16 de setembro de 2016 • 10:13 am

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Considerado é expulso de campanha e vai comer orelha de porco no Gabi

Coordenador de campanha em Maravilha, Considerado comprou fiado e só queria pagar depois das eleições…

Por: Pequeno Polegar
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Começa a campanha eleitoral e, meses antes dela, o Considerado se mandou para uma cidade do interior alagoano para ajudar um amigo se eleger prefeito. Conversador, cheio de jinga, no mais puro estilo malando é malandro mesmo, logo alugou uma casa na cidade e começou a fazer a propaganda do candidato.

Dizendo-se conhecedor da política como poucos e se vangloriando de ser “amigo” de um monte autoridades políticas do Estado, ele passou a imagem na cidade de que era o cara certo no lugar certo. O candidato dele era boa praça, bem relacionado entre o povão, mas rejeitado na elite do lugar por uma razão muito peculiar: era liso batendo. Não tinha um tostão furado.

O cara era de meia idade e chegou ao Considerado graças à dona Nildinha que, em uma de suas idas ao Bougainville, em Maceió, andou ficando com o candidato, antes mesmo de ele decidir disputar a eleição. O nome do homem, Petrúcio. Mas, a avó do Considerado passou a chamá-lo languidamente de “Peuzinho”.

-Peuzinho, amor, você é mesmo candidato lá em Maravilha?

– Sou Nildinha, mas ainda me falta apoio.

-Que tipo de apoio, querido?

-Apoio financeiro, grupo político para dar suporte.

-Quem sabe meu neto, Considerado, não pode ajudar?

Dia seguinte a velha reuniu os dois e “Peuzinho” se entusiasmou com a conversa do neto de Nildinha. “Deixe tudo comigo e vá pedir votos”, disse. Falou que era amigo de todos os senadores e dos deputados federais do Estado e que esse povo ia ajudar. Conseguiu até marcar uma reunião com um dos parlamentares alagoanos que viu potencial no candidato e prometeu o céu e a terra na campanha.

Considerado passou a morar em Maravilha. Logo tratou de fazer o lançamento da campanha. Comprou fiado em tudo que é lugar, em nome do candidato e do parlamentar renomado que iria ajudar a campanha. Fez duas festas. Uma na cidade e outra na zona rural. As duas regadas a muita cerveja, devido o calor do sertão. Na zona rural a festa foi na fazenda do Geno, um pistoleiro de lá, que um dia foi atacante reserva do CSE de Palmeira dos Índios.

Uma semana depois os credores passaram a procurá-lo para receber o dinheiro das duas festas.

-Seu Considerado, cadê o dinheiro do carneiro que lhe vendi?

-Não é comigo não; é com o candidato.

-Ele disse que é com você.

-Eu estou esperando o deputado pagar.

-Eu não fiz negócio com deputado não, cabra. Pague logo.

As cobranças foram se avolumando. Até que Geno procura o candidato e avisa pra ele resolver o problema. -Olha Petrúcio, isso vai sobrar para você. Esse cara tá enrolando o povo em seu nome. – Alertou.  –E o que ele está dizendo? –Que aquele deputado vai mandar um tal de Batoré aqui para pagar a todo mundo e isso já tem 15 dias. Nem o aluguel da casa de Mariinha ele pagou.

E lá se foi “Peuzinho” conversar com Considerado.

-Rapaz pelo amor de Deus, quem vai pagar isso?

-Que nada, Peu, quando a gente ganhar paga… Vai ter muito dinheiro

-Você está louco. E o dinheiro do deputado?

-O Batoré disse que o banco está em greve e por isso ainda não veio.

-Olhe quer saber de uma coisa desapareça daqui. E vá você, o Batoré e o deputado a puta que pariu.braised pig ear

– Mas Peu…

-Mas Peu, porra nenhuma. Suma daqui ou eu mando o Geno lhe dar uma surra.

Enfim, a fase de Considerado coordenador de campanha termina. Ele chega à casa da vó cabisbaixo e diz pra ela que o candidato era fraco. E por isso abandonou a campanha. Para animar o “netinho” avó o convida para comer uma orelha de porco no bar do Gabi, nas proximidades do Aldebaran.

-Vó não gosto dali não. Tem uma turma lá meio elitista…

–Que nada menino deixa de besteira. O dono de lá é um gatinho

-Meu Deus, vó aquilo está mais pra porco espinho.

A velha querendo paquerar o dono do boteco foi comer a orelha de porco. O cara servia e ela se enxeria. Comeram, beberam e veio a conta. –Quanto foi amor? – Pergunta Nildinha ao Gabi. E ele feito casca de jaca: – Sei não, veja aí.

Considerado pega a nota e protesta:

-Meu Deus, isso é um assalto!

-O que foi meu filho?

-Esse cabra está cobrando R$ 59,00 só de arroz.

-Meu filho pague logo, você não ganhou dinheiro lá em Maravilha?

-Que dinheiro se aquele candidato, o namorado que você arranjou, era um pé rapado…

-Meu neto quando é que você vai se endireitar na vida?

-Quando a senhora parar de ser a velha mais galinha desta terra.

-Vamos embora, vamos embora por que aquele “Fofa Chão” daquela mesa em frente está olhando pra mim…

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