2 de outubro de 2016 • 12:34 am

Eleições 2016 » Política

Dinheiro para suposta compra de votos é aprendido em Piranhas

Denúncia do Ministério Público gerou ação de busca e apreensão executada pela Polícia Federal em cinco residências. Deputado Inácio Loiola seria um dos beneficiados

Por: Da Redação com Assessoria
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Foto reproduzida do site do MP-AL mostra dinheiro e lista de nomes apreendidos junto com propaganda de candidatos

Foto reproduzida do site do MP-AL mostra dinheiro e lista de nomes apreendidos junto com propaganda de candidatos

Uma ação da Polícia Federal  no município de Piranhas, deflagrada neste sábado (01) a partir de denúncia feita pelo Ministério Público Estadual (MP-AL) resultou na apreensão R$ 27 mil em dinheiro e listas com o nomes de várias pessoas com valores anotados que sugerem pagamanetos de compra de votos.

O material foi encontrado em cinco residências. De acordo com as investigações, o crime de corrupção eleitoral beneficiaria diretamente o candidato a prefeito da cidade, deputado Inácio Loiola e mais candidatos ao cargo de vereador.

A ação cautelar de busca e apreensão foi proposta pela promotora eleitoral Adriana Accioly de Lima Vilela, da 32ª Zona Eleitoral e deferida pela Justiça. Segundo ela, a Polícia Federal investigava, desde setembro, Leonardo Cavalcante Amorim, que seria o coordenador do esquema. Ele seria o homem responsável por arregimentar pessoas que teriam a missão de fazer o cadastro de eleitores que seriam beneficiados com o dinheiro advindo da compra de votos.

Fátima Amorim, esposa de Leonardo, também é acusada de fazer parte do esquema criminoso, montado, supostamente, para beneficiar o candidato a prefeito Inácio Loiola Damasceno Freitas e o seu vice-prefeito, Agílson Ferreira Barros, mais conhecido como “Xôxo” e alguns candidatos a vereador. Fátima seria a mulher que transportava dinheiro em veículos e motocicletas até as casas dos aliados políticos que, por sua vez, faziam os repasses diretamente aos eleitores.

Agílson, inclusive, é acusado de utilizar sua própria casa e, ainda, a residência do filho José Cleiton da Silva Barros, para também guardarem dinheiro.

Segundo as investigações comandadas pelo delegado federal Antônio Carvalho, outra candidata a vereadora, Evândia Florêncio Monteiro Ventura – “Evândia de Jessé” – estaria utilizando as casas da irmã e da mãe, Maria Evalda Florêncio Monteiro da Silva e Irene Florêncio Monteiro, respectivamente, para comprar votos. Os imóveis teriam sido escolhidos por conta da localização estratégica, uma vez que ficam no trajeto a ser feito por muitos eleitores no dia do pleito.

“Compra de votos é crime previsto no artigo 299 da Lei nº 4.737 de 15 de julho de 1965. Tal dispositivo diz que dar, oferecer, prometer, solicitar ou receber, para si ou para outro, dinheiro ou qualquer espécie de vantagem, para obter ou dar voto, ainda que a oferta não seja aceita, é compra de votos, sim. Então, ao ser informado sobre a prática criminosa, o Ministério Público Eleitoral de imediato ingressou com o pedido de busca e apreensão. E o resultado foi aquele que já esperávamos: a apreensão do dinheiro que seria pago aos eleitores” declarou a promotora Adriana Accioly.

Ela lembrou que para esse tipo de crime é prevista pena de reclusão de até quatro anos e pagamento de multa.

A promotora também deixou claro que, mesmo que não aconteça o pagamento prometido, o crime de corrupção eleitoral continua configurado por causa do “indício de dolo”. “Não é necessária a efetivação da compra de votos para que os envolvidos sejam denunciados e punidos pela prática ilegal. Apenas a intenção de cometer o crime já substancia a ação. Isso é o que está previsto no artigo 41-A da Lei 9.504/97”, acrescentou ela.

Além do dinheiro, nas cinco residências foram recolhidos  cadastros de eleitores e santinhos dos candidatos a serem beneficiados. Logo depois da operação, a Promotoria Eleitoral da 32ª Zona requisitou instauração de inquérito policial à PF, que ficará com todo o material apreendido. Em seu pedido, Adriana Accioly de Lima Vilela já solicitou que todos as pessoas supostamente envolvidas no caso sejam ouvidas pela Polícia Federal

  • Com informações da assessoria do MPE

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