17 de julho de 2015 • 12:31 pm

Brasil

Época: Empresa Água Branca usada nas operações financeiras de Collor

Segundo a revista, a empresa não tem empregados. Também não tem existência física.

Por: Da Redação
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Collor: tempos dificeis com lava jato.

Água Branca seria a prova contra Collor

Uma bombástica reportagem da Revista Época desta semana revela que as operações financeiras do senador Fernando Collor estavam centradas em uma empresa chamada Água Branca.

Foi com base na investigações, a partir da delação premiada do doleiro Alberto Yousseff e do empresário da UTC, Ricardo Pessoa, que as investigações do Ministrério Público e da Polícia Federal chegaram a essa empresa que seria o canal para a lavagem do dinheiro do esquema da Petrobrás. Collor foi acusado por Pessoa de ter recebido R$ 20 milhões do esquema. A Época traz detalhes de como a investigação chegou aos indicios contra o senador. Com base nas informações, os ministros do STF decretaram a operação de busca e apreensões realizada pela PF no inicio da semana, em Brasília e Maceió

Veja abaixo a íntegra da matéria de Época:

– As principais operações financeiras feitas pelo senador Fernando Collor (PTB-AL) tratam da empresa Água Branca Participações, usada pelo ex-presidente para comprar carros luxuosos: “A empresa não tem empregados. Também não tem existência física. Conforme informação policial de campo, no endereço cadastrado como sede da Água Branca funcionam outras empresas. Trata-se, provavelmente, portanto, de ‘pessoa jurídica de fachada’, usada especificamente para lavagem de dinheiro”, afirma o relatório da Procuradoria Geral da República. A investigação foi além e descobriu que a Água Branca, apesar de não existir, recebera R$ 930 mil apenas em 2013, de uma empresa fantasma, a Phisical Comércio, abastecida pelo operador de propinas Alberto Youssef. Fechava-se o caminho do dinheiro.

Apesar da forte reação de Collor contra a operação, três delatores da Lava Jato mostram o mesmo caminho: entregas de dinheiro vivo para o senador. O assessor Rafael Ângulo, responsável pelos carregamentos de dinheiro a mando de Youssef, detalhou uma entrega de R$ 60 mil, e narra, sem floreios, a naturalidade com que o ex-presidente recebia a propina. Eis um relato literal da delação premiada selecionado por Janot para ilustrar o envolvimento de Collor: “Que ouviu o barulho de abrir com chave; Que em seguida, adentrou na porta e foi atendido pessoalmente por FERNANDO COLLOR DE MELLO;[…] Que, porém, como o declarante reconheceu COLLOR e o declarante tinha sido orientado a entregar o dinheiro pessoalmente para ele, o declarante disse: ‘eu trouxe sessenta, o senhor sabe?’; Que ele respondeu: ‘Sei’; Que então, como a quantia era menos volumosa, sobretudo porque estava em notas de R$ 100,00, o declarante entregou o valor diretamente para COLLOR; […] Que FERNANDO COLLOR pegou os valores e apenas disse ‘tudo bem’; Que COLLOR não contou os valores e apenas colocou ao lado”.

>> Os indícios contra Collor usados na Operação Politeia

Ricardo Pessôa, presidente da empreiteira UTC, diz ter pago pelo menos R$ 20 milhões de propina a um diretor da BR Distribuidora. “O declarante sabia que por trás da indicação de ZONIS estava FERNANDO COLLOR, do contrário, não aceitaria pagar 20 milhões de propina”, diz trecho do depoimento.

Na terça-feira, quando foi realizada a Operação Politeia, Collor negou as suspeitas. “A defesa do senador Fernando Collor repudia com veemência a aparatosa operação policial realizada nesta data em sua residência. A medida invasiva e arbitrária é flagrantemente desnecessária, considerando que os fatos investigados datam de pelo menos mais de dois anos, a investigação já é conhecida desde o final do ano passado, e o ex-presidente jamais foi sequer chamado a prestar esclarecimentos.”

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