10 de dezembro de 2016 • 9:27 am

Brasil

Temer pediu R$ 10 milhões de propina, diz delator da Lava Jato

A delação foi feita por Marcelo Odebrechet em um documento de 81 páginas

Por: Da Redação
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Definitivamente no posto há pouco mais de três meses, o presidente Michel Temer (PMDB) pediu R$ 10 milhões, em valores não contabilizados, ao empreiteiro Marcelo Odebrecht, um dos presos da Operação Lava Jato, em 2014.

E agora?  É a pergunta dos líderes da oposição aos que tiraram Dimla Rousseff do poder para que Temer assumisse.

A informação consta de delação premiada em negociação com a força-tarefa da Lava Jato e feita pelo executivo Cláudio Melo Filho, ex-vice-presidente de Relações Institucionais da empreiteira e um dos quase 80 colaboradores da investigação, no maior acordo de delação do mundo. Trechos dessa delação foram primeiramente noticiados pelo site BuzzFeed Brasil em 30 de novembro. Nesta sexta-feira (9), veículos como a TV Globo e a revista Veja noticiaram desdobramentos do caso.

Segundo a revista Veja, que diz ter tido acesso à íntegra dos anexos de delação de Cláudio Melo Filho, diretor de Relações Institucionais da Odebrecht por 12 anos. Em um calhamaço de 82 páginas, o ex-vice-presidente setorial detalhou, segundo a reportagem de capa, como a maior empreiteira do Brasil comprou, por meio de propinas e demais modalidades de repasses milionárias, figuras centrais da cúpula do Executivo e do Legislativo.

A exemplo do que foi noticiado mais cedo pelo site Buzzfedd Brasil, a delação atinge Temer em cheio. Segundo o executivo, os R$ 10 milhões mencionados foram repassados em espécie a um dos homens fortes do cacique peemedebista, o ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha. Valores também foram entregues, ainda segundo o veículo online, ao assessor especial da Presidência da República, José Yunes, amigo e conselheiro de Temer há cerca de 50 anos.

De acordo com a revista – cujo site tem feitos resumos sobre reportagens de impacto que circulam aos sábados – e com o Jornal Nacional (TV Globo), deputados, senadores, ministros, ex-ministros e auxiliares de Temer e da ex-presidente Dilma Rousseff também receberam propina originada em contratos fraudulentos entre a Odebrecht e a Petrobras. O dinheiro ilícito chegou a membros de quase todos os partidos, segundo a delação de Cláudio Melo Filho, que e-mails, planilhas de pagamento e extratos telefônicos para comprovar suas acusações. “Justiça”, “Boca Mole”, “Caju”, “Índio”, “Caranguejo” e “Botafogo” eram alguns dos codinomes de pessoas que, segundo a delação, receberam propina.

O esquema – Em sua delação, Claudio Melo Filho esmiuçou o mecanismo de pagamento de propina ao PMDB, tanto no Senado quanto na Câmara, bem como as contrapartidas que recebia dos parlamentares. Ele diz que o esquema tinha como protagonista seu principal interlocutor no Congresso, Romero Jucá, responsável pela arrecadação de dinheiro no âmbito do PMDB no Senado e posterior distribuição para campanhas eleitorais – oficialmente ou por meio de caixa dois.

As negociatas com Jucá, segundo o delator, estavam baseadas na premissa de que o favorecimento à Odebrecht, por meio de contratos com a Petrobras e outras vantagens, representaria um preço a ser pago durante as campanhas eleitorais, a exemplo do que se verificou em 2014. “A insinuações não deixavam dúvidas de que, no momento certo, ele seria demandado pelo parlamentar e que a maior parte das demandas ocorria em períodos eleitorais”, diz trecho da delação.

Temer: R$ 10 milhões de propina.

O delator afirmou também que, no transcurso dos últimos anos, os valores pagos a Jucá superam R$ 22 milhões, em valores atualizados, de maneira que o senador centralizava os montantes e, em seguida, redistribuía-os ao seu grupo no PMDB.

Cláudio Melo Filho diz que Temer solicitou financiamento de campanha via caixa dois diretamente a Marcelo Odebrecht, em um jantar que ele diz ter sido realizado em maio de 2014 – na ocasião, diz o delator, o então presidente do PMDB e vice de Dilma solicitou o pagamento de US$ 10 milhões, dos quais 60% seriam encaminhados ao presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fies), Paulo Skaf, que naquele ano disputou o Governo de São Paulo. Os 40% restantes seguiram para Eliseu Padilha, informou o delator. Uma fração desse valor seguiu para o escritório de José Yunes, continua a delação, o que pode explicar o repasse da fração em dinheiro vivo – esse ponto da delação não foi plenamente explicado pelo ex-diretor da Odebrecht.

Nego – Por meio de nota da Secretaria de Comunicação da Presidência da República, Temer nega a ocorrência de caixa dois e diz que as afirmações do ex-diretor são falsas. “O presidente Michel Temer repudia com veemência as falsas acusações do senhor Cláudio Melo Filho. As doações feitas pela Construtora Odebrecht ao PMDB foram todas por transferência bancária e declaradas ao TSE [Tribunal Superior Eleitoral]. Não houve caixa dois, nem entrega em dinheiro a pedido do presidente”, diz o documento.
(POR FÁBIO GÓIS– Congressoemfoco)

 

 

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