13 de setembro de 2015 • 9:18 am

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Considerado e Batoré no desfile de 7 de setembro

Dona Nildinha, avó do  Considerado, não é muito bem relacionada com os vizinhos. Dizem nas calçadas que na juventude, a velha era mais conhecida como “Maria Batalhão”, exatamente por que…

Por: Pequeno Polegar
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Dona Nildinha, avó do  Considerado, não é muito bem relacionada com os vizinhos. Dizem nas calçadas que na juventude, a velha era mais conhecida como “Maria Batalhão”, exatamente por que costumava se derreter pelos homens de farda.

Ela chegou a ser amante de um famoso coronel da Polícia Militar Alagoana e terminou o romance após sentir na face o peso da ira da mulher do militar.

Os vizinhos ficaram sabendo da história e não gostam muito dela. Principalmente a vizinha da direita, que é mulher de um sargento. A jovem ainda acha que a vó  tem mania de se insinuar para o marido.

Mas isso é só um detalhe. O certo é que Nildinha não perde um desfile militar de 7 de Setembro. Sempre arrastava o neto consigo, desde que o menino começou a andar. Talvez, por isso o Considerado ainda hoje assista aos desfiles.

No último dia 07, ele já tinha decidido a não mais acompanhar “aquele monte de macho fardado” marchando na avenida. Pensou em ir a churrasco com os cunhados.

Mas, de repente, recebeu um telefonema de um velho amigo, o aprendiz de rábula, mas já quase bacharel em Direito, popularmente conhecido como “Batoré”. Só para os íntimos. Ou Babá, para os companheiros de copo e de cruz.  Normalmente, ele não aceita que lhe chamem pelo apelido. Costuma reagir de mal humor.

E o nosso quase bacharel convidou-o a ir ao desfile com honras e glórias. Considerado tentou resistir mas foi convencido, por que o Babá lhe diss que ambos desfilariam em carro aberto, diante das autoridades.

– Como é isso Babá

-Babá uma… Deixa pra lá. Eu tenho um volkswagen da segunda guerra e vou apresentá-lo no desfile

-E pode?

-Todo mundo vai gostar.

Considerado foi a casa do amigo e viu um volkswagen meia boca de 1945. No fundo, um carro histórico, mas maltratado, barulhento e soltando fumaça de Diesel pelo escape furado. Ainda assim seguiram para aventura, pensando em fazer bonito na avenida.

Quando chegarem à altura da Americana, na praia da avenida, o carro começou a assustar as pessoas nas ruas pelos tiros que dava e a fumaça preta que soltava. Ao entrarem na praia foram barrados no baile por um guarda municipal.

– Ei que história é essa aqui engraçadinhos?

-Como assim, seu guarda? – Pergunta o Batoré.

-Vocês vieram aqui para anarquisar o desfile é isso?

Preocupado, Considerado resolveu intervir para que ambos se livrassem da situação vexatória.

-Olha, seu guarda, o carro do meu amigo serviu na segunda guerra e tem tudo a ver com o desfile.

-Esse carro é coisa de terrorista e uma fonte de poluição.

-Qual é seu guarda, você nao conhece a história?

-A história aqui é só uma. Independência do Brasil. Desçam do carro e me apresentem os documentos. Dos três.

-Mas só sou eu e o Babá.

-Babá é a puta que lhe pariu! – Reação natural do parceiro.

-Calma amigo eu estou querendo ajudar.

Desse jeito, me chamando de Babá?

O guarda impaciente: – Eu quero os documentos dos três:  vocês e do carro, com IPVA pago.

-O quê? Como vou pagar IPVA de um carro de 1945.

-Olhe seu Babá ou sei lá quem o senhor é…

-Babá é a PQP e o corno que lhe amassou seu guardinha infeliz!

 

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