16 de Abril de 2017 • 10:09 am

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Do outro lado da tela: Os caminhos secretos e perigosos das redes sociais

Entre o mundo real e o virtual, o universo oline tem levado vantagem cada vez mais ampla sobre nossos filhos

Por: Fátima Almeida
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Mais uma “brincadeira” na internet está tirando o sossego de pais de filhos adolescentes que se trancam no universo paralelo dos jogos online. O Desafio da Baleia Azul (Blue Whale), um jogo que teve origem nas redes sociais russas, tem uma série de desafios, numa sequência de 50 dias em que os jogadores – a maioria jovem – cumprem tarefas diárias que incluem, desde um simples abraço; uma expressão de amor, até situações bem mais complexas, que incluem automutilação e enveredam por caminhos secretos e perigosos que podem induzir à morte.

É a hipótese que se investiga no caso da adolescente Maria de Fátima, 16 anos, encontrada morta na terça-feira passada (11) numa represa, na cidade de Vila Rica (MT), onde morava com os pais. De acordo com as investigações, a garota saiu de casa enquanto todos dormiam, de madrugada, deixou o celular bloqueado em cima da mesa e alguns escritos onde constam regras do jogo e uma cronologia de ações que incluíam a própria morte.

Diante das evidências, o delegado que investiga o caso tenta provar a relação entre a morte da adolescente e o jogo. Ela deixou pistas como os sinais de automutilação – cortes nos braços e coxas, anteriores ao afogamento. E os passos investigados nesse caminho – reforçados em pericias, exames, análise dos escritos e do celular da garota – desembocam na morte, um provável suicídio.

Confirme-se ou não, a polêmica deixa uma mensagem que às vezes teimamos em não enxergar. As redes sociais escondem caminhos secretos que levam nossos filhos a universos quase sempre inacessíveis aos pais. Assim como houve, meses atrás, o Asfixia, outros jogos da vida virão, sem que saibamos onde vão dar.

O Desafio da Baleia Azul é um desses caminhos perigosos. E as redes estão abarrotadas de indicações a ele – já chamado de ‘O jogo do suicídio’.  Só no YouTube existem mais de 25 mil vídeos, segundo revelou a Revista Veja, citando, também, os inúmeros grupos fechados no Facebook e a variedade de links de convites para grupos no WhatsApp, tudo escondido dos pais, no mundo secreto e perigoso das redes sociais.

Segundo foi revelado até agora, por professores, amigos e colegas de escola, Maria de Fátima era uma excelente aluna – daquelas que raramente tiram nota abaixo de 8 – e costumava ser sorridente e brincalhona. De repente mudou, começou a ficar calada, introvertida. Dentro de casa os sinais também foram percebidos, mas não com a gravidade e a atenção que mereciam.

Esse é o ponto chave. Num mundo que se divide cada vez mais em dois universos paralelos – um real e outro virtual – o ambiente online tem levado ampla vantagem, cada vez mais nos tirando a presença dos filhos da mesa de jantar, da sala de estar, do jardim, dos programas compartilhados em família.

Maria de Fátima (Foto: arquivo pessoal – reprodução)

Isolados nesse (e desse) mundo, nos fechamos à compreensão do que se passa na mente ainda imatura dos nossos adolescentes e adormecemos nossas angustias no nosso próprio mundo, sem percebermos, que no quarto ao lado, nossos filhos podem estar caminhando para a morte.

Lamentavelmente, às vezes acordamos tarde demais, para a realidade.

Maria de Fátima está morta.

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