17 de agosto de 2016 • 6:34 pm

Saúde

Equipe da Santa Casa usa técnica chaminé para o SUS

Em 2016, a Santa Casa de Maceió tratou mais de 30 casos de doença da aorta.

Por: Da Redação com Assessoria
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Por Theodomiro Jr.

Um paciente de 60 anos, residente na cidade alagoana de Murici e usuário do Sistema Único de Saúde (SUS) poderia ter vindo a óbito esta semana não fosse a atuação da equipe integrada do Serviço de Hemodinâmica da Santa Casa de Maceió. “O caso era grave e tivemos de recorrer a uma técnica conhecida como chaminé”, comentou o cirurgião cardíaco Francisco Siosney.

Ao revelarem um câncer na bexiga do paciente, os exames indicaram também um aneurisma de aorta abdominal, que precisava ser enfrentado antes de iniciado o tratamento oncológico. “O aneurisma na aorta é uma dilatação que ocorre nas paredes desta artéria, que é o principal vaso do sistema circulatório e que leva o sangue do coração para todos os outros órgãos, entre eles o sistema renal”, explicou o cirurgião vascular Ronaldo Nardão.

Para o leigo, pode-se dizer que a aorta assemelha-se a uma mangueira e o aneurisma à dilatação que pode se romper em algum ponto e a qualquer momento. O resultado é uma hemorragia interna, seguida de óbito em poucos minutos.equipe médica

O perigo do aneurisma da aorta reside no fato do problema não apresentar sintomas. “Um simples ultrassom de abdômen ou tomografia permitiria fazer o diagnóstico e salvar muitas vidas. A ultrassonografia com Doppler é recomendada em pacientes acima de 60 anos como método de triagem para aneurisma de aorta abdominal”, alertou o cirurgião vascular Jubrant Petruceli.

Vale destacar que dos 150 casos/ano estimados em Alagoas, apenas 20 buscam tratamento. E isso, na maioria dos casos, após a descoberta acidental da patologia por conta de outras doenças.”Os outros 130 vão a óbito sem terem sequer conhecimento do problema”, lamenta.

Técnica – A equipe de cirurgiões e hemodinamicistas da Santa Casa de Maceió optou por um procedimento endovascular conhecido como “chaminé” para evitar as fatais consequências de um possível rompimento da artéria aorta.

Com um quadro de aneurisma de aorta abdominal, o paciente apresentava um problema adicional: parte das paredes da artéria precisava estar sadia para receber a prótese, o que não era o caso, segundo os exames. A questão é que a implantação da prótese nesta situação levaria ao bloqueio do fluxo sanguíneo para os rins.

A solução encontrada pela equipe da Santa Casa, então, foi implantar dois stents garantindo a passagem de sangue para o sistema renal, justamente a técnica chaminé. “Ela se chama assim porque a visualização do procedimento assemelha-se a uma chaminé”, explicou o cirurgião cardíaco Francisco Siosney.

Outra vantagem da intervenção é que se trata de um procedimento minimamente invasivo, que utiliza cateteres e pequenas incisões para chegar até a artéria prejudicada.

“Desta forma, se reduzem os riscos de intercorrências e os custos e os pacientes podem ter alta e recuperação mais rápidos se comparados com a cirurgia aberta”, comentou o cardiologista Amilson Pacheco, um dos coordenadores do Serviço de Hemodinâmica junto com cardiologista intervencionista Leilton Luna Junior.

Em 2016, a Santa Casa de Maceió tratou mais de 30 casos de doença da aorta. Segundo o cirurgião cardíaco Francisco Siosney, o caso clínico, inclusive, será apresentado em breve em congresso científico na Universidade de Campinas (Unicamp).

 

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