a gente pensa que já viu de tudo no Poder Público, há sempre uma maneira de nos surpreender.

De forma negativa, é claro!