Carnaval

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Considerado descobre que Batoré foi expulso de casa pelo Padrasto Rola Cansada

13 de Fevereiro de 2018 • 1:20 pm

Considerado decidiu não cair na folia neste carnaval. Para não perder o costume foi para a casa da avó Nildinha, por que lá tem tudo à mão. Desde a cerveja gelada ao caldinho de mocotó, que ele insiste em dizer que é “diet”.

Surpreendeu-se, no entanto, na segunda-feira, 12, com umas insistentes batidas na porta da casa. Foi atender e deu de cara com Batoré, o amigo de todas as horas.

O cara estava desolado. Era a depressão personalizada. Considerado assustou-se ao ver o amigo naquele estado. Que teria acontecido? Mandou-o entrar, sentar-se e lhe ofereceu um copo da cerveja que estava bebendo. Estranhou ainda mais quando o viu a recusa inusitada do parceiro.

-O que houve amigo “Ba”? Fez-se silêncio. Batoré não estava afim de conversar. Queria apenas um lugar para ficar e espantar a tristeza.

Considerado voltou a perguntar o que estava pegando. Precisava saber por que o parceiro estava naquele estado de fossa? O amigo admitiu que estava com um problema, mas não estava para falação.

Foi aí que dona Nildinha apareceu para saber o que passava em sua casa. Batoré não teve alternativa e, com os olhos marejados, falou de uma briga que teve com o Padrasto, Dr. Duarte.

-Briga em família é natural meu filho.

-Eu sei que é dona Nildinha, mas eu não esperava por essa.

-E o que aconteceu de fato?

-Não, é que “Papi” me botou para fora de casa.

Dona Nildinha olhou para o sobrinho, abriu os braços e determinou: -Olhe resolva isso que esse seu amigo está muito sensível.

Considerado logo se arretou:

-Que porra de Papi é essa Batoré?

-Ele é meu padrasto, mas eu o trato carinhosamente.

-Pare com essa frescura e desembuche logo!

Ele contou que a razão da briga estava em um negócio de família que tomava conta e um funcionário estava querendo mandar em seu lugar. Por isso criou uma confusão de tal ordem que a família se dividiu.

Eu gerenciava tudo e agora esse cara convenceu minha irmã, sócia majoritária, que ele era melhor no comando.

-E daí se o negócio também é seu?

-Mas meu padrasto também ficou do lado do cara.

-Então você anda fazendo alguma coisa errada com aquele dinheiro do Pronatec.

-Uma porra!

-O cara não ia lhe expulsar sem razão.

– Foi quando eu disse a mamãe que ele estava com uma galega no bloco “Rola Cansada” na Barra de São Miguel, enquanto ela ficava em casa.

-E não tinha um bloquinho melhor para seu Duarte não?

-Não. Por que aquilo é um rola cansada mesmo.

-Mas sua mãe não acha…

-Pelo visto, nem minha mãe, nem minha irmã…

-Ele pega ela também?

-Ele pega a sua avó, Filho da puta!


13 de Fevereiro de 2018

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Considerado esquece avó e ela perde o desfile do Filhos da Pauta

24 de Fevereiro de 2017 • 11:08 am

Nesta sexta-feira, 23,  Considerado chegou em casa e encontrou dona Nildinha fantasiada de índia, com todos os adereços,  uma lata de cerveja na mão, o som ligado à toda altura e cantando sem qualquer ritmo ou afinação: – Mulher casada que anda sozinha, é andurinha, é andurinha…

Neto zeloso, ficou a olhar a cena e a imaginar o que estava acontecendo com sua avó. É bem verdade que os tempos são de folia e o brasileiro faz tudo na vida para ter um carnaval. É quando as pessoas se entregam e fazem exatamente nesta época o que gostariam de fazer o ano inteiro, mas a sensatez fala mais alto nesse momento. Afinal, a vida é muito mais do que a festa de momo.

Mas, quem gosta de carnaval conta nos dedos horas e minutos para chegar a festa e deixar rolar. Dona Nildinha é uma dessas pessoas que brincou o carnaval à vida inteira com amigas, amantes, família, enfim, com todos que lhe proporcionassem uma boa farra.

Agora em casa, sozinha, fazendo o fazendo o passo, deixou o neto boquiaberto. Não sabia se sorria com a velha desajeitada ou se chorava. Sobretudo por que lhe veio a mente o pensamento dividoso sobre o estado de saúe dela.

-O que está acontecendo minha vó?

-Estou lhe esperando pra gente ir para os Filhos da Pauta!

-O bloco já passou. Foi na semana passada.

Furiosa, ela baixou ovolume do  som, parou a coreografia e reclamou do neto que ficou de lavá-la ao bloco do pessoal da imprensa nas prévias de Jaraguá. “O Filhos da Pauta” desfilou na sexta-feira, 17, à noite. Foi um sucesso. Dona Nildinha certamente teria se esbaldado ao som do frevo “Ói nós aqui de novo, no meio do povo/ fazendo o carnaval, somos gente batuta, somos filhos da…”

Mais do que revoltada ela partiu para cima dele e bradou:

– Você é um filho da puta mesmo, nunca cumpre o que diz.

-Tenha calma vó.

-Calma, uma porra. Você daria pra ser politico, que mente e rouba o ano inteiro.

-Eu viajei e não pude vir aqui…

-Não tem desculpas. Ora viajar…Viajei um cacete!

O clima obviamente ficou tenso. Considerado com as barbas de molho recolheu-se a um canto da casa e passou a ouvir o sermão. O pior é que tinha ido ao encontro dela, exatamente para pedir-lhe o generoso “auxílio carnaval” para a próprio deleite em Olinda. Depois dessa se encolheu e fez menção de sair casa.

-Fique aí, seu orelha seca…

-Mas a senhora está muito nervosa…

-Você sabe que eu gosto de carnaval. Se não podia vir mandava aquele bexiguento do seu amigo Batoré me levar, ou aquele outro Fofa Chão, pé de cana.

-Deixa a turma  quieta vó. Eles não gostam de carnaval…

-Mentira que aquele que vocês chamam de Beleboi está indo para o carnaval do Recife…

-E daí, o que tem isso demais?

-Nada. Mas, se aquele galego irmão dele, que tem o dedo do novembro azul, for também eu vou atrás.

-Olhe a pior coisa do mundo é uma velha assanhada.

-Velha é a tua mãe que vive comendo purê e tentando namorar o “Oio de Jeep”, mas não consegue.

-Por que ela não puxou a você que só gosta de político safado e soldado embriagado…

-Mas estou aqui enxuta e pronta pra me divertir. E se não tem Filhos da Pauta vou tomar uma no bar do Suruagy.

-Quer saber, ou a senhora está biruta ou é mesmo uma filha da puta!