10 de novembro de 2017 • 12:45 pm

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Boiadeiros versus Dantas: uma história de poder e morte no sertão

Eles trocam acusações: Pacificar a região é a tarefa maior das autoridades policiais e da justiça

Por: Marcelo Firmino
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Preto Boiadeiro, ou José Anselmo Cavalcante de Melo, filho do vereador Adelmo Rodrigues de Melo, ou Neguinho Boiadeiro, já deu o tom da conversa sobre “a guerra” familiar em Batalha, entre Boiadeiros e Dantas.

Ao acusar família Dantas de ser a responsável pelo assassinato do vereador Neguinho Boiadeiro, Preto, ao lado da mãe, Mércia Boiadeiro, sinaliza para o que estar por vir no sertão de Alagoas depois dos crimes desta quinta-feira, 9.

Esta é uma guerra antiga e envolve poder político, ego, dinheiro, entre outras situações características do “coronelismo” no sertão das Alagoas.

As famílias –  O clã dos Boiadeiros tem origem cigana. Mas, já foi aliado dos Dantas em épocas passadas. No entanto, os interesses contrariados levaram a um rompimento que culminou com mortes e mortes. Neste cenário, sempre pontuavam Dedé Boiadeiro, Laércio Boiadeiro, Neguinho Boiadeiro, Marcone Boiadeiro, Baixinho Boiadeiro e os mais novos, Pinto e Preto Boiadeiro. Neguinho já havia se candidatado em 2010 a prefeito de Batalha, mas perdeu a eleição para um candidato apoiado pelos Dantas. Já o filho dele, Pedro Boiadeiro se elegeu vereador.

Do outro lado, o clã do Dantas, tinha como figura central José Miguel Rodrigues Dantas, o Zé Miguel, morto há 18 anos.

José Emílio, ferido.

Líder político do sertão, Zé Miguel era o chefe da família de tradição no Estado. Elegeu-se prefeito de Batalha mais de uma vez e costumava ajudar a eleger deputados e governadores. Era cultuado e temido por aliados e adversários, exatamente como os Boiadeiros. A aliança com

Neguinho Boiadeiro: assassinado

ele e a família no sertão era meio caminho andado para uma eleição vitoriosa.

Politicamente, no entanto, o cérebro da família sempre foi agropecuarista Luiz Dantas. Foi deputado federal e deputado estadual por mais de um mandato e hoje é o presidente da Assembleia Legislativa. Luiz Dantas, contudo, não carrega consigo o estigma da violência. Dizem seus assessores que sofre em função dos desacertos de membros da família nessa área. Além dele, outro irmão, Antônio Dantas, médico e pecuarista.

Zé Miguel foi emboscado e assassinado em 1999. Segundo a polícia apurou o responsável teria sido José Laercio Rodrigues de Melo, o Laércio Boiadeiro. Na época foi morta também a esposa de Miguel, Mathilde Tereza Toscano. Laércio sempre negou a participação no crime, embora tenha sido condenado a 35 anos de prisão em um primeiro julgamento.

Zé Miguel deixou como herdeiros os filhos Cláudia Dantas, Paulo José e José Emílio, este último que saiu ferido na troca de tiros desta quinta-feira, com membros da família Boiadeiro. Os jovens Dantas, no entanto, não se interessaram pela política. Decidiram cuidar dos negócios da família. Na política só apoio ao tio Luiz para se eleger deputado.

Boiadeiros e Dantas, morando na mesma cidade e disputando poder político já se sabia que, em função do passado, um dia algo iria acontecer.

Em 2013, por exemplo, os irmãos boiadeiros José Anselmo e José Márcio foram a julgamento, acusados de participarem do assassinato de Samuel Theomar Bezerra e do sargento PM, Edvaldo Matos, que eram cunhado e segurança do ex-prefeito de Batalha, Paulo Dantas, este filho do deputado Luiz Dantas. O crime aconteceu em 2006.

Eis que agora a violência explode novamente e se não houver uma ação efetiva da polícia e da justiça para pacificar a região o sertão alagoano corre um sério risco de virar mar.

Mas um mar de sangue.

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