Marcelo Firmino

Marcelo Firmino é jornalista e publicitário com passagens em vários veículos de comunicação de Alagoas e do País. Foi presidente do Sindicato dos Jornalistas no Estado e Secretário de Comunicação da Prefeitura de Maceió. Nesse espaço reportará e analisará os fatos que influenciam na vida sociedade.

Aécio Neves: PSDB vai sair do governo com fidalguia e respeito

23 de novembro de 2017 • 11:30 am

E o senador  Aécio Neves (PSDB-MG), cultuado como o rei da tucanada, saiu das sombras nestas quarta-feira, 23, para anunciar aos seus súditos que “já está na hora do PSDB deixar a base de partidos aliados do Presidente Michel Temer”.

Do alto de sua “autoridade moral“ , o senador já se propôs a ter uma conversa com Temer em Palácio para fazer o desembarque “adequado” do governo.

Aécio vai discutir com Temer a forma adequada

Aécio não explicou o que seria “adequado” para esse desembarque, quando se sabe que os tucanos patrocinaram a derrubada de Dilma Rousseff e logo em seguida abocanharam 4 ministérios e uma infinidade de cargos no Planalto, os quais lhes foram entregues pelo presidente que iria acabar com a corrupção no Brasil, segundo as antigas manifestações de rua.

Mas, obviamente, que de adequação Aécio Neves e Michel Temer entendem muito bem. Se as malas de dinheiro que receberam da JBS falassem, todos, naturalmente, saberiam o significado real do termo “adequado” neste caso.

Principalmente por que ambos conseguiram adequar direitinho a situação no Congresso Nacional e na justiça federal, apesar das denúncias do Ministério Público Federal contra a prática da corrupção explícita em que se envolveram, com direito a gente correndo com mala de dinheiro pelas calçadas e ruas de São Paulo.

O senador diz agora que a saída deve se dar com “fidalguia” e de maneira “respeitosa” como foi à entrada no governo.

Está claro, portanto, que “respeito” é um substantivo que sua excelência o senador mineiro não sabe exatamente o que é.

 

 

 


Renan Filho questiona o que foi feito com os R$ 2 bilhões de empréstimos

21 de novembro de 2017 • 12:10 pm

O empréstimo de R$ 2 bilhões que o governo passado tomou para sanar os problemas de Alagoas acabou agravando a saúde financeira do Estado, na visão do governador Renan Filho (PMDB).

Ele reuniu a imprensa e fez um balanço das atividades do seu governo nesta terça-feira, 21, no Palácio dos Martírios, quando questionou o que foi feito com o dinheiro que foi tomado emprestado durante o governo de Teotônio Vilela Filho (PSDB).

Renan Filho citou por exemplo que com os R$ 2 bilhões poderia ter sido duplicada a rodovia de São Miguel dos Campos a Arapiraca, que custaria pouco mais de R$ 100 milhões. “Mas não fizeram e agora vamos fazer”, disse.

Ou ainda, segundo ele, poderia ter resolvido o problema do abastecimento de água da cidade de Inhapi, que há anos sofre com a falta de água nas torneiras. “Mas nada foi feito e na próxima semana vamos inaugurar”, reagiu.

Renan Filho: otimismo para 2018

Mas com o empréstimo, chegou à conclusão que a gestão passada poderia ter construído um novo hospital, uma nova maternidade, enfim, dinamizado o atendimento na saúde pública em um Estado cujo número de leitos é inferior aos de Sergipe e João Pessoa. Mas, nada.

Embora, Alagoas seja o quinto Estado mais endividado da Federação, Renan Filho destacou que seu governo está construindo o Hospital Metropolitano, o Hospital da Mulher, em Maceió, além de hospitais regionais.

Não fizeram, destacou o governador, nenhuma escola em tempo integral e nem construíram sequer um ginásio de esportes.

O governo atual, disse ele, gastou R$ 64 milhões dos seus próprios cofres e construiu 65 ginásios de esportes e já tem projetados mais 35 para o próximo ano.

Renan Filho se disse otimista quanto ao rumo do governo no futuro, principalmente por que conseguiu renegociar o pagamento da dívida herdada dos governos anteriores, cujo serviço já foi de 21% no governo Ronaldo Lessa, “e nós conseguimos renegociar e estamos pagando atualmente cerca de 6%”.

Graças a isso, disse, o seu governo tem conseguido atuar com o programa de melhoria da qualidade de vida nas grotas da capital, assim como tem trabalhado em melhores condições de mobilidade urbana em Maceió, “coisa que os governos anteriores nunca se preocuparam em fazer”.

 


Zuleido Veras faz uma reunião de amigos à bordo de jatinho em Macéio

21 de novembro de 2017 • 7:58 am

A pista do aeroporto Zumbi dos Palmares recebeu há menos de 30 dias uma aeronave particular que lá ficou durante horas recebendo visitantes ilustres.

A maioria políticos e velhos amigos do proprietário do jatinho. À bordo os pilotos e o dono muito famoso nas bandas de cá, mas que não queria ser visto em público por razões que a justiça bem conhece.

Quem é ele?

Zuleido Veras, o empreiteiro da Gautama. Aquele mesmo da Operação Navalha.

Operação que em 2007 desarticulou um esquema de corrupção relacionado a obras públicas em várias partes do Brasil, incluindo Alagoas.

Os grampos telefônicos de conversas entre Zuleido e autoridades alagoanas, no entanto, foram anulados no Supremo Tribunal Federal pela ministra Carmem Lúcia, em 2016. Segundo ela, eram provas coletadas ilegalmente.

Mas, o esquema de corrupção envolveu o desvio de mais de R$ 180 milhões, segundo o Tribunal de Contas da União (TCU).

Em Alagoas, a  investigação apurou irregularidades na obra de macrodrenagem do Tabuleiro do Martins, em Maceió, e um suposto superfaturamento de R$ 14 milhões, no governo passado.

Vários políticos foram envolvidos no esquema e denunciados no processo da Justiça Federal

Mas, o certo é que Zuleido fez, recentemente, um pouso em Maceió e foi abraçado pelos amigos de sempre, mas sem sair da aeronave.

O que conversaram nem as turbinas do jatinho testemunharam. Sabe-se apenas que alguns dos que estiveram no  jatinho são candidatos em 2018.

Hein?

 

 


O novo sonho da classe política no congresso: os jogos de azar no Brasil

14 de novembro de 2017 • 7:38 am

Sem as empreiteiras para escoar dinheiro nas campanhas eleitorais, nem para engordar com propinas as contas bancárias de uma enxurrada de políticos com mandatos, o Congresso Nacional passou a debater mais avidamente a legalização dos jogos de azar no País. A proposta está se tornando no novo sonho de consumo da classe política brasileira.

Dentro do Senado Federal, o maior defensor da legalização dos jogos é o senador alagoano Benedito de Lira (PP), que é autor e relator do projeto na CCJ – Comissão de Constituição e Justiça – onde redigiu parecer favorável.

Bingos e Cassinos: o novo sonho de consumo

Se a proposta passar, caberá à Caixa Econômica Federal operar o sistema, com bingos, jogo do bicho, cassinos, além das diversas máquinas que engolem o dinheiro alheio num piscar de olhos.

O presidente da Caixa, Gilberto Ochhi, indicado por Lira para o cargo, já defendeu no Senado que o banco entre como operador no projeto, que, segundo ele, deve arrecadar R$ 20 bilhões por ano.

Sem dúvida, é dinheiro para nunca mais político nenhum perder uma eleição.

No projeto, a proposta da legalização dos jogos fala na criação de um Fundo Nacional de Desenvolvimento da Segurança Pública (FNDSP). Ou seja, parte do dinheiro arrecadado com os jogos iria para a segurança.

Mas, é sabido que esse fundo já existe atualmente com um saldo superior a R$ 1 bilhão no orçamento de 2017, mas que quase não foi utilizado para combater a violência nas cidades brasileiras.

Portanto, o fundo é mais uma balela no jogo de interesses de quem salta os olhos quando o assunto é dinheiro fácil.

Agora fique aí a imaginar o que vai ter de político com Offshore e Trust nos paraísos fiscais da vida, vivendo o mundo dos sonhos e sem ouvir nem ruído de tampa de panela.

Aguardem só a hora do crupiê avisar: Senhoras e senhores, façam suas apostas!

 

 


Boiadeiros versus Dantas: uma história de poder e morte no sertão

10 de novembro de 2017 • 12:45 pm

Preto Boiadeiro, ou José Anselmo Cavalcante de Melo, filho do vereador Adelmo Rodrigues de Melo, ou Neguinho Boiadeiro, já deu o tom da conversa sobre “a guerra” familiar em Batalha, entre Boiadeiros e Dantas.

Ao acusar família Dantas de ser a responsável pelo assassinato do vereador Neguinho Boiadeiro, Preto, ao lado da mãe, Mércia Boiadeiro, sinaliza para o que estar por vir no sertão de Alagoas depois dos crimes desta quinta-feira, 9.

Esta é uma guerra antiga e envolve poder político, ego, dinheiro, entre outras situações características do “coronelismo” no sertão das Alagoas.

As famílias –  O clã dos Boiadeiros tem origem cigana. Mas, já foi aliado dos Dantas em épocas passadas. No entanto, os interesses contrariados levaram a um rompimento que culminou com mortes e mortes. Neste cenário, sempre pontuavam Dedé Boiadeiro, Laércio Boiadeiro, Neguinho Boiadeiro, Marcone Boiadeiro, Baixinho Boiadeiro e os mais novos, Pinto e Preto Boiadeiro. Neguinho já havia se candidatado em 2010 a prefeito de Batalha, mas perdeu a eleição para um candidato apoiado pelos Dantas. Já o filho dele, Pedro Boiadeiro se elegeu vereador.

Do outro lado, o clã do Dantas, tinha como figura central José Miguel Rodrigues Dantas, o Zé Miguel, morto há 18 anos.

José Emílio, ferido.

Líder político do sertão, Zé Miguel era o chefe da família de tradição no Estado. Elegeu-se prefeito de Batalha mais de uma vez e costumava ajudar a eleger deputados e governadores. Era cultuado e temido por aliados e adversários, exatamente como os Boiadeiros. A aliança com

Neguinho Boiadeiro: assassinado

ele e a família no sertão era meio caminho andado para uma eleição vitoriosa.

Politicamente, no entanto, o cérebro da família sempre foi agropecuarista Luiz Dantas. Foi deputado federal e deputado estadual por mais de um mandato e hoje é o presidente da Assembleia Legislativa. Luiz Dantas, contudo, não carrega consigo o estigma da violência. Dizem seus assessores que sofre em função dos desacertos de membros da família nessa área. Além dele, outro irmão, Antônio Dantas, médico e pecuarista.

Zé Miguel foi emboscado e assassinado em 1999. Segundo a polícia apurou o responsável teria sido José Laercio Rodrigues de Melo, o Laércio Boiadeiro. Na época foi morta também a esposa de Miguel, Mathilde Tereza Toscano. Laércio sempre negou a participação no crime, embora tenha sido condenado a 35 anos de prisão em um primeiro julgamento.

Zé Miguel deixou como herdeiros os filhos Cláudia Dantas, Paulo José e José Emílio, este último que saiu ferido na troca de tiros desta quinta-feira, com membros da família Boiadeiro. Os jovens Dantas, no entanto, não se interessaram pela política. Decidiram cuidar dos negócios da família. Na política só apoio ao tio Luiz para se eleger deputado.

Boiadeiros e Dantas, morando na mesma cidade e disputando poder político já se sabia que, em função do passado, um dia algo iria acontecer.

Em 2013, por exemplo, os irmãos boiadeiros José Anselmo e José Márcio foram a julgamento, acusados de participarem do assassinato de Samuel Theomar Bezerra e do sargento PM, Edvaldo Matos, que eram cunhado e segurança do ex-prefeito de Batalha, Paulo Dantas, este filho do deputado Luiz Dantas. O crime aconteceu em 2006.

Eis que agora a violência explode novamente e se não houver uma ação efetiva da polícia e da justiça para pacificar a região o sertão alagoano corre um sério risco de virar mar.

Mas um mar de sangue.


A guerra de Batalha pelas redes sociais: gerações dizimadas

10 de novembro de 2017 • 7:44 am

A violência que explodiu em Batalha com o assassinato do vereador Neguinho Boiadeiro, nesta quinta-feira, 9, ganhou as redes sociais na forma de uma guerra entre famílias, onde o sangue, como protagonista pelas versões diversas, inundava as ruas tingindo a vida e a morte de vermelho, para o cenário de horror  na terra sertaneja.

Pelas redes sociais, a ação criminosa em Batalha era uma festa. O gosto pelo sangue era evidente nas postagens de grupos e grupos. Imagens de um cidadão ensanguentado estendido na rua, ao invés de chocar fazia bem aos olhos de muitos.

Quem morreu e quem matou? Só faltou morrer o padre, por que até a mãe dele já havia tombado morta pelas balas que zuniam de lado. E ela teria caído à porta da igreja agarrada à imagem de São Jorge.

As “informações” corriam. E davam conta de que jovens Boiadeiros armados de fuzis, metralhadoras e revólveres de todos os calibres disparavam rajadas de balas contra casas, homens, mulheres, meninos e porcos.

Pelas redes sociais até as gerações dos Dantas, ainda para nascer, já haviam sido baleadas.

Pais, mães, filhos, noras e genros dos dois lados estavam em guerra na rua, enquanto nas calçadas o povo aplaudia para saber logo o lado vencedor.

-Eita, caiu um ali. É sicrano. Do outro lado tombaram dois: fulano e beltrano.

Mais imagem de sangue, sofrimento, dor, para o consumo ávido de desavisados que tomavam todas as “informações” como verdade absoluta.

A natureza humana doentia se expande pelos milhares de smartphones, aqui ou em qualquer lugar, a cada episódio que envolva violência ou bizarrice que, de preferência, cause prejuízo ou constrangimento a alguém.

Batalha, portanto, ganhou o mundo com sua guerra particular nas redes sociais.

E é bem possível que nesta sexta-feira, 10, tudo comece outra vez. Só que aí, talvez, ao som de Belchior: “Mate-me logo, à tarde, às três/ que à noite eu tenho um compromisso e não posso faltar/ por causa de vocês…”

 


PT, em palácio, diz ao governo que quer assumir pasta da Educação

9 de novembro de 2017 • 10:39 am

Os dirigentes do Partido dos Trabalhadores (PT), Ricardo Barbosa, presidente estadual, e Adelmo dos Santos, Secretário, estiveram em Palácio, nesta quarta-feira, 8, em tratativas para o ingresso do PT no governo Renan Filho.

A reunião se deu com o Secretário de Governo, Fábio Farias, que os questionou sobre que espaço o partido pretendia dentro do governo.

Os petistas, claros e diretos, disseram ao interlocutor do governo que o interesse é pela pasta da Educação, que hoje é ocupada pelo vice-governador, Luciano Barbosa.

“Essa é a primeira opção. E qual seria a segunda”? Teria questionado Farias, enquanto os dirigentes partidários repetiram: “Educação e educação”.

A conversa terminou exatamente aí.

Mas, o secretário de governo ficou de agendar para a próxima semana uma nova conversa com os dirigentes do PT.

O detalhe: A conversa será diretamente com o governador Renan Filho.


Árthur Lira exige que Temer afaste de imediato o PSDB do governo

7 de novembro de 2017 • 8:02 pm

O deputado federal Arthur Lira, líder do PP, na Câmara dos Deputados, mandou um recado grosso nesta terça-feira, 7, para o presidente Michel Temer (PMDB). “Ou faz uma reforma ministerial e tira o PSDB do governo ou não se vota mais nada aqui”, disse.

Lira, também falando em nome do Centrão, quer que Temer despache todos os ministros do PSDB do governo e distribua os cargos com os partidos do Centrão.

Lira: ou dá ou desce.

A confusão, portanto, se instalou dentro da base aliada de Temer.

O PSDB tem no governo os ministérios da Cidade, Secretaria de Governo, Relações Exteriores e Direitos Humanos. Este último comandado pela Ministra Luislinda Valois, a que disse que pratica trabalho escravo com o “irrisório” salário de R$ 37 mil.

Por sua vez, o PSDB enfrenta o racha dentro de seu próprio partido. Uma ala, liderada pelo ex-Presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, que sair o quanto antes do governo, enquanto a ala  liderada pelo senador Aécio Neves fica o pé e dize “daqui não saio, daqui ninguém me tira”.

Temer, portanto, muito trabalho pela frente com os avalistas do seu governo na Câmara. A fatura está sendo cobrada e agora, mais do que nunca, ele tem pagar para poder “governar”.

 


Vencer ou vencer: não há outra alternativa para o CRB hoje à noite

7 de novembro de 2017 • 8:22 am

Na triste situação de figurar na zona de baixo, o CRB vai para o jogo desta terça-feira, 7, às 20h30 no Estádio Rei Pelé, sem pensar em outro resultado que não seja a vitória.

Galo é vencer ou vencer!

Torcedor apaixonado.

O adversário é o Juventude de Caxias (RS) e o CRB precisa apresentar um futebol superior ao que jogou contra o Internacional, em Porto Alegre, na partida anterior, e transformar as oportunidades em gols. Não há outro resultado que interesse a não ser a vitória, o que lhe dará 42 pontos na competição.

Serenidade, concentração e competência em campo pode ser a trilogia para demandar ao caminho da vitória. Eis, portanto, uma questão a ser trabalhada pelos dirigentes e comissão técnica regatiana.

O galo terá como desfalques, Neto Baiano e Rodrigo Souza, ambos com o terceiro cartão amarelo. Quem volta a comandar o ataque é o centroavante Zé Carlos, de quem pode se esperar tudo e até mesmo nada..

Com o empate em 2 a 2 entre Luverdense e Internacional na noite de ontem, o CRB entra em campo hoje na zona do rebaixamento. Para sair dela precisa ganhar o jogo do time gaúcho que tem 49 pontos e está na oitava posição na competição.

CRB e Juventude será um jogo estudado e cheio de dificuldades. A diferença pró galo da praia poderá ser feita pelo torcedor alvirrubro. Seu papel é ir a campo, lotar o estádio e empurrar o time para a vitória. É como se fosse uma decisão final.

O jogo é hoje. E soltem o galo!

 


Impressionante: o trabalho escravo da ministra que ganha R$ 33,7mil por mês

2 de novembro de 2017 • 7:24 pm

Indicada pelo PSDB para o cargo de ministra dos Direitos Humanos, a desembargadora aposentada na Bahia, Luislinda Valois, achou pouco o salário de R$ 33,7 mil que ganha no governo e requereu acumular com o de magistrada, o que elevaria a sua renda mensal para a “bagatela” de R$ 61,4 mil.

Luislinda e seu trabalho escravo.

Pior do que querer acumular foi a justificativa de sua excelência. Disse ela em sua petição que sua atividade “sem sombra de dúvidas, se assemelha ao trabalho escravo, o que também é rejeitado, peremptoriamente, pela legislação brasileira desde os idos de 1888 com a Lei da Abolição da Escravatura”.

 

Imagine uma ministra ganhando mensalmente mais de R$ 33 mil e dizer em alto e bom som que “se assemelha ao trabalho escravo”. O que poderiam dizer os brasileiros que ganham salário mínimo?

Das duas, uma: Ou a ministra Valois está zombando da cara dos brasileiros ou nunca trabalhou verdadeiramente na vida para dizer o que disse.

Basta pensar que o trabalho escravo remete a subemprego, regime forçado de atividade e remuneração aviltante, insignificante.

Se formos nos reportar para antes dos idos de 1888, como a magistrada lembrou, vale refrescar a memória que nessa época os escravos eram, perseguidos, torturados e mortos por capitães do mato, quando se recusavam a trabalhar de graça para uma elite perversa do Brasil colonial. Elite esta que ainda tem uma vasta legião de seguidores nos tempos atuais.

Ora, a ministra bem que poderia ter protestado contra a exploração do trabalho escravo quando o governo Temer baixou uma portaria no País, praticamente legalizando o trabalho escravo. Ela silenciou. Agora, no entanto, lembra o trabalho escravo em benefício próprio. Eis aí um canto tucano desafinado da realidade.

Isso no fundo são os sintomas de um País desgovernado e completamente entregue aos interesses escusos de uma turma doentia.

Triste Brasil.