Pequeno Polegar

Pequeno Polegar é um jovem jornalista que se acha “radical chic”, disposto a acompanhar nesse blog os fatos pitorescos do cotidiano, falando de personagens e de personalidades que costumam pisar na bola pelo meio mundo. Mas, com toda consideração.

Para ganhar uns trocados Considerado vai ao buraco do Tatu e grita pela polícia

5 de junho de 2016 • 11:45 am

 

Liso feito sabonete, sem um centavo no bolso, Considerado foi convidado por um amigo para participar da produção de um filme publicitário de uma gestão municipal. Por ser um cara desenrolado, enxergaram nele um sujeito com essa capacidade de produzir a arte.

E lá se foi nosso amigo com uma visão diferente de suas tarefas. Por ser um cidadão desenvolto logo queria assumir o papel de protagonista do filme. Já se imaginava como ator em papel de destaque, tipo aqueles guardas pretorianos, de chicote nas mãos, açoitando os hebreus, tal como no filme “Os 10 Mandamentos”.

Logo caiu na real, pois as tarefas que lhe deram foram todas por trás das câmeras e, principalmente, quando elas estavam em off. Assim, trabalhou como faz tudo. Carregou vara com microfone, plantou palmeira, arrastou pedra, até imitou berro de ovelha e uivo de lobo.

No fim da história estava um caco. Mas saiu do set de filmagens animado, pois sabia que tinha cumprido sua missão e agora era só receber o dinheiro acordado.  Mandaram-lhe ir a uma empresa onde três sócios atuam a todo vapor na parte financeira.  Chegando à sede se dirigiu até a moça da recepção e perguntou:

– Onde tem pagamento?

-Que pagamento?

-Da filmagem que fiz.

-E que filmagem foi essa?

-Uma filmagem da Prefeitura.

-E como é seu nome?

-Considerado.

-Considerado? Que nome estranho…

-Moça quero saber do meu dinheiro, logo.

A recepcionista o olhou de cima a baixo e percebeu que ele já estava botando cara de poucos amigos. Tratou então de consultar os “universitários” por meio do telefone. Ligou para vários ramais e em seguida informou:

-Seu dinheiro é com Dr. Brahão.

-E onde encontro esse tal Brahão?

– Sente naquele banco no fim do corredor que ele passa já.

Ele ficou feliz por que durante as filmagens um diretor de cena, graças a imensa barba branca que tinha, foi logo batizado de Abraão. E o Considerado fez amizade com o sujeito. Pensou até que seria o mesmo. “Tou de boa”. Imaginou.

Só que o tempo foi passando, ele esperando e nada do trem pagador passar. Estranhou por que pelo corredor passava sempre um gordinho bem mais velho que ele, telefone no ouvido e um cigarro na boca. O cara fumava feito “preto véio” em despacho de macumba.

Chateado com mais de 1 hora e meia de espera decidiu perguntar:

-Ei moço, viu o seu Brahão por aqui? O caipora olhou desconfiado, mas respondeu: – O que você quer?

-Eu quero o meu dinheiro do filme.

-Isso não é comigo não, procure o Janjão.

-Eh, começou a fuleiragem… Que Janjão?

-O Teiú. Tá lá no fim do prédio.

Meio puto, Considerado saiu à caça do tal Teiú. Achou engraçado por que no local de longo corredor havia umas salas que mais pareciam buracos para esconder coisas. E ficou a pensar. Onde tem buraco tem até Tatu, quanto mais Teiú…

Foi quando encontrou um funcionário e perguntou:

-Onde encontro o Teiú?

-Tá com o Tatu na última sala.

-Oxe, Teiú com Tatu? Bem que eu desconfiava que isso era uma fauna.

Na porta da sala um segurança da largura de um guarda roupa barrou a entrada dele. – Onde você pensa que vai? –Vou entrar nesse buraco pra caçar Tatu e Teiú que Brahão mandou.

-Volte outra hora que eles estão muito ocupados com as lideranças dos bairros…

– Mas e o meu dinheiro?

-Não é comigo. E aqui só entra quem foi chamado.

-Daqui não saio. Quero meu dinheiro…

-Isso não é comigo.

De repente, da sala saiu uma conhecida liderança de bairro da cidade e ele chama o cara:

Ei Dedeu, o que você estava fazendo aí no buraco do Tatu e do Teiú?

-Eu venho aqui todo fim de mês resolver umas coisas…

-Sei e tem muita gente lá?

-Fim de mês é sempre cheio.

-Entendi. Eu vou chamar é a polícia pra investigar esse buraco.

-Tenha calma, eles vão lhe atender…

-Vou gritar agora…

-Faça isso não!

-Polícia! Polícia! Tem coisa aqui no buraco do Tatu.
tatu

 


Doquinha, a paixão fugaz da avó do Considerado. Pense numa velha…

26 de Maio de 2016 • 7:55 am

Considerado estava em depressão. Ele, avó, a mãe, enfim a família inteira deprimida. A causa foi a morte de um amigo deles. Doquinha. O Dário Aguiar, filho de seu Graça, lá de Bebedouro. Um homem de bem. Tinha o perfil conservador, de valores tradicionalíssimos. Nessa cacaterística, nada a ver com nosso amigo. Mas acabaram se gostando.

Acontece que o Considerado gostava do velho Doquinha pelas histórias de valentia que ele contava dos seus tempos de juventude. Fora amigo de uma série de “famosos do gatilho” desta terra.

Na reta final da vida, os amigos passaram a ser os famosos de copo, conhecidos por Fofa Chão, Pastor Sifrão, Gabiru, Batoré, Manguito, Zoião, Coleguinha, Sargento Garcia, Puré, Monge Wladir, Língua Colada, Biu Bezerros, Beleboi e Magistrado Baden-Baden.

Doquinha tinha um “cumpadre quelido” que o apresentou a dona Nildinha, avó do Considerado. A velha, que gosta do sassarico, logo arrastou as asas para cima dele. Elogiava o chapéu de cowboy e o bigode ruivo. Não deu outra. A paixão foi arrebatadora.

Só que o compadre sempe avisava: – Olhe não dê trela pra essa velha que ela é o cão. Conheço uns quatro que não aguentaram o ritmo dela.

-Deixe comigo. – Foi a resposta do novo “latim lover” de Nildinha.

Segundo o compadre, o romance intenso foi fugaz. Durou seis meses. Até o dia em que ela resolveu acompanhar o neto ao médico. Considerado com uma crise hemorróidas foi a um especialista indicado por Doquinha. O doutor Coleguinha era uma espécie de amigo irmão dele. No consultório, a velha não perdeu tempo depois de se encantar pelo homem de jaleco branco. Conhecendo a avó e com pena do velho amigo, o rapaz chamou a atenção:

-Vó pare com isso, a senhora não tem mais idade para se insinuar desse jeito.

-Não estou fazendo nada. E idade para quê?

-Mesmo sem idade, a senhora também tem um namorado. Respeite ele.

-Tem mais nada a ver. O Doquinha agora só quer namorar o copo.

-Então acabe, mas não fique de presepada.

-Não estou de presepada. Eu soube que ele se encantou pela irmã do meio de um tal de Monge.

-Seria bom, por que a senhora não é nenhuma santa mesmo.

-Só por que eu dei uma olhadas pra esse médico bonitão?

-Por que a senhora já é velha e o Doquinha não merece.

-Velha é tua mãe que não arranja ninguém.

-A senhora parece uma adolescente ninfomaníaca.

-Meu filho eu estou viva e um médico com um dedo deste tamanho é meu sonho…

-Coitado do Doquinha vai entrar na “gaia”…

-Quem sabe, se o Coleguinha dele quiser…

-Desse jeito vó, só tinha um cara pra lhe acertar.

-Quem é?

-Zoião Papavento. Aí a senhora ia ver o que é bom pra tosse.

-Manda ele pra mim meu filho…

 

(P.S. – Que o Doquinha esteja em paz onde estiver. Era uma grande figura)

 

 

 

 

 

 

 


Considerado, os pardais e as gaiolas de dona Nildinha

6 de Março de 2016 • 12:02 pm

Como sempre acontece aos domingos, Considerado foi tomar o café da manhã com dona Nildinha, avó dele. A velha costuma caprichar e fazer os mimos do único neto que tem. Eles são muitos ligados. Família pequena, o melhor caminho para viver em harmonia é manter a unidade afetiva.

Chegou à casa dela e se surpreendeu ao olhar à mesa e esta não estava posta. Nada para comer, nem beber. Será que está doente? Foi o que pensou e passou a chamá-la, visitando os três quartos da casa. Preocupado seguiu em direção ao quintal e sua surpresa tornou-se ainda maior. Estava lá, sentada em uma pedra, com um pacote de milho quebrado nas mãos e uma arapuca armada para pegar passarinho.

-O que é isso vó? Ele questionou incrédulo e ela retrucou na hora: – Silêncio menino!

Foi o que fez. Ficou mudo e imóvel, assistindo ela jogar farelos de milho debaixo da arapuca e cantando como quem chama ninhada de galinha: ti ti ti ti ti…

Considerado teve que interromper a cena ao ver ao lado, no canto do muro, mais de 10 gaiolas de criar passarinho. “Essa velha está louca”, voltou a pensar. Logo interrompeu a cena e questionou já meio abusado: – O que está acontecendo aqui minha vó, a senhora está bem? Nildinha fez sinal de positivo e ele insistiu para que a situação fosse esclarecida, pois não estava entendendo absolutamente nada.

– Diga-me vó, por que essas gaiolas, essa arapuca, se a senhora nunca criou passarinho?

-Eu estou aqui para defender a natureza?

-Como se defende a natureza, prendendo passarinho em gaiolas?

– Se eu não prender vão acabar com eles?

Pardal

Pardal

– Que conversa minha vó…

-É sim. A imprensa está dizendo aí que querem acabar com os pardais…

– Pelo amor de Deus vó, não tem nada ver com esses passarinhos não.

-Mais eu ouvi falar no rádio que querem acabar com os pardais e eu sou contra.

– Os pardais que falaram não são esses passarinhos. São equipamentos eletrônicos de uma certa máfia da indústria da multa.

– E é? A vizinha que só anda de shortinho me falou dos pardais, mas não falou dessa indústria não. Então me fale o que é isso.

Ele ajudou a vó a levantar-se e depois foi desarmar a arapuca que já estava rodeada de um bando de pardais, felizes com a comida farta. Mas, impaciente, ela pediu explicações ao neto sobre o que estava acontecendo.

– O problema vó é que o prefeito de Maceió colocou nas ruas esses equipamentos eletrônicos chamados pardais, que registram infrações dos motoristas no trânsito e os infratores são multados.

– E isso não é bom?

– Em tese é. Mas a questão é que as pessoas estão dizendo que ele colocou esses pardais para atender a indústria da multa e arrecadar dinheiro para as eleições.

– E é? Então tem safadeza no meio?

– Não sei. Não posso afirmar isso. Agora esse é um ano de eleições, os vereadores querem dinheiro para campanha, o prefeito também, os cabos eleitorais também…

– Estou entendendo. É multa pra um, multa pra outro e o dinheiro entrando.

– É o que dizem…

– E agora eu que fico no prejuízo, Considerado?

-Como assim?

– E quem vai pagar minhas gaiolas?

– No prejuízo estou eu dona Nildinha, cadê o meu café?

– Vá comer na vizinha, a quartuda que você gosta…Mas, se preferir, vá na Rotary comer com seu amigo Batoré.


Avó do Considerado, a sem noção e a estátua do Graciliano. Essa velha…

13 de Fevereiro de 2016 • 8:06 am

Considerado acordou cedo fez tudo que a natureza pede após o despertar do corpo e da alma e se drigiu ao café da manhã na casa da avó, dona Nildinha. Coisa de menino criado com vó, dizem os amigos dele, mas nesse caso o cara não liga a mínima. E, cá pra nós, tem razão em não dar ouvidos a chacotas dos parceiros. Faz parte.

Mas, no café encontrou a velha pensativa diante de um notebook, seguindo páginas e páginas do facebook. Mal teve tempo de abençoar o neto, que lhe beijou a testa e deu bom dia. Nildinha não é muito de ficar quieta e isso foi o que causou estranheza naquele momento.

Devidamente incomodado, Considerado perguntou o que estava acontecendo ou o que havia de tão importante no facebook que a avó mal lhe notara em casa. Logo ela que gosta de tagarelar, falar mal dos outros, contar os casos que teve com policiais e que agora anda apaixonadíssima pelo secretário de segurança. “Esse é dos meus”! Costuma dizer.

Lá nos idos de 50, ela era mais conhecida como “Maria Batalhão”.

Em meio ao silêncio dela, o neto enfim pergunta o que está havendo, se está doente ou que mal existe?

Ela responde que não há nada consigo, mas que viu uma coisa na internet que a deixou pensativa sem uma opinião concreta em torno do assunto.

-E o que foi vó?

-Essa moça que subiu nas costas da estátua.

-E o que tem ela demais?

-Não sei meu filho, mas isso nessa época de carnaval…

-E o que o carnaval tem com isso minha avó?

-É que nessa época a gente gosta de subir em tudo, menos numa estátua.

-Não estou entendendo essa conversa.

– Olhe eu já montei em tronco de Mulungu, lombo de jegue, nas costas do sargento Militão e subiria até nos ombros do Gaspar, mas numa estátua, que tesão há nisso?

-Tenha jeito dona Nildinha!

-Meu filho tem gosto pra tudo…

-Acho que não foi uma questão de gosto, mas um ato impensado.

-Impensado e bota logo no facebook?

-Mais impensado ainda. Deixa pra lá, é melhor eu lhe contar meu sonho…

A velha então olhou pra ele e até pensou e deixar a história de lado e ouvir  sobre o sonho do Considerado que já não estava mais gostando daquela conversa. Mas, Nildinha não quis saber e retomou a história:

-Não sei não… E sobe na estátua do Graciliano, se fosse pelo menos do Brad Pitt.

-Graciliano é um ícone da nossa cultura…

-E o que você entende de cultura Considerado?

-Vó é melhor a gente acabar essa conversa e deixar essa moça pra lá. Ela já pediu desculpas!

-Nao sei por que você defende tanto ela.

-Isso não tem nada a ver

-Já sei.

-Sabe o quê?

-Na verdade, você que não namorou ninguém no carnaval, deve ter sonhado com ela subindo em suas costas.

-Eita vó, aí ela ia se estrompar todinha.

ela na orla

 


Considerado, a Melina e o MOVA sem protesto. Tem jeito?

16 de Janeiro de 2016 • 8:26 am

O Considerado amanheceu hoje pra lá de arretado da vida. Apareceu dizendo que ia se queixar no MOVA. Como não sabia exatamente do que se tratava quis saber do que ele estava falando e me disse que era o Movimento Cultural Alagoano.

E aí foi que fiquei sem entender coisa alguma mesmo. O Considerado indo se queixar de alguma coisa no MOVA era uma situação pra lá de inusitada.

Sendo assim tratei de saber mais sobre essa história para poder entender a real situação. Ele me disse que esse movimento questiona o que está errado na cultura alagoana. Disse que a entidade promoveu o maior barulho contra a indicação da Secretária Estadual de Cultura, Melina Freitas, e por isso ele ia lá fazer uma denúncia.

Danou-se, pensei cá com o meus botões. Principalmente por que nunca vi o Considerado envolvido com qualquer que fosse o movimento cultural na cidade.

Portanto, é preciso tirar essa história a limpo. – Diga aí amigo, o que você tem a ver com a cultura alagoana que resolveu fazer uma denúncia?

Olhou-me com uma cara de revolta e tirou onda dizendo que todo e qualquer povo tem a ver com cultura. No caso dele, a cultura popular. Gosta de dançar coco e se esbaldar no carnaval.

A história é a seguinte. O cara fez uma fantasia de Pirata para sair no bloco “Caçoa mas num manga”, nas prévias carnavalescas de Maceió.

Só que, de repente, veio a informação de que o prefeito Rui Palmeira preferiu fazer o “Maceió Verão”, do que ajudar o blocos do Jaraguá Folia, o Pinto da Madrugada e outros.

Ele então ficou com os nervos em frangalhos e queria uma posição do MOVA, enquanto entidade de defesa cultural.

-E o que você quer de fato, Considerado?

-Quero que o MOVA faça um protesto contra o prefeito de Maceió.

-Mas o prefeito tem o livre arbítrio de trocar o Jaragá Folia e o Pinto da Madrugada pelo Maceió Verão.

-É. E a Melina não tem direito de ser Secretária de Cultura não?

-E o que a secretária tem a ver com isso?

-O MOVA botou pra quebrar em cima dela, constrangeu o governador por causa dela e nem quis saber se a criatura ia trabalhar direito ou não?

-É o direito que cada um tem de protestar Considerado…

-Sim e cadê o protesto contra o cara que negou apoio as prévias carnavalescas de Jaraguá, com seus afoxés e blocos que arrastam mais de 200 mil pessoas na cidade?

-Você tem que entender que o prefeito disse que a Prefeitura está em crise.

-É? Mas está gastando muito mais de R$ 1 milhão para fazer shows na praça Multieventos só pra elite, com camarote e tudo.

-Quer dizer que o MOVA não se moveu…

– Deve ser por causa do aumento da passagem de ônibus. Ah se fosse a Melina…

 


A resposta da sogra do Considerado depois do Aconcágua. Paguei o pato

8 de Janeiro de 2016 • 8:40 am

Não vejo a hora de encontrar o Considerado pela frente. Talvez tenha que rever esse nível de camaradagem com ele. O cara acostumado a aprontar a todo tempo – umas tantas vezes sem noção e outras por peraltice – e o pato agora sobra pra mim, um simples escrivinhador, como diz “o Coleguinha” (amigo do Considerado).

Contei aqui “a manha” que ele fez para a sogra levá-lo em uma viagem internacional. Acontece que e a nobre senhora leu o escrito e não gostou e tem suas razões. Por isso, peço-lhe a devida vênia. Dona Julita até confirmou que se livrou do Aconcágua por que tem um santo forte. Mas, quem ficou mal na fita fui eu. Esse pato eu tributo na conta do Considerado e não há suíno nenhum, nem temperado, que pague. E tudo por um “mero” detalhe. Veja abaixo a íntegra da carta de dona Julita para o blog do Pequeno Polegar.

 

  • Prezado senhor

Pequeno Polegar (desculpe, foi este o nome que ouvi do Considerado)

Chegou a meu conhecimento uma advertência sua sobre os propósitos funesto do Considerado a integridade física de minha pessoa, desde já agradeço  pela boa vontade de me fazer conhecedora  do  famigerado intuito.  No entanto graças a  minha intuição e ajuda dos meus Santos protetores o tal plano gorou, pois no dia da ida ao Aconcágua , num estalo de momentânea lucidez  resolvi não ir,acredite ,o Considerado ainda instou  muito para que eu fosse conhecer  a maior montanha das Américas, mas, como já disse antes, o meu Santo é forte( nem diga isso ao Coleguinha, pois vai me achar uma incauta por acreditar no imponderável, e no que não esta cientificamente comprovado ),

Achei o pseudônimo, ou como se diz hoje, codinome Julita agradável, pois me levou as lembranças da infância, de uma prima contadora de histórias de fantasmas e  assombrações, uma portuguesa de bigodes, — mas doce que doce de jaca,—   feito por minha avó. Quanto ao apodo de “veia” quero dizer educadamente e não se ofenda “veia” è alguém muito mais próximo do senhor.

Espero que o ano de 2016 seja de alegrias e realizações para o senhor e toda família  , um abraço cordial

                        Julita     

Ps: tudo é pura brincadeira o Considerado jamais faria qualquer coisa contra mim, tenho certeza,

                                                                     

 

 


Sogra paga viagem de Considerado para o Monte Aconcágua. Que confusão!

30 de dezembro de 2015 • 4:11 pm
Cume do Aconcágua

Cume do Aconcágua

A mãe da namorada de nosso amigo Considerado chamou  filha para viajarem juntas. Dona Julita, a matriarca, pagou um pacote para romper o Ano Novo entre a Argentina e o Chile.

O pacote inclui brinde com uma Veuve Clicquot no pico do monte Aconcágua, considerada a montanha mais alta das Américas, localizado na região Mendoza, nos Andes argentinos.

A jovem animada com o presente da mãe logo contou para o namorado que iria passar o réveillon muito longe de casa. Ele, com a cara de espanto, se insinuou:

– E eu não vou não é?

– Mainha não falou nada sobre você.

-Então se vire e diga para me incluir no pacote, afinal no Natal eu dei a ela um leitão, suíno saudável, de presente.

E lá se foi Manoela, a namorada, convencer a mãe a convidar o genro para ir na base do “zero oitocentos” a uma viagem internacional. A vela ficou possessa com a cara de pau do sujeito e ameaçou a desistir da programação. A confusão foi feia.

– Ele pensa que por causa de um suíno de qualidade mediana eu devo alguma coisa a ele?

– Não se trata de suíno, mamãe. Custa nada à senhora convidar o seu genro?

– Tem certas qualidades de genro que é melhor não ter.

-Não senhora, ele é um bom rapaz e eu gosto dele.

Enfim, Manoela bateu o pé firme no chão e disse à mãe que só iria com o namorado. A velha então cedeu e adicionou o Considerado no pacote. Pagou o triplo, mesmo revoltada.

Estão lá em Mendoza. Considerado só fazendo selfie e disparando as fotos para os grupos de whatsapp dos amigos. Em cada foto, uma legenda, tipo: “Domei a velha”!

Em uma das fotos enviadas, fez uma ameaça velada: – Se eu me abusar deixo essa velha no monte Aconcágua e vou pra Santiago com Manu.

Para o azar dele, dona Julita descobriu as mensagens enviadas e foi tomar satisfações.

– Como é essa história que você vai me deixar no Aconcágua e sumir com a minha filha?

– Foi brincadeira dona Julita?

-Isso é brincadeira que se tire com uma senhora de respeito e que está aqui pagando as suas contas?

-Também, a senhora quer transformar a minha vida num inferno.

-Inferno é ter você por perto gastando o meu dinheiro… Bebendo champanhe francês…

– Como é a história dona Julita?

– É isso mesmo.

-Mas, quando foi pra receber meu suíno de presente a senhora se derreteu toda…

-Se derreteu o quê, me respeite.

E ainda pediu outro pra presentear o padrasto do Batoré.

-Que Batoré? Aquele seu comparsa do Opala azul?

-Ele mesmo.

-Então quer saber, pegue seu suíno e bote no…

-Êpa! Cabe não sogrinha…

 

 

 

 

 

 


Considerado, avó, ‘coxinhas e pão com mortadela’ com o Dr. Coleguinha

21 de novembro de 2015 • 8:18 am

Dona Nildinha, avó do nosso amigo Considerado, coloca a saída de praia, calça a sandálias de salto, maiô nas cores  verde e laranja, laço azul no cabelo, se olha bem no espelho, pega a bolsa e segue para a praia. Dia de sábado, sol a pino e ela toda feliz para pegar um bronze, como sempre fez na juventude, quando se estirava na areia quase que ensopada com um bronzeador à base de óleo de amendoa e babosa. Se sentia a rainha do mar.

Da foz do Salgadinho até a Pajuçara, segue caminhando e cantoralando “Maceió minha Sereia”…

No meio do caminho encontra um grupo de jovens, todos brancos, exibindo músculos construídos à base do famoso Potenay, vestidos em camisetas nas cores da bandeira brasileira, que gritavam a plenos pulmões: “Pão com  mortadela”! “Pão com Mortadela”!

Do outro lado da rua ela vê outro grupo miscigenado, alguns barbudos, mas todos de vermelho, bandeiras tremulando, igualmente ao berros: “Coxinhas”! “Coxinhas”!

No meio da zuada dona Nildinha ficou atônita. Julgou-se insultada, pois tinha a certeza que os dois grupos estavam tirando onda com ela. Olhou-se bem, de cima abaixo, viu as penas, percebeu que já não tinha mais uma coxinha como antigamente, mas não encontrou nada de anormal, a não ser as varizes.

Abriu a bolsa para olhar se tinha colocado algum pão com mortadela dentro, mas logo lembrou que prefere sanduíche natural de cenoura. Assim, contrariada com a algazarra, devolveu o xingamento: “Coxinha é a mãe de vocês”! Olha para o outro grupo e dispara: “Pão com mortadela é a vovózinha”!

Estava disposta à briga. Tirou do pé uma das sandálias de salto grosso e se preparava para atacar o primeiro que se aproximasse, quando, enfim, o neto aparece para livrá-la da encrenca que arranjou sem necessidade.

-A senhora está ficando doida vó?

-Doida o quê, Considerado, você não está vendo esse povo me esculhambando?

-Não é nada com a senhora eles estão brigando por outra coisa…

-Coisa nenhuma, estavam me chamando de coxinha e eu nunca dei essa liberdade!

-Esse pessoal é da política vó…

-Eu não sei de política não. Eu nunca dei liberdade a ninguém…

-Menos vó, menos… Eu vi como a senhora ficou quando eu fui fazer aquele exame do novembro azul.

-Quem fez o exame foi você não fuiu eu não.

-Sim, mas a senhora quase come o médico com os olhos.

-Me respeite seu filho de uma égua!

-Eu só estou dizendo que a senhora não é nenhuma santa. Lá ficou dizendo que o médico era isso, era aquilo,,,

-Achei o médico bonitão, perguntei o nome dele só isso.

-Não parou de olhar pra ele e fez até um comentário sobre o tamanho do dedo dele, vó. Tá lembrada?

-Olhe, chega. Vamos embora daqui que não aguento isso não…

Considerado cumpriu à risca a determinação da velha e a tirou do meio fuzuê, onde estavam quase se engalfiando os prós e os contras a presidente Dilma Rousseff. Levou-a à Pajuçara e lá também ficou tomando sol. Mas, enfim, ela quis saber por que aquela confusão quando passava na praça da Liberdade.

-Olha vó, os de vermelho chamavam os branquelos, de verde e amarelo, de Coxinhas. E esses chamavam os outros de Pão com Mortadela.

-Que coisa mais sem graça.

-Também acho, mas eles gostam…

-Quer saber mesmo o que acho meu filho?

-O que vó?

-Que aquele povo todo ali deveria fazer fila no consultório pra passar o que você passou…

-Aí é brincadeira né?

-Brincadeira não, mas eu gostaria de vê-los aguentar sorrindo o novembro azul do Dr Coleguinha…

-Já vi que a senhora não esquece mais esse médico.

-Um homem com um dedo daquele quem vai esquecer. Nem tu Considerado!

novembro azul

 


Considerado de olho na garrafa de marafo da macumba de Brasília

3 de novembro de 2015 • 7:56 am

É impressionante a capacidade que tem um sujeito de entrar abruptamente em uma sala pequena já fazendo algazarra. O pior é que, por mais que se queira, ninguém consegue ficar com raiva dele. No fundo, todos se divertem com a presepada do cara.macumba

E quase sempre chega naquele momento em que todos estão na maior concentração. Cada um focado em sua tarefa de preparar a informação para o amigo internauta. Aparece estiloso, gorro preto na cabeça e, o pior, fumando um charuto peba capaz de colocar qualquer um pra correr. Assim não há alma na terra que aguente.

– Que palhaçada é essa Considerado? – Apague essa ‘mer…’ horrorosa ou desapareça daqui.

– Calma Mizifio, suncê tá c’uma cara de quem tomou uma garrafa de marafo, Mizifio…

– Tenha jeito de gente, cara… Você acha que está num terreiro de macumba pra aparecer assim?

– Eu não, mas ele sim.

– Ele quem?

Considerado não deu mais conversa e jogou uma edição do jornal o Globo sobre o bureau. Fiquei sem entender e me mandou abrir a página da coluna do jornalista Lauro Jardim.  Foi aí que caiu a ficha diante de todo o ‘misencene’ da entrada do rapaz. Ato contínuo, após a leitura da nota, veio à descontração e logo estávamos todos em gargalhadas incontidas.

– Minha nossa, será verdade isso?

-Se o jornalista do Globo está dizendo que ele fez uma macumba lá na casa de Brasília pra prejudicar o procurador Janot, ele ia mentir é?

– Não sei Considerado, mas logo agora que ele fez uma homenagem no Senado aos proprietários do O Globo?  Não sei…

– Será que baixou o espírito de Mãe Diná?

– Deixa de brincadeira cara…

– Antigamente era ela quem fazia e agora?

– Com essa coisa não se brinca…

– Mizifio eu fico imaginando a qualidade do marafo desse despacho. Deve ser dos bons.

– Eu hein, quero nem saber.

– Será mesmo que o pessoal da Policia Federal que encontrou o despacho bebeu o marafo?

Deixa de história Considerado…

– Eu ouvi dizer que teve um deles que bebeu e saiu doidinho, cantando uma musiquinha…

– Que musiquinha rapaz?

– Aquela que diz assim: – Ô meu fio do jeito que suncê tá, só o homem é quem pode te ajudar.

macumba lelê


As neuras do Considerado e Nonô na saúde

20 de outubro de 2015 • 8:53 am

Meio esbaforido e com uma cara de quem passou a noite inteira acordado com dor de dente, o Considerado surge para as suas conversas costumeiras. O aspecto é de um jovem adoentado. Mas,  pode ter sido de fato apenas uma noite mal dormida ou, quem sabe, mais um instante depressivo por conta das rotineiras brigas com a namorada.

Para não perder o costume, sinto-me no direito de questioná-lo. Saber como vai, por onde anda, se está tudo bem é mais que uma obrigação. Logo procuro saber se está de fato doente:

-E aí, rapaz, tudo bem com a saúde?

-No, no…

-Ora, você está estudando inglês ou está me dizendo que a saúde não vai bem?

Nonô: agora na saúde.

Nonô: agora na saúde.

-Estou lhe dizendo que o Nonô é quem cuida da saúde.

-Ah, sim. O nosso ex-vice governador José Thomás Nonô foi cuidar da Secretaria Municipal de Saúde.

-Pois é. Ele já cuidou das casas da enchente que o governo federal construiu e hoje ainda tem gente que espera receber a casinha…

-Mas, isso é culpa dele?

-Acho que da eficiência, da eficácia, da politicagem de muita gente.

Com essa ironia desajeitada do Considerado acabo ficando meio sem graça. Sobretudo por que uma boa parte dos alagoanos consideram o Nonô um homem sério, proativo e capaz.  Mas, ao mesmo tempo fico sem entender por que o homem depois de ter sido governador aceitou ser secretário municipal de Saúde. Não precisei ficar me questionando por que o Considerado retomou a história com a visão dele:

-Coisas da politica, meu camarada…

-Como assim Considerado?

-Ele é o manda chuva do DEM.

-E o que o DEM tem demais?

-Depois que deixou o governo estadual ficou sem nada.

-Quer dizer que agora tem?

-E você quer algo melhor que a Secretaria da Saúde?

-Mas dizem que a saúde está falida.

-E por que ninguém rejeita essa secretaria, todos brigam por ela?

-Não sei mesmo.

-Será que não é bom DEMais?