13 de junho de 2015 • 1:43 am

Cotidiano

Médicos reagem à desativação de leitos hospitalares em Alagoas

A ideia é criar um fórum e propor soluções diante da crise que ameaça fechar serviços em hospitais.

Por: Da Redação com Assessoria
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O bloqueio que o governo fez na Saúde – de R$ 11,774 bilhões de reais num orçamento que já é insuficiente – e o anúncio da redução de leitos deixaram a classe médica ainda mais preocupada com a qualidade da assistência, mas a categoria promete reagir. É o que enfatizaram  as lideranças médicas em reunião realizada no Conselho Regional de Medicina de Alagoas (Cremal).

A questão foi discutida com os diretores de unidades hospitalares de Alagoas, o presidente do Cremal, Fernando Pedrosa, e o representante de Alagoas no Conselho Federal de Medicina, Emmanuel Fortes. ‘É inadmissível assistirmos a esse desmantelo, de braços cruzados. Vamos definir uma plataforma de luta e somar esforços para evitar essa tragédia nacional. É preciso contar com o apoio de todos os segmentos da sociedade”, desabafou Fortes.

Eles lembraram que Alagoas teve somente 57 leitos a mais no SUS desde 2010, segundo dados do Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES), do Ministério da Saúde. Em algumas especialidades houve decréscimo, como é o caso dos leitos pediátricos, que eram 500 e agora são apenas 317, ou seja, 180 a menos.  No caso da obstetrícia,  houve aumento de 36 leitos, mas o presidente do Conselho Regional de Medicina de Alagoas, Fernando Pedrosa, lembra que muitos deles estão desativados, devido a obra de reforma física, portanto, não correspondem de fato à real capacidade disponível.

“O que mais choca, nem é a ínfima evolução de leitos, mas a recente proposta do governo federal de cortar leitos do SUS e acabar, até 2016, com internações psiquiátricas”, criticou Fernando Pedrosa. “O que já era ruim, vai ficar ainda pior”, complementou ele.

De modo geral, no País, quase 15 mil leitos de internação  foram desativados na rede pública de saúde desde julho de 2010, quando o Brasil dispunha de 336 mil para uso exclusivo do Sistema Único de Saúde (SUS). Em julho deste ano, o número passou para 321 mil – uma queda de quase 10 leitos por dia. As informações foram apuradas pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) junto ao Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES), do Ministério da Saúde.

Dentre as especialidades mais afetadas constam pediatria cirúrgica (-7.492 leitos), psiquiatria (-6.968), obstetrícia (-3.926) e cirurgia geral (-2.359). Os leitos destinados à clínica geral, ortopedia e traumatologia foram os únicos que sofreram acréscimo superior a mil leitos.

Na reunião do Conselho, os médicos elencaram propostas para realizar manifestações e inclusive criar um fórum para propor soluções diante da crise estadual. “Nesse momento é mais importante conscientizar a população e unir forças, porque, definitivamente, nenhum cidadão merece o que está sendo feito”, concluiu Pedrosa.

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