9 de fevereiro de 2017 • 8:16 am

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Em ruínas, prédio do TCU ostenta desperdício de dinheiro público

Pesada, corroída pela maresia e abandonada, estrutura de aço a beira-mar ameaça desabar

Por: Fátima Almeida
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Corroída, a estrutura do prédio pede socorro (Fotos: Fátima Almeida)

Panorâmico, imponente, ele atrai os olhares de quem passa, na rota do mar, entrando ou saindo de Maceió pelo litoral sul. Hoje, não só por sua estrutura onde o ferro e o aço se confundem (um dia sinônimo de modernidade), mas principalmente pelo estado de abandono, degradação e risco de desabamento que ostenta, em sua estrutura corroída pelo ferrugem. Ainda jovem, prestes a completar 20 anos, (foi inaugurado em 1998), esse é o retrato atual do prédio construído para sediar a Secretaria de Controle Externo do Tribunal de Contas da União (TCU) em Alagoas.

Sim, exatamente isso. O prédio abandonado à beira-mar, na Avenida Assis Chateaubriand, pertence a um órgão que tem, entre as suas principais atribuições, a fiscalização da aplicação de recursos públicos federais e a responsabilidade de julgar as contas de administradores de dinheiro, bens e valores públicos federais, e de qualquer pessoa – física ou jurídica – que der causa a perda, extravio ou outra irregularidade que resulte em prejuízo a esse erário.

Na época da construção, o edifício imponente, de design ousado e arquitetura moderna, de frente para o mar, com uma vista de dar inveja a muitos condomínios de Maceió, custou aos cofres públicos mais R$ 1,3 milhão. Dinheiro jogado fora ao longo do tempo; descartado ao relento; literalmente corroído pelo efeito do maresia e do descaso. O prejuízo é incontestável e exposto logo na fachada, como um convite ao lamento sobre o desperdício de dinheiro público.

A ameaça de desabamento também. Visivelmente, a estrutura de aço corroída pelo ferrugem coloca em risco a vida das pessoas que passam pelo local.

Certo, que a manutenção de um prédio com aquela estrutura, à beira-mar, requer cuidados especiais e isso não sai barato. Mas, por que não se pensou nisso antes? Ademais, a existência de vários outros prédios funcionais com estrutura parecida, localizados em regiões próximas à orla de Maceió – vejamos o Ginásio do Sesi (batizado como Ginásio Presidente Fernando Collor), ali mesmo, no Trapiche – confirmam que é viável, se houver cuidado. Certamente abandonar a obra não é o caminho, e não fica bem, principalmente para quem tem obrigação de zelar pela boa aplicação do dinheiro público.

Hoje a Secretaria de Controle Externo do TCU conta com uma nova sede, bem situada na Avenida Dom Antônio Brandão, no bairro do Farol, inaugurada há dois anos, com a presença do então presidente do TCU, ministro Augusto Nardes, do então governador Teotônio Vilela, do prefeito Rui Palmeira e muitas outras autoridades.

Mas nada de ninguém falar em responsabilidades sobre a estrutura deixada para trás e dos danos causados ao erário. Ontem e hoje as vozes se calam sobre o assunto; o prédio da Assis Chateaubriand continua lá, tombando, caindo aos pedaços, sem resistência em suas colunas de ferro, sem socorro. E o poder público faz de conta que não vê.

Isso é grave! E não é só uma por uma questão de desperdício de recursos públicos. É de segurança, mesmo. Quando acontecer a tragédia anunciada, tomara que ao invés de dinheiro, não se tenha que contar vidas sob os escombros.

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