Fátima Almeida

Jornalista, graduada pela Universidade Federal de Alagoas, foi presidente do Sindicato dos Jornalistas de Alagoas, membro da Comissão de Ética da entidade e diretora da Federação Nacional dos Jornalista. Vinte e poucos anos de profissão, alguns prêmios, atuação multieditorial em diversos veículos, larga experiência em jornalismo político. Hoje, aprendiz de blogueira.

Mais uma vez o Bolsa Família: o saco sem fundo da corrupção

4 de Janeiro de 2018 • 1:46 pm

Em uma auditoria realizada pela Controladoria-Geral da União (CGU) no programa Bolsa família foram identificados 345.906 casos com indícios de fraude (de novo o velho problema), entre eles beneficiários que estariam fora das regras por terem rendimentos acima do padrão estabelecido de renda mínima (R$ 170,00) para ter acesso ao programa.

Os indicativos fraudulentos mostram servidores públicos, pessoas com casa própria e carro na garagem, famílias com renda de quase R$ 2 mil por pessoa. Tudo isso junto, resulta num cálculo de R$ 1,3 bilhão em benefícios pagos indevidamente a quem não tinha direito, um prejuízo que não é só para o erário, mas também para milhares de famílias que vivem em situação de pobreza e miséria e poderiam estar recebendo a Bolsa Família para aliviar a fome.

O pente fino foi realizado a partir da percepção de problemas detectados no cruzamento de informações sobre CPF e renda de núcleos de beneficiários, mostrando incompatibilidade com os princípios e as regras do programa. E todas as informações foram repassadas ao Ministério do desenvolvimento Social (MDS).

De acordo com o levantamento, São Paulo, com 58.725 casos, Bahia com 39.759, Rio de janeiro com 29.599 e Pernambuco com 26.839, lideram a lista dos Estados com maior número de fraudes.

Vale lembrar o recado do secretário federal de controle interno da CGU, Antônio Carlos Leonel, dizendo que “aqueles que recebem dinheiro de forma irregular estão sendo procurados e podem (e devem) ser responsabilizados”. Mas seria ótimo ouvir também do os funcionários responsáveis (direta e indiretamente) pela inserção de cadastros irregulares no programa serão procurados e penalizados, para acabar com essa quadrilha de fraudadores.

REINCIDÊNCIA

Não é a primeira vez (e provavelmente não será a última), que são identificados indícios de fraudes no Programa Bolsa Família (e nem será a última), nos últimos dois anos, em pelo menos três ocasiões, foram detectadas irregularidades nos cadastros da Bolsa Família.

No final de 2016 publicamos no site (Eassim.net) um ‘raio-X’ mostrando  que no período de 2013 à 2016 foram detectados cadastros suspeitos de irregularidades como mortos, funcionários públicos e empresários recebendo do programa, com um saldo de 13.936 casos considerados suspeitos.

Em janeiro de 2017, 394.627 famílias alagoanas recebiam a Bolsa Família, devido à situação de vulnerabilidade declarada em cadastro. Em julho (coisa rápida!) o número de beneficiários caiu para 377.698 – quase 17 mil pessoas – possivelmente consequência do aperto do governo federal com as investigações.

Mas não bastam as notícias de fraudes e investigações. A sociedade também precisa saber se alguém foi responsabilizado criminalmente.


No calor do Festival de Verão, a introdução é fumaça e fogo

3 de Janeiro de 2018 • 4:21 pm

Mais um embate entre a Prefeitura de Maceió e vendedores ambulantes marcou o final da tarde de ontem (02). O motivo? A distribuição, a limitação e a localização dos pontos de vendas oferecidos pela Prefeitura para os eventos do Festival de Verão. Mas, principalmente, a falta de informações precisas sobre as decisões da Prefeitura. É o que parece!

Os ambulantes estão sendo cobrados numa taxa de R$ 200. Tudo bem, até ficarem sabendo que, mesmo pagando, serão barrados na festa. Terão que ficar na periferia do evento, o que gerou insatisfação e o protesto, com fogo, fumaça e uma grande confusão no trânsito do principal corredor da orla, no sentido Jaraguá. Confusão que causou transtornos para quem fazia o caminho de volta pra casa, após um dia de trabalho, e alguns acidentes entre veículos que transitavam no local.

A impressão que se tem é de que faltou diálogo, entendimento, esclarecimento prévio.

Ambulantes com anos de labuta reclamam que a Prefeitura exigiu um cadastro; o pagamento da taxa; e só depois – na hora de pegar a permissão – descobriram que só terão direito a trabalhar do lado de fora. O privilégio de ficar do outro lado (dentro da festa) será concedido a comerciantes cadastrados por uma empresa privada que venceu licitação para distribuir os pontos de vendas dentro do evento, segundo explicações da Secretaria Municipal de Segurança e Convívio Social (Semscs). Ela de novo!

A mesma Secretaria que na semana passada gerou polêmica com a retirada – também sem diálogo prévio e explicação lógica – dos dispensers de sacos de lixo colocados pelo Instituto do Meio Ambiente (IMA) para recolhimento de sujeira nas praias de Maceió.

No caso dos ambulantes, a Secretaria informa que as 70 vagas disponibilizadas foram preenchidas. Em relação à taxa cobrada, explica que ela está prevista no Código de Posturas de Maceió, cujo valor é definido pelo Código Tributário, variando de acordo com o espaço utilizado pelos ambulantes e pelo tipo de produto comercializado. Em relação ao espaço interno do evento, esclareceu que a comercialização de produtos é de responsabilidade da empresa vencedora da licitação para esse fim.

Ah bom. Mas será que isso estava claro desde o início para os vendedores ambulantes?

Acho que não. Se houvesse entendimento prévio, não haveria expectativa e nem resultaria em protesto.


Final de ano ‘ruinzinho’. Quando os rigores da lei se confundem com a política

29 de dezembro de 2017 • 11:27 am

Retirada das placas causou polêmica

O que acontece com o Prefeito Rui Palmeira? Final de ano, o sentimento natalino ainda reinando na mente das pessoas de boa vontade; o clima de harmonia e paz fazendo ninho no coração daqueles que botam fé e esperança no novo ano que se aproxima, e o Executivo municipal comprando briga por todo lado.

Primeiro foi o episódio envolvendo o Tribunal de Contas. O prefeito saiu do costumeiro tom de menino bonzinho e tocou fogo na relação institucional, acusando a presidente Rosa Albuquerque de estar agindo politicamente, nas decisões do TCE. Rosa respondeu no mesmo tom, qualificando de ‘irresponsáveis e levianas’ as declarações do prefeito.

Pela disposição declarada dos dois lados, o caso deve parar na Justiça quando 2018 chegar.

Mas nem bem a poeira baixou, novamente a Prefeitura, numa atitude impensada, compra uma nova briga desnecessária com o Instituto do Meio Ambiente (IMA), com a inexplicável retirada das placas instaladas na orla pelo órgão ambiental do Estado – com mensagens educativas e dispensers de sacos de lixo para estimular os banhistas a não deixarem sujeira na praia.

A Prefeitura alegou falta de autorização para a colocação das placas – como se, nesse caso, o uso rigoroso da burocracia e dos ‘ditames’ da lei pudesse justificar a decisão (visivelmente política) de desfazer uma ação positiva para o meio ambiente. Na verdade, a disposição dos sacos de lixo é uma boa prática que já deveria ter o apoio da Prefeitura, senão como iniciativa própria – já que o projeto Nossa Praia é do Estado e está na terceira edição – pelo menos por adoção, como parceira.

Retirar o material educativo com a alegação de que não tinha autorização e atrapalha os banhistas foi uma tremenda bola fora que repercutiu muito mal para a Prefeitura, provando que, nesses arroubos da política, nem sempre se consegue o efeito esperado. Tem vezes em que a flecha volta contra o próprio atirador. Principalmente quando se tem tanto telhado de vidro, como o lixo e os obstáculos que atrapalham o passeio público e aquelas conhecidas nesgas de esgoto que ainda escorrem mar adentro, em alguns pontos da orla de Maceió.

E n caso das placas, o IMA soube aproveitar muito bem a repercussão a favor do Estado. E prometeu para hoje um mutirão ‘com apoio da população’, para recolocar as placas com os dispensers de sacos de lixo na orla de Maceió. Mandou ver.

E a Prefeitura silenciou sobre o assunto. Terá reconhecido o erro estratégico? Ou percebido que, em certas situações, o melhor é recuar pra na perder a batalha…

Fato é que o Prefeito está surpreendendo com esse novo perfil ‘arengueiro’, que vai se acentuando junto com o ano de 2018, que já vem bem ali.

Será a aproximação das eleições mexendo com o mapa astral de sua Excelência?


Os indultos de natal de Gilmar Mendes:  A ‘generosidade’ que macula a Justiça

21 de dezembro de 2017 • 1:16 am

Ministro do STF, Gilmar Mendes – REUTERS/Ueslei Marcelino

A generosidade (digamos assim) do ministro Gilmar Mendes a favor de influentes presos da Lava Jato e outras operações tem incomodado bastante. Não apenas no STF, onde tem gerado acirrados bate-bocas com outros ministros, mas também nos arredores da Corte Suprema e num raio de alcance de toda a nação brasileira – onde quer que esteja um cidadão torcendo que a Justiça cumpra seu papel no combate aos atos de corrupção da turma da propina.

Especialmente esta semana, o polêmico magistrado, que responde também pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na condição de presidente, está inspiradíssimo – talvez envolvido com o espírito natalino. A decisão de mandar soltar o ex-governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho, no final da tarde desta quarta-feira (20), foi apenas mais uma da série de decisões benevolentes tomadas esta semana, favorecendo presos e investigados em operações de combate ao chamado crime de colarinho branco.

Garotinho foi preso mês passado, acusado de corrupção, organização criminosa e prestação falsa das contas eleitorais. Ele nega tudo, claro!

Também foi beneficiado com o ‘indulto natalino’ de Gilmar Mendes, o ex-ministro dos Transportes, Antonio Carlos Rodrigues, presidente do PR (mesmo partido de Garotinho), e preso na mesma operação, suspeito de negociar com o frigorífico JBS a doação de dinheiro oriundo de propina para a campanha do ex-governador em 2014.

Só esta semana, oito pessoas investigadas foram contempladas com o saco de bondade do ministro do Supremo e do TSE.

BOM VELHINHO

A benevolência de Gilmar tem gerado protestos – coletivos e personalizados. Ontem, os procuradores Carlos Fernando dos Santos e Deltan Dallagnol manifestaram em diversos canais, inclusive pelas redes sociais, indignação e sinais de que a paciência está se esgotando, e com justa causa.

“Hoje, os ministros do Supremo, Dias Toffoli e Gilmar Mendes, soltaram Adriana Ancelmo, salvaram Beto Richa de investigação e livraram de se tornarem réus o senador Benedito de Lira e os deputados Arthur Lira, Eduardo da Fonte e José Guimarães. Ficou vencido o relator dos casos – quem melhor os conhecia – o ministro Fachin”, manifestou ontem Dallagnol, depois que a caneta do Dr. Gilmar abriu as portas da liberdade para a turma de investigados da Lava Jato e outras operações.

“Gilmar Mendes encarnou o próprio Papai Noel. Pena que mais uma vez o presenteado não seja a população brasileira”, escreveu Carlos Fernando em sua conta no Facebook, criticando também o privilégio concedido pelo ministro, ao determinar a suspensão das investigações sobre alguns suspeitos. Como disse Dallagnol: “É o velho sistema de justiça criminal disfuncional mostrando as garras da impunidade”.

Pode vir mais coisa por aí. Ainda faltam quatro dias para o Natal, e tudo se pode esperar desse ‘generoso’ Papai Noel da Justiça, cuja ex-mulher, Samantha Ribeiro Meyer, foi nomeada ontem, pelo Presidente Temer, para um mandato de dois anos e meio como conselheira de Itaipu.

Nada a ver com as boas relações de poder mantidas por Gilmar, claro!


A doce e cara merenda na escolinha da Justiça

16 de dezembro de 2017 • 8:30 am

Num país desestruturado, encharcado pela corrupção e marcado pelas enormes desigualdades sociais, está cada vez mais difícil acreditar nas instituições públicas.

De um lado, uma faixa da população (cerca de 25 milhões de pessoas, segundo o IBGE), vive em situação de extrema pobreza, com renda de até R$ 220 por mês. Do outro, uma faixa de privilegiados, que regam seus altos salários, pagos pelo erário, sobretudo nas estruturas do Legislativo e do Judiciário, com vantagens, penduricalhos e manias que, de tão acintosas e repetitivas, parecem inalcançáveis à indignação do povo brasileiro. Caíram no lugar comum.

Um exemplo disso é a licitação aberta pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), com gasto estimado em R$ 468 mil, para o fornecimento de lanche de “primeira qualidade”, para os ministros e desembargadores, durante os próximos 12 meses.  É quase meio milhão de reais gastos com o ‘cafezinho’ dos membros da corte de Justiça. Um combinado de pães, biscoitos e outras iguarias, sucos, frutas, vários tipos de queijos e café em cápsulas da marca “ILLY-Iperespresso”.

Isso mesmo. O pessoal da ‘Justiça superior’ não é chegado àquele velho cafezinho coado – paixão da maioria dos brasileiros. A moda do momento são essas cápsulas, para as quais o edital prevê um gasto de R$ 21.533,44.

Mas o limite do absurdo está mesmo nas exigências, muito bem observadas pelo colunista Lauro Jardim, de O Globo, sobre o luxuoso café que a turma do STJ está preparando para 2018, com imposições que beiram o cúmulo do ridículo, no detalhamento de cada item da ‘cesta básica’.

O abacate, por exemplo (certamente a fruta mais saboreada na corte, já que o edital prevê consumo de aproximadamente 60 quilos por mês), precisa ter “casca verde a violeta, lisa, fina, fosca e sem sinais de rachaduras ou amassaduras” e sua polpa deve ser “verde amarelada, que ceda ao leve toque sem amassar”. Ah, e tem as medidas, também: A fruta deve ter, no mínimo 700g, e 30 cm de diâmetro. E as bananas ‘devem ter casca amarela, integra, com pouca ou nenhuma mancha preta’. Detalhe para a descrição do sabor, que deve ser ‘doce e suavemente ácido’. Dá para imaginar a seleção?

Tá explicado, né?  Juntando tudo no mesmo balaio, o STJ vai gastar com a merenda de suas Excelências, uma média de R$ 39 mil por mês. Considerando 22 dias úteis, são aproximadamente R$ 1.700 de lanche por dia (isto sem considerar os dois recessos anuais, em que a turma não trabalha).

Você pode dizer: mas isso dá uma média de R$ 50 para cada membro do STJ, por dia. Pode até considerar razoável. Até seria, se não fosse a realidade daqueles 25 milhões de brasileiros que, com renda de R$ 220 por mês, têm que se virar com menos de R$ 7 por dia, pra TUDO.

Até seria razoável, se os ministros e desembargadores pagassem do próprio bolso. Afinal, o salário de um membro do STJ dá bem pra pagar o próprio lanche, né não?

Mas, pra que pagar, se podem jogar tudo na conta do erário de um país que vive uma de suas piores crises, em todas as suas vertentes: financeira, política e institucional.

E o motivo, todo mundo já conhece…


Em tempos de intolerância, Papai Noel tem que andar com segurança

13 de dezembro de 2017 • 4:48 pm

Quem, quando criança, não passou as festas natalinas pensando no presente que iria receber do Papai Noel? Mesmo os que sabiam ou desconfiavam que o bom velhinho era, ninguém mais, ninguém menos que o pai ou a mãe, a fantasia e a ansiedade alimentava a expectativa pelo presente de Natal.

A tradição nascida no norte europeu tornou-se praticamente universal e atravessou gerações, alimentada pelo mesmo intuito de presentear alguém querido; de fazer a alegria da criançada. Mas hoje, fomentada, principalmente, pelo consumismo, a imagem do bom velhinho, inspirado no espírito de bondade, generosidade e caridade de um religioso nórdico que deixava presentes na porta da casa de famílias pobres, parece estar perdendo o foco do verdadeiro sentido – a solidariedade. E muitas famílias nem lembram que o Natal significa nascimento; a vinda ao nosso mundo do Menino Rei; do nosso mestre Jesus Cristo.

Estamos nos tornando secos de sensibilidade e nos contaminando pela intolerância. A mesma que levou um grupo de crianças e adolescentes da cidade de Itatiba (SP) a atacar com pedradas um Papai Noel voluntário, que desfilava de trenó pelas ruas do bairro Porto Seguro, distribuindo doces para os moradores. Foi só as guloseimas acabarem, para a fantasia dar lugar à realidade de um mundo violento e intolerante, que não ousa mais sonhar. As crianças expulsaram o Papai Noel a pedradas.

Os voluntários da boa ação não tiveram ferimentos no corpo – apenas na alma – que aprendeu, a duras pedras, que a intolerância e o ódio estão suplantando o amor e a solidariedade, até mesmo no Natal.

Só nos resta pedir a Jesus que faça renascer a força e a fé nos homens e mulheres de boa vontade. E aos que se deixaram contaminar pelo ódio e a pela intolerância, sejam eles adultos ou crianças, resta-nos elevar um prece com as mesmas palavras de Jesus: “Pai, perdoai-lhes, eles não sabem o que fazem”.


Quando a ‘emenda’ piora o soneto e ninguém consegue dormir!

8 de dezembro de 2017 • 10:34 am

Tento entender, eu juro. Até consigo acreditar no lado bom do ser humano, mas, sinceramente, é difícil – quase impossível – vislumbrar indícios de honestidade e boas intenções nesse Governo que aí se encontra, ocupando o Palácio Central.

Vamos logo desenrolar o carretel das emendas parlamentares pra ver se alguém tem dúvidas sobre as intenções do Presidente Temer. Havia um valor previsto para liberação de emendas individuais, que era de R$ 6,78 bilhões, e de R$ 3,41 bilhões para emendas da bancada. Mas, na onda do ‘toma-lá-dá-cá’ com que o Governo tem se movimentado na sua relação com o Congresso, nada tem limite.

Quem não lembra da avalanche que movimentou os meses de junho e julho, em função da denúncia da Procuradoria-Geral da República contra o presidente Temer? Pois é; com tantos votos comprados – trocados por emendas e outras benesses a parlamentares e partidos políticos – o Governo já havia empenhado mais de R$ 5,8 bilhões, só em emendas individuais. Não comportaria mais outro grande ‘investimento’ visando à aprovação de projetos, tendo as emendas como moeda de voto, certo? Errado!

O REMENDO

Agora, novamente com a corda no pescoço, diante da resistência (inclusive na sua base) ao modelo de reforma que ele quer para a Previdência Social, Temer parte para o vale tudo. Aposta todas as fichas, inclusive as que não tem, para mostrar que existe dinheiro pra tudo – inclusive para comprar consciências e enterrar o direito de milhões de brasileiros à proteção do benefício previdenciário – só não existe para salvar a Previdência.

E resolve ‘remendar’ as regras de concessão de emendas, aumentando, por Decreto, a margem disponível para contemplar seus deputados. De R$ 6,78 bilhões, o limite individual passou a ser R$ 7,18 bilhões; já o limite de emendas de bancada passou de R$ 3,41 bilhões para R$ R$ 3,60 bilhões. Um aumentozinho básico de R$ 600 milhões; coisa à toa para um país que se diz quebrado ao ponto de ‘precisar’ suplantar, de forma ostensiva, os direitos dos trabalhadores.

SIRENE LIGADA

Não se trata apenas de um ajuste na equação, mas também na metodologia de barganha de votos, para um resultado melhor, já que a distribuição de ambulâncias não surtiu o efeito desejado. Ops, o que essas ambulâncias estão fazendo aqui? Sim, elas também viraram moedas nas negociatas do Governo em busca de apoio. Ou alguém ainda não sabe da oferta tentadora feita pelo Presidente Temer aos deputados, de frotas de ambulâncias para os seus municípios base, já no limiar das negociações pela votação da reforma previenciária?

CARGA TOTAL

Com emenda ou de ambulância, na tropa de choque do Palácio, ninguém está dormindo em serviço. O Governo segue com a sirene ligada anunciando a emergência da cata de votos. Já foram gastas todas as moedas (ou será que resta mais alguma?) e o tempo é cada vez mais curto para barganhar. A perspectiva é de que a reforma entre em votação no próximo dia 18,  e apesar dos esforços, as últimas contas do Planalto mostram ainda um déficit de 44 votos no placar necessário para aprovar a PEC da reforma da Previdência. Teria 266 votos, quando precisa de, no mínimo, 308. (Há contas muito mais pessimistas pro lado do Governo).

ZUADA

Com tudo isso acontecendo na ‘Casa de Noca’ – barganha política, negociatas, aumento de verbas para emendas, distribuição de ambulâncias, jantares em gabinetes, sabe-se lá com quem pagando…

Diga aí: Quem consegue dormir com uma zoada dessa!


Reforma da Previdência: R$ 3 bilhões para as prefeituras, e a farra continua

5 de dezembro de 2017 • 11:22 pm

Atenção, atenção! Parem tudo; liguem o alerta! O que o Governo Federal está fazendo para aprovar a reforma da Previdência é o que? Barganha política, compra de voto ou pura chantagem? As três coisas, eu diria… Tipo assim: os prefeitos pressionam seus deputados para votar a favor da reforma da Previdência e, se for aprovada, terão, no próximo ano, um aporte de R$ 3 bilhões na conta.

Tá valendo. Caso contrário, nada desse rico dinheirinho.

O problema – além do volume de recursos ‘facilitados’, digamos assim – é mesmo de crença nas instituições. Como acreditar em um governo que escancara a imoralidade e não faz a mínima questão de esconder essa barganha tão escabrosa?

Será que precisamos mesmo de R$ 3 bilhões para aprovar a famigerada reforma? Com o país em crise e a Previdência ‘falida’, como propaga o governo; com parte dos financiadores das negociatas oficiais, na cadeia, e outra parte sendo investigada; de onde virá o dinheiro para ‘molhar’ a mão de políticos corruptos em troca de apoio para a reforma da Previdência?

A ideia, segundo disse hoje o ministro Eliseu Padilha, é que os prefeitos mobilizem seus parlamentares, “e se a reforma da Previdência passar, ano que vem o governo fará esse repasse para os municípios”, simples assim.

É como se não fosse nada demais… Mas, vê bem se não parece a conhecida compra de votos feita em eleições pelo Brasil afora – onde o político negocia vantagem, geralmente em dinheiro, em troca de apoio, e amarra o pagamento a uma possível vitória eleitoral, prática condenada como corrupção, pela Justiça Eleitoral.

Mas no Governo Federal faz e declarada publicamente, sem o menor pudor.

Bom, hoje 220 deputados se declararam contrários à reforma da Previdência. Muitos deles já começaram a receber telefonemas apelativos de prefeitos de suas bases.

O resultado da votação dirá qual prefeito se empenhou mais!


Collor teria um irmão não reconhecido. Será?

3 de dezembro de 2017 • 2:52 pm

Uma reclamação de reconhecimento de paternidade está causando reboliço no clã dos Collor de Mello e deve remexer no túmulo do patriarca Arnon de Mello.

Deu na Coluna Expresso, do jornalista Marcelo Rocha, publicada na manhã deste domingo  (3), na revista Epoca:

“Um juiz de Brasília determinou a exumação dos restos mortais de Arnon de Mello, pai do senador Fernando Collor(PTC-AL). A decisão é fruto de um processo de investigação de paternidade movido por um homem. A família de Collor – dona de emissora de TV, rádios, jornal, instituto de pesquisa e imóveis – tenta barrar a medida ao argumentar que será um constrangimento. Arnon, que morreu em 1983, teve cinco filhos com Leda Collor de Mello”.

De fato, uma situação nada confortável para a família Collor, a essa altura da vida.

A vida tem dessas coisas…

 


Uma bactéria mata o ex-deputado estadual Cícero Ferro

2 de dezembro de 2017 • 8:14 am

Uma parada cardiorrespiratória provocada por uma bactéria, venceu um dos mais polêmicos deputados que passaram pelo parlamento alagoano. Cícero Ferro faleceu na noite desta sexta-feira (1º) na Santa Casa de Misericórdia de Maceió, onde havia dado entrada à tarde com um quadro de infecção pulmonar provocado por uma bactéria.

Cicero Ferro: morto aos 63 anos

Ele já vinha lutando contra a doença há alguns meses, mas o quadro vinha se agravando, até resultar na sua morte por insuficiência cardiorrespiratória, segundo informações de familiares.

Conhecido principalmente pelas acirradas disputas políticas no sertão alagoano, algumas delas resolvidas à bala, Ferro sobreviveu a alguns atentatos, um deles, em janeiro de 2004, quando foi atingido por 8 tiros, numa emboscada. Também foi acusado de participação, como mandante, em alguns outros atentados, um deles que teria vitimado seu primo Jacó Ferro.

Médico, natural de Minador do Negrão, o ex-deputado sempre teve um papel de protagonista na política alagoana, apesar das polêmicas que marcaram sua vida pública. Em 2007, estava entre os deputados presos pela Polícia Federal, numa investigação de desvios de mais de R$ 300 milhões da Assembleia Legislativa, conhecida como a Operação Taturana.

Após uma sequência de vários mandatos políticos, ele voltou a se candidatar a deputado estadual em 2014,  pelo PRTB, mas não conseguiu se eleger. Obteve 13.593 votos, ficando na suplência.

Segundo familiares o corpo de Cícero Ferro estará sendo velado até as 15h deste sabado, no Parque das Flores, em Maceió, e depois será conduzido para Recife, onde será cremado.