5 de agosto de 2017 • 10:53 am

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E segue o baile: No país do cinismo a ‘Lava à Jato vai para o rumo certo’

Quando o combate à corrupção foi apenas um detalhe para um momento oportuno.

Por: Marcelo Firmino
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E segue o baile no País do cinismo, da hipocrisia e dos que só olham para o umbigo e arrotam moralidade da boca pra fora.

Se duvida, é só verificar o  “day after” do presidente Michel Temer, após livrar-se na Câmara de um megaprocesso por corrupção, que veio com uma declaração significativa para os interesses palacianos.

Depois de redecorar o gabinete, segundo o Estadão, Temer anunciou para os que lá foram abraçá-lo que as mudanças que estão por vir na Procuradoria Geral da República, com a nova Procuradora titular, Raquel Dodge, após 17 de setembro, “darão rumo certo a Operação Lava à Jato”.

Tudo deve começar com a troca do comando geral da Polícia Federal, já prometida por ele, e que agora está sendo cobrada pelos aliados, “todos homens de bem” – e bens – que estiveram na defesa dele no episódio da Câmara.

São os fatos que estão postos, mas que a cada dia revelam uma nova faceta dos interesses do poder e dos poderosos, assim como indicam que “os bem informados” das manifestações passadas serviam apenas há interesses de grupos que hoje estão aí dando exemplos cristalinos de tudo isso. Inclusive, de que o combate à corrupção foi apenas um detalhe para um momento oportuno.

Então tudo que se revelou aos povos, após a caída da presidente que estava no Planalto, em meio ao ódio de classes e a arrogância escravocrata, enterrou bem fundo na lama a pretensa áurea de moralidade de todos e trouxe à baila o mundo real da corrupção nas mais diversas instâncias e poderes.

Mas, pense apenas um minuto. Se o episódio da correria do Rocha Loures, amigo íntimo de Temer, com aquela mala com a propina de R$ 500 mil, ou a outra do Aécio Neves, ex-candidato a Presidente do Brasil com igual quantia, tivesse ocorrido ainda no governo passado, o que não teria acontecido no País, além dos panelaços?

Provavelmente, teria corpo estendido no chão. O veneno da intolerância escorria pelo canto da boca de grupos de “sarracenos” das bandas de cá.

É certo que havia gente querendo sangue. E há gente que gosta de fazer as coisas assim até para dizer que tem poder, é o poder e que dele não larga. Em nome dele, reúne comensais em mesas de estilo barroco em salões nobres, pousa para fotografias e diz a todos eu sou o bom.

Por tudo isso, é possível perceber as razões de muita gente que se trajou, gritou, bateu, bradou e vibrou recentemente, e que hoje está silenciosa, como que envergonhada não apenas de si. Mas, de todos os podres poderes e representantes que não honram sequer o que vestem.

E música, maestro, que o baile vai continuar…

 

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