6 de novembro de 2017 • 12:46 pm

Corrupção

Em depoimento, Cunha diz que não recebeu dinheiro da JBS para ficar em silêncio

Cunha confirmou ainda que marcou reunião entre Funaro e Moreira Franco, mas que não teria recebido propina

Por: Da Redação
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O ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (PMDB-RJ) disse nesta segunda-feira (6), em depoimento à Justiça Federal em Brasília, que não recebeu dinheiro da empresa JBS para ficar em silêncio.

Os irmãos Joesley e Wesley Batista, do grupo que controla a JBS, disseram ao Ministério Público que receberam o aval do presidente Michel Temer para comprar o silêncio do ex-deputado.

Em seu acordo de delação premiada, que está sob investigação, Joesley entregou o aúdio de uma conversa dele com Temer em que o presidente diz “tem que manter isso aí”, após o empresário afirmar que está bem com Eduardo Cunha.

Segundo a denúncia apresentada pela Procuradoria Geral da República contra Temer por obstrução à Justiça, o presidente se referia à compra do silêncio de Cunha.

Cunha chamou a denúncia dos irmãos Batista de “forjada” e disse que foi uma tentativa de “pegar” o mandato de Temer.

Ministro Moreira Franco

Cunha disse que marcou uma audiência em 2010 entre o operador Lúcio Funaro e o ministro Moreira Franco, à época vice-presidente da Caixa, mas que, diferentemente do que Funaro delatou, ele não recebeu propina por essa intermediação.

Cunha também disse que Funaro não esteve com o presidente Michel Temer nas três ocasiões que o operador mencionou em seus depoimentos, num culto evangélico, num comício em Uberaba (MG) e na base aérea de São Paulo.

“Se Moreira Franco recebeu propina, e se tratando do Moreira Franco até não duvido, não foi através das minhas mãos”, disse Cunha ao juiz Vallisney Oliveira, da 10ª Vara Federal, onde o ex-deputado é réu em uma ação penal sobre desvios no fundo de investimentos do FGTS, administrado pela Caixa.

Cunha disse que não participou da reunião entre Funaro e Moreira Franco e não sabe o que foi conversado. Confirmou também que recebeu doações oficiais do grupo Bertin na campanha de 2010, mas que elas não tinham relação com negócios na Caixa ou com o agendamento da reunião.”Marcar uma audiência não significa que sou partícipe do fato”, disse Cunha.

Tanto Cunha como Funaro estão presos atualmente na Papuda, em Brasília.

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