1 de julho de 2017 • 3:26 am

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Cada um protege os seus e o povo fica com Deus

Aécio, que estava na iminência de experimentar o inferno da prisão, volta para o paraíso do Senado, e tudo continua como antes…

Por: Fátima Almeida
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Por que será que no Brasil tudo em política é fantasioso, disfarçado e arrogante?

A notícia anunciada em 18 de maio, de que o senador Aécio Neves, pego com a boca na botija do propinoduto, nas investigações da Procuradoria Geral da República, foi afastado do mandato por falta de decoro parlamentar, prática de corrupção e outras ‘cositas’ mais, encheu os brasileiros de expectativa em relação ao corretivo que viria – como tem sido a cada delação, a cada prova apresentada, a cada político investigado, citado ou indiciado.

Ora, pensaram muitos, na santa ignorância ou ânsia de punição para os corruptos, que o senador denunciado havia de fato perdido o mandato, quando, na verdade, ele só estava ‘de férias’; é isso que se pode chamar o período de afastamento do trabalho, por determinação da Justiça, sem nenhum prejuízo ao senador – nem mesmo o desconto no salário. Férias concedidas e revogadas por ministros do Supremo Tribunal Federal – diga-se de passagem.

Primeiro o ministro Edson Fachin proibiu Aécio Neves de exercer as funções de senador; agora o ministro Marco Aurélio Mello autorizou a volta do senador, apesar de ele ter sido  denunciado pela PGR, por corrupção passiva e obstrução da Justiça.

Estranho, né? Na avaliação do ministro Marco Aurélio, que assumiu a relatoria do caso Aécio Neves por meio daquele famoso sorteio do STF, ‘não cabe àquela Corte afastar um parlamentar em exercício do mandato”. Isso criaria jurisprudência capaz de afetar o equilíbrio e a independência dos três poderes.

Huuum! Magistrados de uma mesma corte, em pareceres diferentes sobre uma mesma ação.

Ora, se existem leis, onde aperta o botão da ‘equidade’, para que ela seja igual, com o mesmo peso e a mesma medida para todos?

Para o ministro Aurélio, (mesmo com todos os elementos apurados até agora) ‘não houve flagrante’; e apesar da mochila recheada de dinheiro e das gravação e delações que constam nos autos, o senador não foi surpreendido cometendo crime, e ponto final.

Ah, tem mais: Sabe aquele pedido de prisão? Marco Aurélio avalia que os delitos atribuídos a Aécio não estão entre os considerados crimes inafiançáveis – tortura, tráfico de entorpecentes, terrorismo e outros crimes hediondos.

Mas, espere um pouco ministro. E para os outros que já estão presos só pelas delações, teria havido flagrante? E para a irmã e o primo do senador, teria havido? Teriam, os crimes atribuídos a eles e outros delatados, qualificação diferente dos atribuídos ao ilustre senador?

Ou não?

Sei lá. Minha leitura é pouca para esse imbróglio.

Só sei que Aécio, que viveu os últimos dias na iminência de ir para o inferno da prisão, volta para o paraíso no Senado e tudo fica igual como era antes…

É Brasil…

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