14 de dezembro de 2017 • 8:48 am

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Brasil tem a maior concentração de renda do mundo, diz pesquisa

Pesquisa Desigualdade Mundial 2018, coordenada, entre outros, pelo  economista francês Thomas Piketty

Por: Da Redação
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Por Rodolfo Borges*

Quase 30% da renda do Brasil está nas mãos de apenas 1% dos habitantes  do país, a maior concentração do tipo no mundo.

É o que indica a  Pesquisa Desigualdade Mundial 2018, coordenada, entre outros, pelo  economista francês Thomas Piketty. O grupo, composto por centenas de  estudiosos, disponibiliza nesta quinta-feira um banco de dados que permite comparar a evolução da desigualdade de renda no mundo nos últimos anos.

Os dados sobre o Brasil se restringem ao período de 2001 a  2015, e são semelhantes em metodologia e achados aos estudos pioneiros  publicados pelos pesquisadores brasileiros Marcelo Medeiros, Pedro  Ferreira de Souza e Fábio Castro a partir de 2014. No caso de Souza,  pesquisador do IPEA, o trabalho construiu série histórica sobre a disparidade de renda no Brasil desde 1926.  A World Wealth & Income Database (base de dados mundial de riqueza e  renda) aponta que o 1% mais rico do Brasil detinha 27,8% da renda do  país em 2015, enquanto no estudo do brasileiro, por diferenças de  metodologia, a cifra é 23%.

Segundo  os dados coletados pelo grupo de Piketty, os milionários brasileiros  ficaram à frente dos milionários do Oriente Médio, que aparecem com  26,3% da renda da região. Na comparação entre países, o segundo colocado  em concentração de renda no 1% mais rico é a Turquia, com 21,5% em  2015 — no dado de 2016, que poucos países têm, a concentração turca  subiu para 23,4%, de acordo com o levantamento.

O Brasil também se destaca no recorte dos 10% mais ricos,  mas não de forma tão intensa quanto se observa na comparação do 1% mais  rico. Os dados mostram o Oriente Médio com 61% da renda nas mãos de seus  10% mais ricos, seguido por Brasil e Índia, ambos com 55%, e a África  Subsaariana, com 54%.

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A região em que os 10% mais ricos detêm menor fatia da  riqueza é a Europa, com 37%. O continente europeu é tido pelos  pesquisadores como exemplo a ser seguido no combate à desigualdade, já  que a evolução das disparidades na região foi a menor entre as medidas  desde 1980. Eles propõem, de maneira geral, a implementação de regimes de tributação progressivos e o aumento dos impostos sobre herança, além de mais rigidez no controle de evasão fiscal.

O grupo de economistas reconhece que existe “grandes limitações para  nossa capacidade de medir a evolução da desigualdade”. Muitos países não  divulgam ou sequer produzem dados detalhados sobre renda ou  desigualdade econômica. A pesquisa se baseia, portanto, em múltiplas  fontes, como contas públicas, renda familiar, declaração de imposto de  renda, heranças, informações de pesquisas locais, dados fiscais e  rankings de patrimônio. O brasileiro Pedro Ferreira de Souza concorda:  “Na minha tese, do ano passado, o Brasil também aparece em primeiro na  concentração de renda no topo, mas não gosto de falar em campeão mundial  porque há muito ruído e incompatibilidade nos dados. Prefiro dizer que  está sem dúvida entre os piores”, diz o pesquisador, cujo trabalho se  tornará livro no ano que vem por ter recebido o Prêmio Anpocs de Tese em Ciências Sociais.

*El País, 14.12.17

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