Fátima Almeida

Jornalista, graduada pela Universidade Federal de Alagoas, foi presidente do Sindicato dos Jornalistas de Alagoas, membro da Comissão de Ética da entidade e diretora da Federação Nacional dos Jornalista. Vinte e poucos anos de profissão, alguns prêmios, atuação multieditorial em diversos veículos, larga experiência em jornalismo político. Hoje, aprendiz de blogueira.

Câmara Federal é acusada de rombo de R$ 26 milhões na Previdência Social

17 de novembro de 2017 • 5:19 pm

A bronca aumenta cada vez mais lá pras bandas do planalto central. Desta vez, a Câmara Federal, onde as leis são aprovadas e, em tese, fiscalizadas, está sendo acusada de provocar um rombo de pelo menos R$ 26 milhões no sistema previdenciário brasileiro, exatamente num momento em que, em nome de um propalado déficit no Instituto de Seguridade Social, o governo Michel Temer tenta emplacar uma famigerada reforma, com impacto de grandes prejuízos em milhares de contribuintes.

Como? Segundo a Receita Federal, o dinheiro vinha sendo retirado há mais de 20 anos, dos cofres do Regime Geral de Previdência Social (RGPS), ou seja, do contribuinte comum, e repassado ao Plano de Seguridade Social dos Congressistas (PSSC). Tudo na baixa. Encobrindo uma manobra dos deputados para garantir aposentadorias mais gordas, muito além do que é estabelecido como teto do INSS.

A movimentação, considerada ilegal, foi percebida pela Receita em agosto de 2016  e a Casa Legislativa foi notificada, mas não deu a mínima satisfação. Sem resposta, o órgão fiscal já avisou que vai inscrever a dívida no Cadastro Informativo de Créditos não Quitados do Setor Público Federal (Cadin). Com juros e multas, o valor do débito calculado pela Receita é de aproximadamente R$ 28 milhões. E apenas a devolução dos valores referentes aos últimos cinco anos deve ser considerada. O resto deve se perder nas regras da chamada prescrição tributária.

A MANOBRA

Pela regra, o deputado precisa exercer ao menos dois mandatos para ter direito a uma aposentadoria superior à fixada como teto do INSS. Mas, na incerteza de um segundo mandato, eles se abstêm de escolher entre o Regime Geral e o PSSC no prazo estipulado pela Casa (30 dias), e entram com recurso de adesão apenas quando se reelegem, quatro anos depois, optando, então, pelo regime que vai lhe garantir aposentadoria mais polpuda. (E ainda podem pedir ressarcimento dos últimos anos como deputado).

É aí onde entra o nosso dinheirinho suado. Depois do pedido de adesão e ressarcimento, a compensação é feita com o dinheiro do Regime Geral, ou seja, da nossa Previdência.

Resumindo: No INSS, o desconto varia de acordo com o ganho do trabalhador, e mesmo ganhando acima do teto ele só pode ser descontado em 11%. Na mamata do PSSC, o parlamentar contribui também com 11% mas a Câmara entra com uma cota de igual valor, retirada dos cofres públicos. Deixando para optar no segundo mandato, os deputados deixam de contribuir por quatro anos e ainda tem a concessão do benefício sem qualquer perda ou restrição.

É assim. Aposentadoria polpuda para quem trabalha pouco. E a nossa, oh!

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O turismo, a pesca e o sabor de ter um mar

17 de novembro de 2017 • 3:48 pm

‘Eu fui à Espanha, buscar o meu chapéu…’. Na música que permeia o imaginário infantil, alguém foi buscar chapéu nas terras europeias, mas na realidade o prefeito Rui Palmeira foi à Espanha ‘tirar o chapéu’ à grande estrutura turística montada no Distrito de Palamós, com base na atividade pesqueira, coisa que anda tão mal das pernas aqui em nossa cidade.

E não é por falta de peixe no mar (e na lagoa, diga-se de passagem). Mas por falta de políticas sólidas que criem, no entorno dessa atividade milenar, uma cadeia produtiva geradora de emprego e renda, capaz de garantir à população ribeirinha e adjacências, dignidade e qualidade de vida.  Jaraguá – com seu projetado e esperado Centro Pesqueiro – já se tornou piada de salão de festas. O sofrido e conturbado processo de desocupação do espaço, na Vila dos Pescadores, já vai longe e os projetos de beneficiamento da área arrastam-se até hoje, sem se concretizar em obras estruturantes, como foi anunciado.

Quem sabe, agora, buscando inspiração nos ares europeus…

Lá na Espanha, a comitiva capitaneada pelo prefeito – acompanhado do secretário municipal de Turismo, Jair Galvão, do superintendente de Limpeza Urbana, Davi Maia, do presidente do Instituto Brasileiro de Desenvolvimento e Sustentabilidade (IABS), Tadeu Assad, e do superintendente do SEBRAE/AL, Marcos Vieira – foi recepcionada pelo prefeito de Palamós, Luís Puig Martorell, que apresentou como funciona o sistema pesqueiro local, numa estreita ligação com a atividade de turismo.

Uma estrutura de fusão econômica que vem dando certo por tantos anos e que inclui equipamentos como o Museu de la Pesca, onde coexistem no mesmo espaço o porto, que recebe as embarcações com os mariscos e pescados, que por sua vez são expostos à curiosidade de nativos e turistas e ali mesmo comercializados a grosso e a varejo, abastecendo o consumo doméstico, as redes de restaurantes e o comércio de alimentos.

Essa união de vertentes econômicas atrai turista, movimenta a pesca e o comércio local e chega a triplicar a população da cidade na alta temporada, mostrando que turismo e pesca podem sim andar juntos, sem a sujeira que costumamos ver por aqui nas balanças de peixe e no mercado público de Maceió.

E pode, sim, dar certo por aqui. Afinal, temos as características costeiras necessárias para concretização de um projeto desse porte. O Centro Pesqueiro do Jaraguá – orçado, inicialmente, em R$ 23 milhões; pensado numa concepção macro, com toda uma infraestrutura de cadeia produtiva ao redor – precisa sair do marasmo em que se encontra; precisa fluir e atrair nativos e turistas ao sabor do nosso mar e da importância histórica e econômica do bairro.

É preciso ampliar o foco além do lazer de ‘shopping center’; do turismo de elite; e investir em alternativas mais abrangentes às diversas escalas sociais, ampliando espaços para que possamos dizer aos nossos filhos e netos: Vamos ao museu da pesca; vamos ali ver o mar!

 


A fraude, a corrupção e os números do Enem. Alguma coisa em comum?

12 de novembro de 2017 • 6:00 am

Em sua segunda etapa, o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) reúne mais uma vez, neste domingo (12), os candidatos a uma vaga nas universidades públicas de todo o país. A concorrência baixou significativamente: Mais de 30% dos 6,7 milhões de inscritos faltaram à primeira prova, realizada no domingo passado (5), um número bastante expressivo (mais de 2 milhões de abstenções), principalmente considerando que no ano passado, o percentual de desistentes/faltosos em todo o Enem foi de 29,19%.

Some-se a isso a queda também significativa no número de inscritos – de 9,2 milhões em 2016, para 6,7 milhões este ano. Queda atribuída por alguns analistas, ao fato de o Enem não ter mais a finalidade de validar a conclusão do ensino médio, como nas edições anteriores. Será? Lógico que o fato pesa nos números. Mas será só isso? Aposto que não!

Para uma geração marcada pelo fantasma da fraude e da corrupção que assolam o país, é bom considerar os efeitos dessa praga social na credibilidade dos processos seletivos; na confiança de concorrentes que investem anos de estudos e se vêm lesados por quem quer se dar bem a qualquer custo (altíssimo custo material e moral, diga-se de passagem).

Foi assim nos exames passados, cada um com suas histórias de tentativas de fraudes; foi assim na primeira etapa do exame atual. Entre uma prova e outra, na última quarta-feira (8) a Polícia Federal desbaratou, no Ceará, uma quadrilha especializada em fraudar concursos, entre eles o Enem. Foram cumpridos 4 mandados de prisão preventiva, 21 de busca e apreensão, e 11 de conduções coercitivas.

HISTÓRICO

Criado em 1998, com objetivo inicial de avaliar o estudante no término do ensino médio, o Enen cresceu e ganhou força, a partir de 2009, quando alcançou o status de processo seletivo para acesso à universidade – pública e particular (por meio de bolsas de estudo), substituindo o antigo vestibular.

Mas não é só o número de instituições e de alunos concorrentes que cresce a cada ano. Com ele, cresce (e aparece) também o número de organizações criminosas especializadas em fraudar o concurso, seja vendendo ou comprando estratégias para garantir aprovação de quem não tem preparação para vencer, e investe, ‘com a força da grana que ergue e destrói coisas belas’, na destruição dos sonhos de quem se preparou a vida toda para esse processo.

E é muito dinheiro envolvido. Grana que bem poderia pagar a faculdade particular dessa gente, sem destruir os sonhos de ninguém.

Mas, é a cultura da fraude e da corrupção fazendo escola – literalmente. Com a mesma gana que vem corrompendo o país em todos os campos, principalmente o político, minando por baixo os valores morais; pais reforçam esse processo ensinando aos filhos que tudo se compra, até estudos e diplomas, transformando os processos educativos em casos de polícia.

Vale lembrar que a fraude, nesse caso, é faca de dois gumes – o de quem vende e o de quem compra o esquema.


Os números e a realidade da gravidez na adolescência

11 de novembro de 2017 • 11:50 am

O vento que soprava e levantava a areia da praia na manhã daquele sábado. O sol escaldante teimava em esquentar a alma (ainda gelada pela notícia que acabara de constatar) daquela menina que, ali sentada, mantinha uma paz enganosa. Acabara de entrar nas estatísticas das meninas que engravidam precocemente, pelo descuido na prevenção, que poderia ter sido feita com uma simples camisinha, tão acessível, mas que sempre falta na hora do deslumbre do sexo.

Aos 16 anos, vinda de família de baixa renda, a menina não planejou – nem preveniu. Apenas ‘ficava’ casualmente com o pai do bebê, que sem o encargo de trazer no ventre o fruto da inconseqüência, saiu de fininho da história, sem se preocupar em dividir o peso da barra que aquela menina passou a carregar no corpo e na mente.

Naquela manhã, ela perambulava pela areia da praia, pensativa, angustiada: Como vai contar para a mãe que a história se repete em seu corpo: Mãe grávida adolescente; filha grávida adolescente… Como vai encarar, sozinha, o olhar atravessado da vizinha, as piadas na sala de aula, o sermão da avó, os enjôos, as mudanças no corpo, na alma e na vida?

Não sabe se terá pré-natal – o que é isso mesmo? O que virá depois do parto? Os estudos, o sonho de uma possível graduação; de ser médica no futuro. Como será esse tal de futuro de agora em diante?

OS NÚMEROS

Vivemos em um país que mesmo aos trancos e barrancos tem lutas históricas para reduzir as desigualdades sociais, com resultados razoáveis nas últimas décadas. Mas a alta taxa de gravidez na adolescência é um indicador que continua alarmante e preocupante. Relatório do ‘Fundo de População’ da Organização das Nações Unidas (ONU) diz que no Brasil, a cada cinco mulheres grávidas, uma é adolescente. Houve queda nos números – de 700.000 para 500.000 partos por ano – mas o Brasil continua em destaque nessa marca, em igualdade com Bolívia e Paraguai.

E pela primeira vez a ONU apontou em seu relatório a importância de dar destaque às consequências da gravidez na adolescência.

Essas meninas vivem – em sua maioria – em famílias situadas na faixa de pobreza e com poucas chances de sair e oferecer uma vida melhor para essa geração que chega. Geralmente parte dessas mães adolescentes está o acaba ficando fora da escola, antes ou no decorrer da gravidez, sem mercado de trabalho e com bebês nascendo privados de assistência social.

Nesse dilema, o País que não consegue remediar, tem obrigação de investir cada vez mais e persistentemente em prevenção, e conscientizar sobre os riscos e as consequências de uma gravidez na adolescência.

Portanto, mãos à obra. Não há tempo a perder!


Redes sociais: Seus direitos, meus direitos e a estranha sensação de impunidade

7 de novembro de 2017 • 3:16 pm

Fala a verdade: Você já espalhou uma notícia que recebeu pelas redes sociais, sem checar a veracidade da informação? Se a resposta é sim, pense bem: você pode ter contribuído para difundir uma mentira criada com o intuito de prejudicar alguém, ou ser corresponsável por uma injustiça de consequência grave na vida de uma pessoa ou de uma comunidade. Portanto, cuidado. Você pode estar destruindo uma vida por uma mentira.

Um estudo encomendado pelo aplicativo BonusQuest, no ano passado, indica que 78% dos brasileiros se informam pelas redes sociais sobre vários temas ou assuntos, sejam eles sérios ou apenas puros memes. A maioria admitiu já ter compartilhado notícias falsas. O quadro é grave. Fora daqui, outra recente pesquisa apontou que 74% dos americanos confiam na imprensa escrita como fonte de informação – e só metade disso dá crédito ao que lê nas redes sociais. Menos mal. Embora isto não tenha impedido o impacto da propagação de falsas informações pelas redes sociais – recurso fartamente utilizado pelo megaempresário Donald Trump – definindo a seu favor as eleições para presidente dos Estados Unidos. No ano passado.

Do lado de cá, a um ano das eleições para presidente – e demais cargos do Executivo e Legislativo no Brasil – quando já se armam os palanques virtuais, o editorial da Folha de São Paulo desta terça-feira traz essa preocupação, embasado no peso das redes sociais como fonte de (des)informação fartamente utilizada para espalhar fatos e boatos – principalmente no campo político.

E foca no alcance ilimitado e nos prejuízos das notícias falsas amplamente divulgadas no campo aberto da interação que a internet nos proporciona, e na fragilidade e ineficiência dos mecanismos de controle de que dispõem os gigantes desse universo online (facebook, twiter, instagram, whatsaap…) para frear a propagação de falsas notícias.

Estamos perdidos e extremamente vulneráveis nesse universo online que parece terra de ninguém; impotentes diante da dimensão – e das consequências graves – da propagação de mentiras e conceitos distorcidos, movimentada por uma massa que não está sabendo o que fazer com a tal – e tão almejada – liberdade de expressão, e não a maioria não tem a menor noção da grande responsabilidade que essa liberdade requer. Sem isso, o espaço aberto à livre manifestação torna-se um campo minado, fértil ao exercício da maldade e da irresponsabilidade; e o uso mal intencionado das mídias sociais põe em risco esse princípio democrático.

O que fazer? É preciso – urgentemente – estabelecer regras e mecanismos mais eficazes de controle; exigir transparência dessas operadoras de mídias sociais, principalmente sobre os vultosos investimentos em anúncios ‘vestidos’ de notícias; é preciso exigir que essas empresas levem a sério o desenvolvimento de mecanismos de checagem sobre a veracidade de informações nelas veiculadas. Mais que isso, é preciso punir severamente – civil e criminalmente – quem propaga (por má intenção ou irresponsabilidade) esse tipo de informação, mesmo não sendo ele o gerador da falsa notícia (da mesma forma como se pune o comprador de um objeto roubado, mesmo que ele não demonstre conhecimento de que esta é a origem do bem adquirido).

É preciso regras bem definidas para inibir essas práticas maldosas. Senão, o que teremos pela frente? Quem poderá nos defender das falsas notícias em que têm se pautado criminosos digitais e estrategistas políticos para destruir plataformas, enterrar reputações e construir falsas perspectivas?

Ninguém, a não ser nós mesmos!

Por enquanto, a saída é ler, ler e ler; correr os site de notícias mais seguro, avaliar as consequências da informação e NUNCA compartilhar uma informação que possa mexer com a vida e a reputação de outra pessoa, sem ter a certeza de que o foco da informação é fato verdadeiro.

Fica a dica!


Enquanto o Brasil dorme, governo congela salários e aumenta alíquota da Previdência

31 de outubro de 2017 • 5:09 am
O servidor público federal pode até ter tido uma noite de sono tranquila, nesta segunda-feira (30), mas vai acordar com a sensação de pesadelo, nesta terça-feira. O governo editou e mandou publicar, em edição extra do Diário Oficial da União (DOU), a Medida Provisória (MP) 805/17, que posterga ou cancela aumentos salariais previstos para várias categorias em 2018, altera trechos da Lei 8.112/1990, que dispõe sobre o Regime Jurídico Único dos servidores públicos civis da União, das autarquias e das fundações públicas federais, e mexe também com a Lei 10.887, de 18 de junho de 2004, no que diz respeito à alíquota de contribuição previdenciária de uma faixa considerável de funcionários públicos federais.
A Medida Provisória, que segundo noticiou o próprio governo, será encaminhada ao Congresso Nacional nesta terça-feira (31), adia por um ano ou cancela reajustes remuneratórios desses servidores públicos e ainda aumenta a alíquota previdenciária do funcionalismo, de 11% para 14% sobre a parcela do salário que exceder o teto  previdenciário pago pelo Regime Geral (R$ 5.531,31).
No Congresso Nacional, a matéria vai ser examinada em Comissão Mista (Câmara e Senado) que ainda será instalada e, pela regra de alternância das Casas, será presidida por um deputado, sendo designado um senador para a relatoria.
A tramitação é rápida. Tudo a toque de caixa. Assim que a matéria for lida pela Mesa do Congresso, será aberto prazo para apresentação de emendas ao texto. Isto é, a partir desta terça (31), até a próxima segunda-feira (6).
EFEITO DOMINÓ
A suspensão dos reajustes ou aumentos tem efeito imediato, e o aumento da ‘contribuição’ previdenciária começa a valer em fevereiro de 2018. Assim, os reajustes salariais de aproximadamente 30 carreiras do serviço público federal serão adiados para 2019, e eles ainda vão pagar mais caro a alíquota do INSS.
No que diz respeito à suspensão das correções salariais, segundo o Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), os grupos mais afetados serão os docentes (universidades e outras escolas públicas federais); policiais – federal e rodoviários federai; carreiras jurídicas (vinculadas ao Executivo); área de gestão (Banco Central, CVM, Susep, Ipea e IBGE); auditores da Receita Federal e do Trabalho; peritos do INSS; diplomatas; e policiais militares e civis dos ex-territórios.
O discurso do governo é o mesmo: o ajuste fiscal para diminuir o rombo nas contas públicas. E o ‘modus operandi’ também: o trabalhador paga o déficit provocado, geralmente, pela malversação do dinheiro público.
Por enquanto, as medidas são restritas aos servidores públicos federais. Mas os demais trabalhadores já podem colocar as barbas (e os cabelos) de molho. Essa moda pega!
Vem coisa ruim por aí – extensiva a todos nós, que pagamos os pato.
Que ruflem as panelas!

Gafieira Caprichosa é uma das atrações do II Festival Em Cantos de Alagoas

30 de outubro de 2017 • 5:02 pm

Divulgação

No cenário artístico cultural alagoano desde 2014, a banda Gafieira Caprichosa estará nesta terça-feira, no II Festival Em Cantos de Alagoas, com a missão de defender a música ‘Guerreira’, uma composição de Mikla Waltari, que será cantada na voz de Lima Neto.

A música é belíssima. Tive oportunidade de ver e ouvir uma interpretação da cantora Ismair Martins – que inspirou a composição e deu nome ao show – Guerreira, apresentado na semana passada, no projeto Quinta no Arena, onde a música brilhou como destaque, num repertório movimentado pela ginga do samba e do choro.

Aliás, não é a primeira vez que o grupo Gafieira Caprichosa consegue emplacar uma composição entre as boas músicas alagoanas selecionadas para o Festival Em Cantos, da Secretaria de Cultura. Em 2016, a música ‘É Gafieira que Chegou Pra Ficar’, também garantiu seu lugar entre as vinte composições que farão parte de um CD que será lançado ainda este ano.

Idealizada e dirigida pelo músico (trompetista de respeito) Siqueira Lima, a Gafieira Caprichosa é composta em sua formação principal com voz, violão, cavaquinho, baixo, bateria, percussão (surdo, pandeiro, efeitos) e três metais (trompete, trombone e sax) e nasceu com o intuito de fomentar a dança de salão nos mais diversos estilos rítmicos existentes dentro do samba e do choro, com um toque bem alagoano, executando preferencialmente músicas de autores da terra ou que, de alguma forma, se identifiquem com a Cultura local: No repertório ‘desfilam’ com desenvoltura composições de Antônio Purílio, Eliezer Setton, Ibys Maceioh, Juvenal Lopes, Chico Elpídio, Sorriso Maceió, Humberto Torres, Mikla Waltari e Lima Neto, entre outros.

O II Festival Em Cantos de Alagoas acontece a partir das 19h, nesta terça (31), no Teatro Gustavo Leite.

Quer mais? É gratuito.


Os fantasmas não se divertem! O mesmo roteiro com novos personagens

26 de outubro de 2017 • 12:32 pm

Os fantasmas rondam novamente a Assembleia Legislativa alagoana – se é que algum dia eles deixaram de perambular entre as grossas paredes dos gabinetes de deputados (e não dos deputados – para não generalizar), que ocupam a chamada Casa de Tavares Bastos.

Na maioria das vezes essas almas penadas vagam sem a menor ciência da própria existência e menos ainda do envolvimento involuntário em tenebrosas transações promovidas por parlamentares vampiros, políticos inescrupulosos que, não satisfeitos com o volume de recursos que recebem do erário – em forma de subsídio, gratificações, ajuda de custo, verba não sei de que – querem mais e mais. E enxertam a folha de pagamento para engordar criminosamente a conta bancária, desviando recursos.

Agem na surdina, mês após mês; ano após ano, até que – Oooooh! – entre uma parede e outra, são flagrados por policiais federais em operações típicas de caça-fantasmas.

A deputada Thaíse Guedes, indiciada 25 vezes pelo crime de peculato, é a primeira da lista cujo depoimento na Polícia Federal, nesta quarta-feira (25), deveria passar despercebido, mas tornou-se de conhecimento público quase por acaso. No meio do caminho tinha uma ‘pedra’ chamada imprensa – que ela tratou quase a pedradas.

Pelo que foi apurado até agora, a PF teria encontrado ligações (sobrenaturais?) entre a deputada ‘valente’ e alguns fantasminhas, que já renderam prejuízos de aproximadamente R$ 15 milhões ao erário, em pagamentos de salários e gratificações irregulares, por meio do esquema, que envolve, segundo a PF, outros deputados igualmente espertos e inescrupulosos, e muita gente que vive na miséria e nem sabe o volume de dinheiro que seu nome movimenta.

As principais vítimas desse esquema – além do erário – são pessoas humildes, que na boa fé entregam documentos para políticos, na esperança de um encaminhamento para uma vaga de trabalho ou algum benefício e acabam caindo no esquema. Uma ‘servidora’ que, segundo apurou a Polícia Federal, teria recebido R$ 140 mil pelo gabinete da deputada, declarou em seu depoimento que nem sabia da existência e da movimentação dessa dinheirama em seu nome. Disse à PF que havia entregue os documentos pessoais à deputada na esperança de que ela encaminhasse seu currículo a pessoas de seu conhecimento, para conseguir um emprego. Nunca conseguiu, a não ser o de ‘servidora fantasma’ da Assembleia Legislativa.

Por enquanto, além de jogar seus seguranças contra a imprensa, a deputada nada esclareceu sobre o episódio. Sua assessoria informou que ela irá se pronunciar, por meio de nota, o que ainda não fez. Deve estar tentando traduzir mensagens psicografadas para explicar o inexplicável.

Ah, esses fantasmas e seus manipuladores que não deixam descansar em paz a alma do digníssimo Tavares Bastos, patrono do casarão da Praça Pedro II, que abriga os nossos ‘vivos’ deputados.


Salve-se quem puder. O voo razante da privatização nos aeroportos brasileiros

26 de outubro de 2017 • 12:48 am

Por meio de decreto federal publicado no Diário Oficial da União desta quarta-feira (25) o Governo Federal ratifica o interesse em privatizar o Aeroporto Zumbi dos Palmares situado na região metropolitana de Maceió, incluso no Programa Nacional de Desestatização (PND), que consiste em realizar a aquisição ou incorporação de empresas do setor público por empresas privadas, colocando-as sob gestão pública.

O anúncio aumenta com mais dez integrantes, a lista oficializada pela Secretaria de Aviação Civil (SAC), depois de colocar para leilão os aeroportos de Florianópolis, Fortaleza, Porto Alegre e Salvador. Na nova remessa constam, além de Maceió, os aeroportos de Belém, Cuiabá, Curitiba, Foz do Iguaçu (PR), Goiânia, Manaus, Recife, São Luís e Vitória, totalizando em 14 o numero de aeroportos destinados à privatização.

Com essa atualização o Governo Federal tem a intenção de deixar sob o comando da Infraero apenas aeroportos de pequeno porte, que depois deverão ser repassados às respectivas prefeituras, que por sua vez poderão fazer o que bem entenderem desses equipamentos, inclusive leiloar. Vai ser um festival.

Protestos existiram e irão existir, mas o governo federal – mais acentuadamente na atual gestão – tem demonstrado uma surdez absurda em relação à voz das ruas – que por sua vez tem se transformado em meros sussurros que tentam alertar, por exemplo, para a precarização característica de algumas áreas do setor privado, onde existe o maior número de acidentes do trabalho, desemprego e descumprimento de normas trabalhistas, como diz Samuel Santos, diretor do Sindicato dos Aeroportuários em Alagoas.

Mas em sua decisão absoluta, o governo federal tem argumento pra tudo: “As empresas europeias que concorrerão à privatização são tradicionais em administrar aeroportos em diversos países em todo mundo”, disse o Ministro dos Transportes Maurício Quintela.

A expectativa do governo, em seu projeto de vender o patrimônio público, é de arrecadar R$ 2 bilhões com essas privatizações. Na compensação, a promessa de investimentos. Fala-se, por exemplo, em quase R$ 500 milhões de investimentos no aeroporto Zumbi dos Palmares, valor que dificilmente se conseguiria no setor público, segundo o argumento do governo.

A expectativa do povo? … Perguntinha difícil no dia de hoje.

O  povo está a temer que no final das contas, após a passagem do furacão Michel, não sobre pedra sobre pedra pra chamar de ‘nosso’.


Guerreira: Ismair Martins se apresenta nesta quinta, no Arena

15 de outubro de 2017 • 7:46 pm

Com um nome consolidado na produção cultural de Alagoas a cantora Ismair Martins é a atração da semana, do projeto Quinta no Arena (dia 19), com o show ‘Guerreira’. O repertório, focado na força, na luta e no amor da mulher, vem recheado de sambas e chorinhos – alguns de compositores alagoanos – e revela uma força especial vinda da mistura de histórias de vida e relações pessoais da artista.

Ismair Martins traz a marca de grandes produções musicais, em cenários como o Cantoria e os encontros de Choro onde costuma reunir ícones da música alagoana. E faz Samba e Choro em sua melhor forma: Cheia de energia e mantendo as raízes, a influência e o gingado da MPB.

Roteirizado pela própria Ismair, em parceria com o músico Siqueira Lima, o Show Guerreira contará com a participação especial de grandes nomes da música alagoana, dentre eles Ibys Maceioh,  Everaldo Borges, Wellington Pinheiro, Mikla Waltari, Chico Fideles, Ely Rodrigues, Zailton Sarmento, Siqueira Lima e Juarez Gonçalves.

O show Guerreira caminha entre o vigoroso e o envolvente e a produção garante: É satisfação garantida.

Vamos lá?

(*) Com informações de assessoria