14 de abril de 2017 • 11:14 am

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Considerado e a ameaça da Lava Jato na campanha de Joaquim Gomes

Ele e Batoré transportaram um pacote de “Fahrenheit” para um candidato em JG

Por: Pequeno Polegar
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Dona Nildinha, avó do nosso amigo Considerado, amanheceu hoje calçada nos tamancos e tentando o exercício da paciência para não explodir o verbo na sexta-feira da paixão. Há mais de uma semana que ela anda agoniada. Nada consigo, propriamente, mas com o neto.

Considerado já está há mais de 20 dias sem sair de casa. Trancou-se no quarto e não quis saber de ninguém. Anda cabisbaixo, meio depressivo e, obviamente, passou a preocupar  todo mundo. Liga a mãe, os companheiros de copo da Confraria do Rei, do Grutinha, enfim, dos bares onde costuma andar e nada a declarar. Só atende o amigo Batoré.

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Dona Nildinha chegou para vizinha e disse que já pensou em chamar uma ambulância do Portugal Ramalho para levá-lo.  “Se não for doença grave, com certeza é dor de corno”, disse ela.

Depois de apelar para as orações, gentilezas de toda ordem – e não ser atendida – ela resolveu bater na porta do quarto com o salto do tamanco. Deu certo. Ele não suportou o labafero dentro de casa e abriu à porta.

-Você endoidou, está com Zika, Chikungnya ou levou gaia, meu filho?   – A velha foi direta. Sonolento, Considerado se disse preocupado, mas não estava a fim de falar sobre seus problemas.  –Não pode ser. Você mora aqui, come e bebe de graça; que problemas você tem?  Depois disso ele percebeu que precisaria desabafar e encontrar uma solução para seu estado depressivo.

-Desembuche logo meu filho ou lhe interno num manicômio.

-É a Lava Jato, vó.

-Como, você comprou um lava jato?

-Não, criatura. Há um mês me disseram que meu nome está lista.

-Que lista, infeliz?

Vendo que o diálogo iria ser difícil ele abriu o jogo. Contou que na campanha eleitoral passada trabalhou, a pedido de um amigo, o Pastor, para um candidato a vereador de Joaquim Gomes (JG). Em dado momento da batalha pelo voto, o candidato sem dinheiro pediu para ele ir falar com um deputado federal famoso, para saber do SFF, que seria o Sistema Facilitador Fahrenheit. A velha pediu detalhes por que não estava entendendo nada. Descobriu que a nomenclatura representava um código para que se falasse em financiamento de campanha. No caso, “fahrenheit” significava dinheiro para caixa dois, propina, enfim. E Considerado foi ao encontro do deputado em um hotel da beira mar de Maceió, tendo como testemunha o amigo Batoré. Foram bem atendidos. O político, então, entregou um pacote dentro de um saco plástico que logo chegou ao destinatário em JG.

-E o que tinha no pacote Considerado?

-Era o “fahrenheit” vó. Quer dizer, eu soube depois que eram mais de R$ 200 mil.

-E daí?

E daí que o deputado está enrolado na Lava Jato e avisou a todo mundo que me entregou o dinheiro. Eu posso ser preso.

-E você fez o quê, com o dinheiro?

-Eu entreguei o pacote ao vereador que é conhecido lá em JG como “Fahrenheit”.

-Então vá lá e diga que entregou tudo e não ficou com nada.

-Não posso, eu não sou delator…

-Então vai preso né?

-A minha raiva é que o vereador perdeu a eleição e ninguém viu a cor do real.

-E o Batoré?

-Esse aí, coitado, chora mais do que mulher na hora do parto.

-E por quê?

-Por que não recebeu nenhum troquinho…

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