1 de Janeiro de 2018 • 11:59 am

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Considerado, Zé Fumacê e dona Nildinha na ‘casa de shows’

A avó do Considerado num insinuante vestido vermelho para o reveillon no Bar do Carvão

Por: Pequeno Polegar
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Depois de ter ido a um ritual de Umbanda no dia 31 de dezembro de 2017, para fazer jus  ao contexto religioso ao qual está inserido, o Considerado se preparou todo para a virada do ano.

Sua intenção era assistir à queima de fogos na praia de Ponta Verde na companhia da mãe e da avó, na esperança simbólica de energizar a família.

Vestiu-se de branco, preparou um Cooler de cervejas e espumante se apresentou à família no mais puro estilo pai de santo, pronto para receber as bênçãos do Ano Novo.

A mãe não é muito de festa. É uma espécie rara de recatada e do lar. Mas a avó é completamente diferente. Tão diferente que chega a ser exibida. Gosta mesmo de um sassarico.

Antes de visitar o terreiro de Umbanda, Considerado foi ao bar do Lula Manguito para encontrar os amigos de farra: Batoré, Belleboi,Tonelada, Purê, Cobra Coral, Braço de Pistola, Oio de Jeep, Silvio Paizinho (padrasto do Batoré),Rui Caceteiro, Bill Arapiraca, Galboi Júnior, Delegado, Pastor, Magistrado, Portuga e Papada da Antonieta. Faltou apenas o Coleguinha que deixou uns penduras no mercado e viajou com a família.

Enfim, à noite chegou e ele estava pronto para o desfile à beira mar. Estranhou o fato de a mãe não estar preparada para sair e a avó em um vestido vermelho, quase transparente, com um decote  em “V” para lá de insinuante. Encucado com a roupa de Dona Nildinha perguntou: -Vó, a senhora vai sair comigo com esse vestido de perua? E veio a lei do retorno: -É da sua conta?

Viu logo que não era da conta dele e foi falar com a mãe. Ficou sabendo que ela não iria para queima de fogos. A mulher disse-lhe que iria à missa e depois se recolheria para dormir sem ninguém por perto para incomodar.

Assim, lá vai o Considerado apressar Dona Nildinha para sair:

–Vamos logo vó para encontrar um bom lugar na praia.

– E quem disse que eu vou com você?

-E a senhora vai para onde e com quem desse jeito?

-Vou sair com um amigo seu…

-Um amigo meu?

-Sim. E qual é o problema?

-E quem é ele?

-O Zé.

Considerado ficou perdido na história. A mulher, pela roupa que usava, parecia, guardada as devidas proporções, a dama da lotação. E piorou quando ela ligou a Playlist do celular e a música surgiu na voz de Reginaldo Rossi: Garçom olhe pelo espelho/ A dama de vermelho que vai se levantar…

-Que  Zé é esse dona Nildinha?

-Aquele que vocês chamam de Fumacê.

-O Zé Fumacê?  Meu Deus…

-Meu Deus o quê? Que eu saiba ele é gente fina e tem uma boa posição no mercado automobilístico.

-Que eu saiba a boa posição dele é no mercado de Floresta, lá em Pernambuco.

-Besteira, só por que ele gosta de um baseadinho…

-Não é nada disso, mas ele é mais conhecido como Zé do Carvão.

-Por que Carvão?

-Carvão é o nome de um inferninho lá na Levada, ao lado do Mercado da Produção, que ele costuma frequentar.

-Inferninho que nada, ele disse que é uma casa de shows e que hoje vai me levar lá.

-Lá é um puteiro vó.

-E daí, depois de uma fumacêzinho ninguém liga mais para nada…

-Mãe, vamos internar essa velha que ela endoidou.

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