2 de novembro de 2016 • 12:31 pm

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Erro na contagem dos mortos: Cabeças podem rolar na Segurança Pública

Estado divulga dados errados, sabe disso e persiste no erro.

Por: Fátima Almeida
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Um desencontro de informações vem rolando a cinco dias, desde que foram divulgados – e comemorados pelo governo de Alagoas – os números do Anuário Brasileiro de Segurança Pública (do Fórum Brasileiro de Segurança Pública), que refletem queda nos números de mortes violentas no Estado.

Desencontros que acabaram negativando uma informação positiva; importante para o Estado; e que seria, sim, motivo de comemoração. Mas acabou gerando um vexame que pode fazer rolar cabeças – na cúpula da Secretaria de Segurança Pública.

De acordo com o anuário, Alagoas foi o Estado que mais reduziu a violência – e isso é  verdade, segundo as estatísticas. Mas não na dimensão em que foi divulgado: uma queda de 20,8%. E esse erro só se tornou público pela percepção de alguns jornalistas.

O Estado, embora, tenha percebido o erro – já que os números da própria Secretaria mostram uma realidade diferente, com índices menores (cerca de 18%) – preferiu dar corda na informação do Anuário, mesmo sabendo que estava errada. Faltou acrescentar os números de autos de resistência – mortes em confronto com a polícia – e isso muda as estatísticas.

A corda curta acabou chegando num nó que a SSP está tendo imensa dificuldade de desatar. E o que era motivo de comemoração, virou vexame. Um vexame sobre o qual o Estado prefere silenciar. Até agora, no site oficial do governo, nenhuma nota, nenhuma correção, nenhuma admissão de que houve erro.

Desnecessário esse silêncio. Seja com 20,8%; com 18% ou com 17%, Alagoas continua sendo a unidade da Federação que mais reduziu o número de mortes violentas, segundo o Anuário, seguida do Distrito Federal, com um índice de 13% de redução, e Rio de Janeiro, com 12,9%.

E pela primeira vez em 10 anos, Alagoas desce um degrau no pódio da violência. Perdeu para Sergipe o título vexatório de campeão, para assumir a vice-liderança.

Portanto, há, sim motivos de comemoração, sem precisar de artifícios. Divulgar o erro e persistir nele, sem uma nota de reparação; uma errata, parece má fé.

 

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