19 de Maio de 2016 • 11:48 am

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De novo esse lixo? É o retrato do descaso no jogo duro do combate ao Aedes

É inconcebível conviver com lixões a céu aberto, enquanto os membros da força-tarefa escalam muros de imóveis fechados e abandonados para retirar lixo e desativar focos do mosquito

Por: Fátima Almeida
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Lixo permanente por trás da antiga Ceasa (Foto: Fátima Almeida)

Lixão permanente por trás da antiga Ceasa (Foto: Fátima Almeida)

Lixão por trás da antiga Ceasa (Foto: Fátima Almeida)

Lixão por trás da antiga Ceasa (Foto: Fátima Almeida)

O trabalho de combate ao Aedes aegypti em Alagoas tem uma boa organização, uma boa integração das instituições de saúde e de defesa civil (é o que se vê) e de alguns gestores (é o que se diz). Mas é preciso estimular cada vez mais o compromisso de outras instituições e a integração da sociedade para virar o jogo contra as doenças por ele transmitidas. E, principalmente, manter o ritmo das ações no segundo tempo – ou melhor, no segundo semestre quando, a sazonalidade está em baixa e tanto a população quanto as instituições costumam relaxar.

É preciso lembrar que o jogo é duro. E no placar, as doenças transmitidas pelo mosquito continuam em ampla vantagem. A Sala Estadual de Coordenação de Controle e Combate ao Aedes comemora timidamente a redução de 32% nos casos de dengue no Estado, nos quatro primeiros meses deste ano. Mas pelo menos em Maceió, eles continuam aumentando – é o que revelam os números mais recentes, da Vigilância Epidemiológica.

De janeiro até a primeira semana de maio foram notificados 1.781 casos de dengue na capital alagoana. No mesmo período do ano passado foram 1.131.  A Chikungunya explodiu no período:  foram 1009 casos notificados até o último dia 7, contra 61 informados no mesmo período do ano passado. E a Zika teve, nesses primeiros quatro meses, 2.622 casos notificados em Maceió. Quase 70% das ocorrências registradas em todo o ano de 2015, que fechou com 3.928 notificações.

Mesmo desfalcadas, com a greve dos agentes de endemias que já dura quase dois meses, as equipes que constituem a força-tarefa seguem firme na missão, transpondo as adversidades – que são muitas, para desativar focos do mosquito.  Ao todo, 142.117 imóveis foram visitados pelas equipes na capital alagoana. São 490 mil. E dos 200 imóveis abandonados, com potenciais criadouros do mosquito, apenas 41 foram visitados e tratados. Reflexo desse desfalque.

É preciso reforçar o trabalho de time com outras ações e compromissos públicos. É inconcebível que, enquanto os membros da força-tarefa escalam muros de imóveis fechados e se arriscam, entrando, à revelia dos donos, em casas que acumulam grande quantidade de lixo, a cidade conviva, ainda, com cenas de lixões a céu aberto, como no terreno baldio por trás da antiga Ceasa, no bairro da Levada, já denunciado por nós em diversas oportunidades, neste espaço. É incompreensível receber e divulgar notícias sobre equipes sobrevoando áreas em busca de focos dos mosquitos por trás dos muros, e imaginar que elas não vejam essa situação.

http://eassim.net/montanhas-de-lixo-na-levada-desafiam-eficacia-do-combate-ao-aedes-aegypti/

http://eassim.net/o-lixo-a-lei-e-o-descaso-um-atentado-a-dignidade-humana/

Por onde andam a Slum; a Secretaria Municipal de Proteção ao Meio Ambiente; o  Ministério Público; a Procuradoria Geral do Município, que não enxergam essa situação? Por onde anda a Prefeitura de Maceió que não age, não localiza e não pune os proprietários desse e de outros terrenos em igual situação?

Quer o telefone? Tem, na placa!

E se não tem dono, desapropria! Ou será que não existe lei para quem expõe, dessa maneira, a saúde da população?

 

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