6 de junho de 2015 • 7:34 pm

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Considerado e Batoré na marcha da maconha. Eita confusão.

Fazia algum tempo que o silêncio reinava no trabalho. Não havia ninguém para perturbar. E olhe que o silêncio não é uma coisa comum em uma redação. Mas, como sou…

Por: Pequeno Polegar
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Fazia algum tempo que o silêncio reinava no trabalho. Não havia ninguém para perturbar. E olhe que o silêncio não é uma coisa comum em uma redação. Mas, como sou mais discreto procuro um cantinho afastado e faço meu trabalho sem muita algazarra. Éa história de ter sido educado na Suíça que me acompanha até hoje.

Fazia algum tempo… Mas como nada dura para sempre, o silêncio foi interrompido pela chegada intempestiva do Considerado. E sinceramente não sei aonde fui arranjar essa amizade. Mas também não posso me livar dela, pois ele acaba me trazendo informações.

Ele entrou na redação ofegante e com a orelha inchada e avermelhada. Fiquei curioso e espantado com aquela cena. Diante da uma entrada repentina e afobada perguntei:

– O que houve amigo?

– Levei uma porrada pra deixar de ser sem-vergonha.

– Foi bom. Tomara que aprenda.

Compulsivo na fala lá foi ele contar que tinha ido assistir à Marcha da Maconha com o amigo Batoré. Segundo disse, estavam os dois olhando e acompanhando a passeata quando de repente chega na área a polícia do Gaspar e baixa o sarrafo em todo mundo.

Por estar no entorno, ele foi confudido como um manifestante e levou uns sarrafos. O amigo Batoré, que é quase bacharel em Direito, tentou citar alguns artigos da Constituição, mas apanhou do mesmo jeito.

Considerado estava revoltado e queria denunciar a Polícia pela violência sofrida. Disse que nunca tinha fumado nem uma ‘tóia’ de cigarro comum, quanto mais dado um ‘tapa’ na erva. Assim perguntei por que ele foi lá. – As más influências. – Respondeu.  – Como assim? – Perguntei.

Ele coçou a cabeça, alisou aorelha inchada e se lamentou:

– A culpa foi do Babá.

– Que Babá?

– O Batoré. Ele chamou para ir na marcha por que estava paquerando uma garçonete viciada em um cigarrinho.

– E o que você tinha com isso?

– Ele falou que depois da marcha a gente iria pra casa dela, que tinha umas amigas que eram tudo gente fina. Sabe como é, né?

– Não sei de nada.

– Você só quer ser o santo.

– Não é isso. Como é que você dar ouvidos a uma história dessas…

– É verdade. Acabei na pior.

– Pois é. levou uma lapadas da policia e ainda quer que eu vá denunciar essa história. Compre uma pomada e passe na orelha que é melhor.

– A orelha não tem nada ver com isso.

– Como não?

– A namorada do Batoré foi presa e eu fui com ele à delegacia tentar soltá-la.

– E daí?

– É que a moça quando o viu o delegado Rangel disse que o Babá era o advogado dela.O delegado cobrou logo o número da OAB  e ele não tinha. Ela foi presa.  

– Sim, mas sua orelha o que houve?

– Antes ir para o xadrex ela partiu com o tamanco na mão para bater no coitado do Babá. Eu tomei à frente para protegê-lo e levei uma tamancada no pé do ouvido.

– Bonito isso não é?

– O pior é quando fui me justificar pra minha noiva, em casa, ela não acreditou e jogou uma panela de macarrão na minha orelha. Achou que eu estava raparigando e fumando maconha.

– Eita…

– Piorou mais quando eu falei que estava com o Batoré. Ela nunca gostou dele.

 

 

 

 

 

 

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