Pequeno Polegar

Pequeno Polegar é um jovem jornalista que se acha “radical chic”, disposto a acompanhar nesse blog os fatos pitorescos do cotidiano, falando de personagens e de personalidades que costumam pisar na bola pelo meio mundo. Mas, com toda consideração.

Considerado e Batoré em um debate alto nível sobre a reforma trabalhista

28 de abril de 2017 • 10:17 am
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De repente o Considerado começou a se questionar sobre a reforma trabalhista e esbravejar em casa contra os deputados que votaram a favor do projeto do Temer. – Traidores do povo!

Assustou até a própria avó que assistia uma novela em um dos canais abertos de TV. Dona Nildinha chegou a pedir-lhe explicações sobre a reforma, mas sem ter base para discussão, o neto desconversou.

Por isso mesmo achou que estava na hora de se informar melhor sobre o tema. Sabia que do parlamento sequioso para atender a interesses de banqueiros e megaempresários do País, não poderia vir nada de bom. Mas, faltavam-lhe detalhes.

Bateu-lhe a ideia. Quem é o cara que é acadêmico de Direito, antenado nas questões trabalhistas, foi assessor de governador e de procurador da Assembleia? Quem? O indefectível Batoré.

Logo, pegou o celular e marcaram um encontro no Bar do Lula, atrás do Cepa. Entre uma cerveja e outra, Considerado começou a perguntar o que era essa reforma que ele já era contra mesmo sem saber direito.

Two Gang Members With Tattooes Talking At The Table, Beer Bar And Criminal Looking Muscly Men Having Good Time Illustration. Part Of Series Of Dangerous Chunky Guys At The Pub Having Drinks Cool Vector Drawings.

Diga amigo, essa reforma vai me prejudicar?

-Você, Considerado, não estou entendendo…

-Esse negócio de reduzir salário, parcelar dinheiro das férias, não pagar multa do FGTS isso prejudica a gente.

-A gente quem?

Os trabalhadores…Você parece que não sabe de nada Batoré.

-E eu sou deputado ou algum corno para andar misturado com isso!

Calma babá…

-Babá é puta que pariu e o corno que amassou.

-Meu Deus o homem endoidou...

-Quem endoidou foi você!

Eu, por quê?

-Por que anda com essa história de reforma trabalhista.

É meu direito de cidadão.

-Só que tu nunca desse um dia trabalho pra ninguém…Nem carteira de trabalho tem.

É lasca, esse pessoal da direita só sabe agredir!


Considerado e a ameaça da Lava Jato na campanha de Joaquim Gomes

14 de abril de 2017 • 11:14 am
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Dona Nildinha, avó do nosso amigo Considerado, amanheceu hoje calçada nos tamancos e tentando o exercício da paciência para não explodir o verbo na sexta-feira da paixão. Há mais de uma semana que ela anda agoniada. Nada consigo, propriamente, mas com o neto.

Considerado já está há mais de 20 dias sem sair de casa. Trancou-se no quarto e não quis saber de ninguém. Anda cabisbaixo, meio depressivo e, obviamente, passou a preocupar  todo mundo. Liga a mãe, os companheiros de copo da Confraria do Rei, do Grutinha, enfim, dos bares onde costuma andar e nada a declarar. Só atende o amigo Batoré.

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Dona Nildinha chegou para vizinha e disse que já pensou em chamar uma ambulância do Portugal Ramalho para levá-lo.  “Se não for doença grave, com certeza é dor de corno”, disse ela.

Depois de apelar para as orações, gentilezas de toda ordem – e não ser atendida – ela resolveu bater na porta do quarto com o salto do tamanco. Deu certo. Ele não suportou o labafero dentro de casa e abriu à porta.

-Você endoidou, está com Zika, Chikungnya ou levou gaia, meu filho?   – A velha foi direta. Sonolento, Considerado se disse preocupado, mas não estava a fim de falar sobre seus problemas.  –Não pode ser. Você mora aqui, come e bebe de graça; que problemas você tem?  Depois disso ele percebeu que precisaria desabafar e encontrar uma solução para seu estado depressivo.

-Desembuche logo meu filho ou lhe interno num manicômio.

-É a Lava Jato, vó.

-Como, você comprou um lava jato?

-Não, criatura. Há um mês me disseram que meu nome está lista.

-Que lista, infeliz?

Vendo que o diálogo iria ser difícil ele abriu o jogo. Contou que na campanha eleitoral passada trabalhou, a pedido de um amigo, o Pastor, para um candidato a vereador de Joaquim Gomes (JG). Em dado momento da batalha pelo voto, o candidato sem dinheiro pediu para ele ir falar com um deputado federal famoso, para saber do SFF, que seria o Sistema Facilitador Fahrenheit. A velha pediu detalhes por que não estava entendendo nada. Descobriu que a nomenclatura representava um código para que se falasse em financiamento de campanha. No caso, “fahrenheit” significava dinheiro para caixa dois, propina, enfim. E Considerado foi ao encontro do deputado em um hotel da beira mar de Maceió, tendo como testemunha o amigo Batoré. Foram bem atendidos. O político, então, entregou um pacote dentro de um saco plástico que logo chegou ao destinatário em JG.

-E o que tinha no pacote Considerado?

-Era o “fahrenheit” vó. Quer dizer, eu soube depois que eram mais de R$ 200 mil.

-E daí?

E daí que o deputado está enrolado na Lava Jato e avisou a todo mundo que me entregou o dinheiro. Eu posso ser preso.

-E você fez o quê, com o dinheiro?

-Eu entreguei o pacote ao vereador que é conhecido lá em JG como “Fahrenheit”.

-Então vá lá e diga que entregou tudo e não ficou com nada.

-Não posso, eu não sou delator…

-Então vai preso né?

-A minha raiva é que o vereador perdeu a eleição e ninguém viu a cor do real.

-E o Batoré?

-Esse aí, coitado, chora mais do que mulher na hora do parto.

-E por quê?

-Por que não recebeu nenhum troquinho…


Considerado esquece avó e ela perde o desfile do Filhos da Pauta

24 de fevereiro de 2017 • 11:08 am
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Nesta sexta-feira, 23,  Considerado chegou em casa e encontrou dona Nildinha fantasiada de índia, com todos os adereços,  uma lata de cerveja na mão, o som ligado à toda altura e cantando sem qualquer ritmo ou afinação: – Mulher casada que anda sozinha, é andurinha, é andurinha…

Neto zeloso, ficou a olhar a cena e a imaginar o que estava acontecendo com sua avó. É bem verdade que os tempos são de folia e o brasileiro faz tudo na vida para ter um carnaval. É quando as pessoas se entregam e fazem exatamente nesta época o que gostariam de fazer o ano inteiro, mas a sensatez fala mais alto nesse momento. Afinal, a vida é muito mais do que a festa de momo.

Mas, quem gosta de carnaval conta nos dedos horas e minutos para chegar a festa e deixar rolar. Dona Nildinha é uma dessas pessoas que brincou o carnaval à vida inteira com amigas, amantes, família, enfim, com todos que lhe proporcionassem uma boa farra.

Agora em casa, sozinha, fazendo o fazendo o passo, deixou o neto boquiaberto. Não sabia se sorria com a velha desajeitada ou se chorava. Sobretudo por que lhe veio a mente o pensamento dividoso sobre o estado de saúe dela.

-O que está acontecendo minha vó?

-Estou lhe esperando pra gente ir para os Filhos da Pauta!

-O bloco já passou. Foi na semana passada.

Furiosa, ela baixou ovolume do  som, parou a coreografia e reclamou do neto que ficou de lavá-la ao bloco do pessoal da imprensa nas prévias de Jaraguá. “O Filhos da Pauta” desfilou na sexta-feira, 17, à noite. Foi um sucesso. Dona Nildinha certamente teria se esbaldado ao som do frevo “Ói nós aqui de novo, no meio do povo/ fazendo o carnaval, somos gente batuta, somos filhos da…”

Mais do que revoltada ela partiu para cima dele e bradou:

– Você é um filho da puta mesmo, nunca cumpre o que diz.

-Tenha calma vó.

-Calma, uma porra. Você daria pra ser politico, que mente e rouba o ano inteiro.

-Eu viajei e não pude vir aqui…

-Não tem desculpas. Ora viajar…Viajei um cacete!

O clima obviamente ficou tenso. Considerado com as barbas de molho recolheu-se a um canto da casa e passou a ouvir o sermão. O pior é que tinha ido ao encontro dela, exatamente para pedir-lhe o generoso “auxílio carnaval” para a próprio deleite em Olinda. Depois dessa se encolheu e fez menção de sair casa.

-Fique aí, seu orelha seca…

-Mas a senhora está muito nervosa…

-Você sabe que eu gosto de carnaval. Se não podia vir mandava aquele bexiguento do seu amigo Batoré me levar, ou aquele outro Fofa Chão, pé de cana.

-Deixa a turma  quieta vó. Eles não gostam de carnaval…

-Mentira que aquele que vocês chamam de Beleboi está indo para o carnaval do Recife…

-E daí, o que tem isso demais?

-Nada. Mas, se aquele galego irmão dele, que tem o dedo do novembro azul, for também eu vou atrás.

-Olhe a pior coisa do mundo é uma velha assanhada.

-Velha é a tua mãe que vive comendo purê e tentando namorar o “Oio de Jeep”, mas não consegue.

-Por que ela não puxou a você que só gosta de político safado e soldado embriagado…

-Mas estou aqui enxuta e pronta pra me divertir. E se não tem Filhos da Pauta vou tomar uma no bar do Suruagy.

-Quer saber, ou a senhora está biruta ou é mesmo uma filha da puta!

 

 

 


‘Gripado’, Considerado não vai à confraternização dos ‘gabirus’ no Horto

17 de dezembro de 2016 • 12:53 pm
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Dezembro, fim de ano, as confraternizações pipocam por todos os lados. É preciso um fígado de aço para aguentar o ritmo. E quem parece tê-lo é o amigo Considerado. Do último dia 10 para cá já foi a pelo menos 12 confraternizações.

Neste sábado, 17, ele teria que ir à “confra” da turma dos “Gabirus”. Imagine em que turma o sujeito foi se meter. A festa é organizada pelo amigo dele, um certo “Tonelada”, que muitos chamam de “Código de Barra” e outros de “Fofa Chão”. Evento marcado para a fonte do Jardim do Horto, com uma turma de machos tipos esponjas. Alguns já chegando ao estágio de cobra de farmácia.

Ir ou não ir? Eis a questão. Chegou à casa da avó, dona Nildinha, com esse dilema. “Não sei se vá, não sei fique”… De tanto resmungar pelos cantos a velha quis sabe o que estava havendo com o neto. –Você está passando mal, meu filho?

Disse-lhe que não era nada, apenas estava em dúvidas sobre uma festa, mas já havia decidido que não iria.

-Mas, logo você que adora uma boca livre?

-Que boca livre o quê, lá tenho de pagar 65 mangos!

-E que festa é essa, quem é que vai?

-É do Gabi?

-É do Gabrielzinho filho do Capitão?

-Não vó é a turma dos Gabirus!

-Minha nossa, onde você está metido rapaz?

– Deixe pra lá que a senhora não vai entender…

Como é que uma avó zelosa vai ficar quieta, sem preocupação, sabendo que o neto, criado com ela, esta envolvido com a turma dos gabirus? Considerado passou a se preocupar também por que sabia que Dona Nildinha não deixaria o assunto pra lá. Ela ciscou para um lado e outro e partiu para o ataque.

Considerado, meu filho, diga que turma é essa? Aquele Batoré está metido nisso?

-São todos amigos minha vó.

– Mais quem são eles, eu conheço algum?

-O Batoré, o Braço de Pistola, o Oio de Kombi, o Banda Larga, o Belleboi, Purê Vencido, Língua Colada, o Monge, o Fumacê, o Lecitação…

-Chega pelo amor de Deus. O que esse povo faz da vida, de onde você os conhece?

-São companheiros de farra, degustadores de uma boa vodca, de uma cerveja gelada.

-Você quer dizer que são todos cachaceiros…

-Não vó é tudo gente boa. Inclusive aquele médico que a senhora gosta, o Coleguinha…

-Ah, ele é maravilhoso, galegão… Mas esses outros rafameia e esse tal Batoré não me agradam…

-Mas eles gostam da senhora. Menos o Batoré, claro.

-Se você não vai qual desculpa vai dar?

-Vou dizer que estou gripado.

– Isso vai lembrar pra eles aquela lista da Odebrecht, onde sua turma se enquadra bem.

-Quer isso vó, deixe de besteira…

-A lista é uma desculpa melhor pra você.

– Qual é o Mané lista?

– É só Você dizer que está Gripado por que foi ao Candomblé, bebeu Campari, comeu Caranguejo e Purê, ficou de Boca Mole e Nervosinho quando viu um Bitelo e agora está aí Decrépito e Todo Feio. Afinal, é tudo gabiru…

 


Considerado ganhando uns trocados com muamba do Guaíba e o queijo “Oião”

13 de novembro de 2016 • 12:12 pm
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O Natal está chegando e nessa época, invariavelmente, o queijo do reino é vendido em grande escala nos supermercados alagoanos. Mas, não só lá. O Considerado, por exemplo, costuma faturar uma grana extra, vendendo um queijo do reino a amigos. Consegue de um colega dele atravessador, mais conhecido como “Guaíba”.

Considerado vende queijo, uísque, bacalhau e até filé de Tilápia, que pega em consignação do atravessador. Bem relacionado, nosso amigo tem uma clientela seleta. Advogados, marajás da Assembleia Legislativa, delegados, magistrados, fazendeiros, médicos, procurador, executivo das telecomunicações, comerciantes e até genros famosos, que, muitas vezes, pagam com o cartão das sogras.

A clientela é boa por que o preço é bem abaixo do mercado. Como a humanidade gosta de levar vantagem em tudo, nenhum cliente dele procura saber a origem do produto. Pelo contrário, compram e recomendam atestando a qualidade da muamba.

Na semana que passou ele pegou com o “Guaíba” um lote de produtos e foi anunciar para a clientela. Final de ano, muita confraternização, brindes de lado a lado, um uísque vai sempre bem. Um queijinho então, nem se fala. No lote que recebeu veio um queijo do reino de marca diferente, um produto novo. Na sua carteira de cliente um marajá da Assembleia, conhecido como “Oio de Jeep” é um dos maiores consumidores do produto. Compra pra comer, presentear e até fazer farra com amigos, no bar do Lula, do Gabi ou no Grutinha.queijoreino

Sem saber ao certo como seria a receptividade do novo produto, ele deu uma lata (tipo Jong) para o marajá fazer uma degustação em sua roda de amigos. Entrega feita, produto provado. Curioso e aflito, Considerado quis saber o que a turma achou do queijo?

-E aí “Oio de Jeep”, o queijo é bom?

-Oio de Jeep é a minha “papa-vento”!

-Calma, amigo, eu só quero saber do queijo.

-Tudo bem, mas me respeite! E pode vender essa muamba…

Como não ficou convencido, levou outra lata para a casa da avó. Dona Nildinha estranhou o queijo de rótulo estranho. Mas resolveu provar para ajudar o neto ganhar os trocados de fim de ano.

-Afinal meu neto que queijo é esse?

-Queijo do reino…

-E de onde vem?

-Deve ser de Minas, como todo queijo do reino que eu conheço.

-Pois é. Esse ninguém conhece. Onde arranjou?

-Com o Guaíba, aquele que é amigo do Batoré.

-Só podia ser… Olhe, dessa sua turma eu só gosto mesmo daquele seu coleguinha, doutor do dedão, que fez o novembro azul em você.

–Esse é o pior de todos vó. Compra e não paga. A não ser quando a sogra libera o cartão.

– É mais eu estou parada naquele dedo… Da próxima vez que for pra ele me leve.

Que foi que eu fiz pra ter uma vó tão depravada?

-Depravado é você e essa sua corja que vive querendo levar vantagem em tudo, com muamba sabe-se lá de onde… Até ovos esses seus amigos estão pirateando.

-Os ovos são do Pastor, um produtor famoso lá de Joaquim Gomes.

-É. Sem nota fiscal vende ovos, porco, papagaio, periquito e depois falam dos políticos. Quer saber, PT saudações.

-Vó meus amigos nunca lhe fizeram mal.

-Cada amigo lorde você tem. Batoré, Oio de Jeep, Fofa Chão, Beleboi, Monge, Gabiru, Manguito, Purê… Isso é qualidade de gente?

-Deixe para lá e fale do queijo?

-Acho que só quem vai comprar mesmo é o Monge que leva tudo sem reclamar.

-Estou falando sério, dona Nildinha…

-Um queijo sem marca, sem nome, quem foi  dessa elite que gostou?

-O Oio de Jeep.

-É aquele dos olhos grandes e aposentadoria recheada?

-Ele mesmo.

-Então, faça-lhe uma homenagem e batize de “Queijo Oião”…


Considerado é expulso de campanha e vai comer orelha de porco no Gabi

16 de setembro de 2016 • 10:13 am
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Começa a campanha eleitoral e, meses antes dela, o Considerado se mandou para uma cidade do interior alagoano para ajudar um amigo se eleger prefeito. Conversador, cheio de jinga, no mais puro estilo malando é malandro mesmo, logo alugou uma casa na cidade e começou a fazer a propaganda do candidato.

Dizendo-se conhecedor da política como poucos e se vangloriando de ser “amigo” de um monte autoridades políticas do Estado, ele passou a imagem na cidade de que era o cara certo no lugar certo. O candidato dele era boa praça, bem relacionado entre o povão, mas rejeitado na elite do lugar por uma razão muito peculiar: era liso batendo. Não tinha um tostão furado.

O cara era de meia idade e chegou ao Considerado graças à dona Nildinha que, em uma de suas idas ao Bougainville, em Maceió, andou ficando com o candidato, antes mesmo de ele decidir disputar a eleição. O nome do homem, Petrúcio. Mas, a avó do Considerado passou a chamá-lo languidamente de “Peuzinho”.

-Peuzinho, amor, você é mesmo candidato lá em Maravilha?

– Sou Nildinha, mas ainda me falta apoio.

-Que tipo de apoio, querido?

-Apoio financeiro, grupo político para dar suporte.

-Quem sabe meu neto, Considerado, não pode ajudar?

Dia seguinte a velha reuniu os dois e “Peuzinho” se entusiasmou com a conversa do neto de Nildinha. “Deixe tudo comigo e vá pedir votos”, disse. Falou que era amigo de todos os senadores e dos deputados federais do Estado e que esse povo ia ajudar. Conseguiu até marcar uma reunião com um dos parlamentares alagoanos que viu potencial no candidato e prometeu o céu e a terra na campanha.

Considerado passou a morar em Maravilha. Logo tratou de fazer o lançamento da campanha. Comprou fiado em tudo que é lugar, em nome do candidato e do parlamentar renomado que iria ajudar a campanha. Fez duas festas. Uma na cidade e outra na zona rural. As duas regadas a muita cerveja, devido o calor do sertão. Na zona rural a festa foi na fazenda do Geno, um pistoleiro de lá, que um dia foi atacante reserva do CSE de Palmeira dos Índios.

Uma semana depois os credores passaram a procurá-lo para receber o dinheiro das duas festas.

-Seu Considerado, cadê o dinheiro do carneiro que lhe vendi?

-Não é comigo não; é com o candidato.

-Ele disse que é com você.

-Eu estou esperando o deputado pagar.

-Eu não fiz negócio com deputado não, cabra. Pague logo.

As cobranças foram se avolumando. Até que Geno procura o candidato e avisa pra ele resolver o problema. -Olha Petrúcio, isso vai sobrar para você. Esse cara tá enrolando o povo em seu nome. – Alertou.  –E o que ele está dizendo? –Que aquele deputado vai mandar um tal de Batoré aqui para pagar a todo mundo e isso já tem 15 dias. Nem o aluguel da casa de Mariinha ele pagou.

E lá se foi “Peuzinho” conversar com Considerado.

-Rapaz pelo amor de Deus, quem vai pagar isso?

-Que nada, Peu, quando a gente ganhar paga… Vai ter muito dinheiro

-Você está louco. E o dinheiro do deputado?

-O Batoré disse que o banco está em greve e por isso ainda não veio.

-Olhe quer saber de uma coisa desapareça daqui. E vá você, o Batoré e o deputado a puta que pariu.braised pig ear

– Mas Peu…

-Mas Peu, porra nenhuma. Suma daqui ou eu mando o Geno lhe dar uma surra.

Enfim, a fase de Considerado coordenador de campanha termina. Ele chega à casa da vó cabisbaixo e diz pra ela que o candidato era fraco. E por isso abandonou a campanha. Para animar o “netinho” avó o convida para comer uma orelha de porco no bar do Gabi, nas proximidades do Aldebaran.

-Vó não gosto dali não. Tem uma turma lá meio elitista…

–Que nada menino deixa de besteira. O dono de lá é um gatinho

-Meu Deus, vó aquilo está mais pra porco espinho.

A velha querendo paquerar o dono do boteco foi comer a orelha de porco. O cara servia e ela se enxeria. Comeram, beberam e veio a conta. –Quanto foi amor? – Pergunta Nildinha ao Gabi. E ele feito casca de jaca: – Sei não, veja aí.

Considerado pega a nota e protesta:

-Meu Deus, isso é um assalto!

-O que foi meu filho?

-Esse cabra está cobrando R$ 59,00 só de arroz.

-Meu filho pague logo, você não ganhou dinheiro lá em Maravilha?

-Que dinheiro se aquele candidato, o namorado que você arranjou, era um pé rapado…

-Meu neto quando é que você vai se endireitar na vida?

-Quando a senhora parar de ser a velha mais galinha desta terra.

-Vamos embora, vamos embora por que aquele “Fofa Chão” daquela mesa em frente está olhando pra mim…


Pra não perder a rima, Zabumba no lugar do Dunga na seleção do Considerado

13 de junho de 2016 • 10:25 am
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Considerado amanheceu esta segunda-feira numa revolta só. De tão exasperado parecia que estava vendo o mundo se acabar e não era nada disso. Ele entra  feito um  foguete na redação para falar de futebol. Melhor dizendo, para falar do Dunga.

Desceu a malha e largou o pau. Fiquei a ouvir, mas de certa forma até contente por que nunca vi Dunga como técnico qualificado e nem fui admirador do futebol brucutu que ele jogava. Ademais, faz tempo que não assisto a um jogo sequer da seleção brasileira. Vi dois jogos ainda na copa do mundo e um deles foi aquele fatídico 7 a 1 para a Alemanha. De  lá pra cá, nada mais.

Assim quis saber do Considerado por que estava tão revoltado? – E você não viu não mais um  vexame do Dunga. – Não perco meu tempo. dunga

Ele silenciou por uns instantes e concordou que eu tinha razão. Mas voltou a falar dizendo que Dunga nunca deveria ter entrado e que a CBF era um covil de ladrões. Essas coisas que torcedor diz, muitas vezes com razão e outras nem tanto. Mas em se tratando de CBF, o que se pode dizer é que é uma entidade que chafurda na lama faz tempo.

-Considerado qual a solução agora?

-Não sei. Só lhe digo que para as Olimpíadas se for assim vai ser outra palhaçada.

Impossível não concordar com o nosso comentarista abalizado, agora preocupado com as Olimpíadas, segundo ele, sem técnico e nem time de qualidade. Resolvi insistir qual a solução brilhante que ele teria para resolver o problema.

-Só sei que se for com esse time a gente perde de novo dentro de casa.

-Esse time não pode ser Considerado por que há um limite de idade.

-Besteira isso. Era bom que mudassem as regras que eu teria um time pronto.

-Êpa! E qual seria?

-Os bons de Copo Futebol Clube do Bar do Gabi.

– Está de sacanagem, cara, eu pensando que você falava sério…

– É isso mesmo. Esses caras jogam mais do que o time do Dunga.

– Vou deixar você com seu lendário time e vou trabalhar.

-Eespere aí que vou lhe mostrar.

Tentei voltar ao meu computador mas ele mostrou uma foto de um cara peludo, mais parecido com um lobisomem e me disse que foi o maior jogador de futebol de salão do Estado.

-E quem é esse cara?

-Lobisomem, centro avante do meu time.

-Deixa de galhofa…

-E tem mais veja a escalação:

-Fale logo que eu preciso voltar a trabalhar:

– Monge no gol. Na defesa: Sargento Garcia, Beleboi, Coleguinha e Gabiru…

-Minha nossa senhora…

-No meio de campo: Fofa Chão, Pastor cifrão e Oio de Jeep

-Eu mereço isso Considerado…

-No ataque: Purê, Lobisomem e Batoré.

-E pra o lugar do Dunga?

-O Zabumba do Grutinha.

-Satisfeito com sua história ridícula?

-Um time como esse merece um grande bicho.

-Só se for sua vó Nildinha, massageando eles todinhos


Para ganhar uns trocados Considerado vai ao buraco do Tatu e grita pela polícia

5 de junho de 2016 • 11:45 am
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Liso feito sabonete, sem um centavo no bolso, Considerado foi convidado por um amigo para participar da produção de um filme publicitário de uma gestão municipal. Por ser um cara desenrolado, enxergaram nele um sujeito com essa capacidade de produzir a arte.

E lá se foi nosso amigo com uma visão diferente de suas tarefas. Por ser um cidadão desenvolto logo queria assumir o papel de protagonista do filme. Já se imaginava como ator em papel de destaque, tipo aqueles guardas pretorianos, de chicote nas mãos, açoitando os hebreus, tal como no filme “Os 10 Mandamentos”.

Logo caiu na real, pois as tarefas que lhe deram foram todas por trás das câmeras e, principalmente, quando elas estavam em off. Assim, trabalhou como faz tudo. Carregou vara com microfone, plantou palmeira, arrastou pedra, até imitou berro de ovelha e uivo de lobo.

No fim da história estava um caco. Mas saiu do set de filmagens animado, pois sabia que tinha cumprido sua missão e agora era só receber o dinheiro acordado.  Mandaram-lhe ir a uma empresa onde três sócios atuam a todo vapor na parte financeira.  Chegando à sede se dirigiu até a moça da recepção e perguntou:

– Onde tem pagamento?

-Que pagamento?

-Da filmagem que fiz.

-E que filmagem foi essa?

-Uma filmagem da Prefeitura.

-E como é seu nome?

-Considerado.

-Considerado? Que nome estranho…

-Moça quero saber do meu dinheiro, logo.

A recepcionista o olhou de cima a baixo e percebeu que ele já estava botando cara de poucos amigos. Tratou então de consultar os “universitários” por meio do telefone. Ligou para vários ramais e em seguida informou:

-Seu dinheiro é com Dr. Brahão.

-E onde encontro esse tal Brahão?

– Sente naquele banco no fim do corredor que ele passa já.

Ele ficou feliz por que durante as filmagens um diretor de cena, graças a imensa barba branca que tinha, foi logo batizado de Abraão. E o Considerado fez amizade com o sujeito. Pensou até que seria o mesmo. “Tou de boa”. Imaginou.

Só que o tempo foi passando, ele esperando e nada do trem pagador passar. Estranhou por que pelo corredor passava sempre um gordinho bem mais velho que ele, telefone no ouvido e um cigarro na boca. O cara fumava feito “preto véio” em despacho de macumba.

Chateado com mais de 1 hora e meia de espera decidiu perguntar:

-Ei moço, viu o seu Brahão por aqui? O caipora olhou desconfiado, mas respondeu: – O que você quer?

-Eu quero o meu dinheiro do filme.

-Isso não é comigo não, procure o Janjão.

-Eh, começou a fuleiragem… Que Janjão?

-O Teiú. Tá lá no fim do prédio.

Meio puto, Considerado saiu à caça do tal Teiú. Achou engraçado por que no local de longo corredor havia umas salas que mais pareciam buracos para esconder coisas. E ficou a pensar. Onde tem buraco tem até Tatu, quanto mais Teiú…

Foi quando encontrou um funcionário e perguntou:

-Onde encontro o Teiú?

-Tá com o Tatu na última sala.

-Oxe, Teiú com Tatu? Bem que eu desconfiava que isso era uma fauna.

Na porta da sala um segurança da largura de um guarda roupa barrou a entrada dele. – Onde você pensa que vai? –Vou entrar nesse buraco pra caçar Tatu e Teiú que Brahão mandou.

-Volte outra hora que eles estão muito ocupados com as lideranças dos bairros…

– Mas e o meu dinheiro?

-Não é comigo. E aqui só entra quem foi chamado.

-Daqui não saio. Quero meu dinheiro…

-Isso não é comigo.

De repente, da sala saiu uma conhecida liderança de bairro da cidade e ele chama o cara:

Ei Dedeu, o que você estava fazendo aí no buraco do Tatu e do Teiú?

-Eu venho aqui todo fim de mês resolver umas coisas…

-Sei e tem muita gente lá?

-Fim de mês é sempre cheio.

-Entendi. Eu vou chamar é a polícia pra investigar esse buraco.

-Tenha calma, eles vão lhe atender…

-Vou gritar agora…

-Faça isso não!

-Polícia! Polícia! Tem coisa aqui no buraco do Tatu.
tatu

 


Doquinha, a paixão fugaz da avó do Considerado. Pense numa velha…

26 de maio de 2016 • 7:55 am
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Considerado estava em depressão. Ele, avó, a mãe, enfim a família inteira deprimida. A causa foi a morte de um amigo deles. Doquinha. O Dário Aguiar, filho de seu Graça, lá de Bebedouro. Um homem de bem. Tinha o perfil conservador, de valores tradicionalíssimos. Nessa cacaterística, nada a ver com nosso amigo. Mas acabaram se gostando.

Acontece que o Considerado gostava do velho Doquinha pelas histórias de valentia que ele contava dos seus tempos de juventude. Fora amigo de uma série de “famosos do gatilho” desta terra.

Na reta final da vida, os amigos passaram a ser os famosos de copo, conhecidos por Fofa Chão, Pastor Sifrão, Gabiru, Batoré, Manguito, Zoião, Coleguinha, Sargento Garcia, Puré, Monge Wladir, Língua Colada, Biu Bezerros, Beleboi e Magistrado Baden-Baden.

Doquinha tinha um “cumpadre quelido” que o apresentou a dona Nildinha, avó do Considerado. A velha, que gosta do sassarico, logo arrastou as asas para cima dele. Elogiava o chapéu de cowboy e o bigode ruivo. Não deu outra. A paixão foi arrebatadora.

Só que o compadre sempe avisava: – Olhe não dê trela pra essa velha que ela é o cão. Conheço uns quatro que não aguentaram o ritmo dela.

-Deixe comigo. – Foi a resposta do novo “latim lover” de Nildinha.

Segundo o compadre, o romance intenso foi fugaz. Durou seis meses. Até o dia em que ela resolveu acompanhar o neto ao médico. Considerado com uma crise hemorróidas foi a um especialista indicado por Doquinha. O doutor Coleguinha era uma espécie de amigo irmão dele. No consultório, a velha não perdeu tempo depois de se encantar pelo homem de jaleco branco. Conhecendo a avó e com pena do velho amigo, o rapaz chamou a atenção:

-Vó pare com isso, a senhora não tem mais idade para se insinuar desse jeito.

-Não estou fazendo nada. E idade para quê?

-Mesmo sem idade, a senhora também tem um namorado. Respeite ele.

-Tem mais nada a ver. O Doquinha agora só quer namorar o copo.

-Então acabe, mas não fique de presepada.

-Não estou de presepada. Eu soube que ele se encantou pela irmã do meio de um tal de Monge.

-Seria bom, por que a senhora não é nenhuma santa mesmo.

-Só por que eu dei uma olhadas pra esse médico bonitão?

-Por que a senhora já é velha e o Doquinha não merece.

-Velha é tua mãe que não arranja ninguém.

-A senhora parece uma adolescente ninfomaníaca.

-Meu filho eu estou viva e um médico com um dedo deste tamanho é meu sonho…

-Coitado do Doquinha vai entrar na “gaia”…

-Quem sabe, se o Coleguinha dele quiser…

-Desse jeito vó, só tinha um cara pra lhe acertar.

-Quem é?

-Zoião Papavento. Aí a senhora ia ver o que é bom pra tosse.

-Manda ele pra mim meu filho…

 

(P.S. – Que o Doquinha esteja em paz onde estiver. Era uma grande figura)

 

 

 

 

 

 

 


Considerado, os pardais e as gaiolas de dona Nildinha

6 de março de 2016 • 12:02 pm
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Como sempre acontece aos domingos, Considerado foi tomar o café da manhã com dona Nildinha, avó dele. A velha costuma caprichar e fazer os mimos do único neto que tem. Eles são muitos ligados. Família pequena, o melhor caminho para viver em harmonia é manter a unidade afetiva.

Chegou à casa dela e se surpreendeu ao olhar à mesa e esta não estava posta. Nada para comer, nem beber. Será que está doente? Foi o que pensou e passou a chamá-la, visitando os três quartos da casa. Preocupado seguiu em direção ao quintal e sua surpresa tornou-se ainda maior. Estava lá, sentada em uma pedra, com um pacote de milho quebrado nas mãos e uma arapuca armada para pegar passarinho.

-O que é isso vó? Ele questionou incrédulo e ela retrucou na hora: – Silêncio menino!

Foi o que fez. Ficou mudo e imóvel, assistindo ela jogar farelos de milho debaixo da arapuca e cantando como quem chama ninhada de galinha: ti ti ti ti ti…

Considerado teve que interromper a cena ao ver ao lado, no canto do muro, mais de 10 gaiolas de criar passarinho. “Essa velha está louca”, voltou a pensar. Logo interrompeu a cena e questionou já meio abusado: – O que está acontecendo aqui minha vó, a senhora está bem? Nildinha fez sinal de positivo e ele insistiu para que a situação fosse esclarecida, pois não estava entendendo absolutamente nada.

– Diga-me vó, por que essas gaiolas, essa arapuca, se a senhora nunca criou passarinho?

-Eu estou aqui para defender a natureza?

-Como se defende a natureza, prendendo passarinho em gaiolas?

– Se eu não prender vão acabar com eles?

Pardal

Pardal

– Que conversa minha vó…

-É sim. A imprensa está dizendo aí que querem acabar com os pardais…

– Pelo amor de Deus vó, não tem nada ver com esses passarinhos não.

-Mais eu ouvi falar no rádio que querem acabar com os pardais e eu sou contra.

– Os pardais que falaram não são esses passarinhos. São equipamentos eletrônicos de uma certa máfia da indústria da multa.

– E é? A vizinha que só anda de shortinho me falou dos pardais, mas não falou dessa indústria não. Então me fale o que é isso.

Ele ajudou a vó a levantar-se e depois foi desarmar a arapuca que já estava rodeada de um bando de pardais, felizes com a comida farta. Mas, impaciente, ela pediu explicações ao neto sobre o que estava acontecendo.

– O problema vó é que o prefeito de Maceió colocou nas ruas esses equipamentos eletrônicos chamados pardais, que registram infrações dos motoristas no trânsito e os infratores são multados.

– E isso não é bom?

– Em tese é. Mas a questão é que as pessoas estão dizendo que ele colocou esses pardais para atender a indústria da multa e arrecadar dinheiro para as eleições.

– E é? Então tem safadeza no meio?

– Não sei. Não posso afirmar isso. Agora esse é um ano de eleições, os vereadores querem dinheiro para campanha, o prefeito também, os cabos eleitorais também…

– Estou entendendo. É multa pra um, multa pra outro e o dinheiro entrando.

– É o que dizem…

– E agora eu que fico no prejuízo, Considerado?

-Como assim?

– E quem vai pagar minhas gaiolas?

– No prejuízo estou eu dona Nildinha, cadê o meu café?

– Vá comer na vizinha, a quartuda que você gosta…Mas, se preferir, vá na Rotary comer com seu amigo Batoré.